terça-feira, 1 de agosto de 2017

Entrevista com Hugo Deigman: Novo vocalista da Khrophus


1      01-    Primeiramente agradeço pela entrevista. Se puderes fale um pouco de sua experiência no underground mineiro e a sua importância para a cena de Ipatinga – MG.

Salve Guigo! Eu quem sou grato pela oportunidade que está me dando para
me apresentar ao público daqui, considerando a importância da Khrophus para a cena local. Valeu mesmo! Na real, eu sou de Timóteo, fica a cerca de 25km de Ipatinga. Ambas são cidades do Vale-do-Aço, sendo Ipatinga a cidade mais “central”. Por um bom tempo mantive a cena de Timóteo bem ativa. De uns anos para cá tenho me concentrado nos saraus de rua, o último evento que fiz na pegada das bandas foi a “Festa da Morte” há dois anos, que contou com bandas de HxCx, RAP, metal, groove instrumental, bem no dia de finados. Esses eventos me fizeram me inteirar da cena no Leste de Minas Gerais, em Belo Horizonte e em outras cidades do interior, assim fiz minha rede, grandes amigos, tendo me apresentado bastante por esses locais com várias bandas, a última delas a Atomic Fear, que também foi a primeira banda que formei com o Carlinhos Gárgula (grande riffman!!) e retornamos às atividades há uns anos com os membros remanescentes da Gungnir e Infarto, e acredito ter sido o momento de maior maturidade musical de todos nós. Mas, como disse, dada falta de oportunidades na região do Vale do Aço nos restringiu a apresentações mais pela capital. A minha importância é a mesma que a de todos que fizeram e ainda fazem tudo acontecer por lá, a galera que hoje estar por trás do Garajão e Cult Music Pub é remanescente destes tempos e tem feito um esforço fudido para que coisas do tipo ainda rolem por lá.

2      02-    Os seus trabalhos com a Atomic Fear, Gungnir, Amnost, Atheistc e Baurette Trio estão todos finalizados? E há algum grupo desses que está ou voltará à ativa?

Cara, não sei se rio ou se lamento. A Gungnir por nossa própria decisão resolvemos que não continuaria mais, era uma banda de viking metal na época e a coisa virou toda meio que uma moda, e a gente curtia mesmo death metal e resolvemos criar a Infarto, existe apenas uma demo da Gungnir em algum lugar na internet. A Amnost foi uma oportunidade que tive de fazer parte de uma das formações onde toquei com o Cantídio Fontes, da Bloody Violence, na época ele ainda andava lá pelas minhas áreas. Eu acabei NÃO participando da gravação do EP que a banda soltou, mas fiz parte de uma formação brilhante, com vários shows interessantes tendo um deles sido com o Khrophus! A Atheistc, do Dilpho Castro (Silent Cry) foi também uma oportunidade. Havia o interesse da banda fazer uma tour europeia e o Dilpho é um grande irmão meu, assim ele me fez o convite para fazer parte daquela formação, mas fiz apenas um show e o cretino voltou com o Silent Cry, gravando disco, marcando shows, eles não ficam sem tocar! Mas foi uma experiência incrível, o Dilpho, além de amigo e parceiro de muitos outros trabalhos, é um professor dos melhores, sempre aprendi muito com ele. O Baurette Trio foi uma situação inusitada. O Francisco Petrônio, produtor lá da região dos mais ativos, me fez a proposta para formar a banda com outros dois músicos, todos de universos musicais diferentes, e o Baurette Trio resistiu uns seis meses, tocando quase todo fim de semana mais de uma vez, todos os shows diferentes uns dos outros. Com eles eu também tocava a gaita de fole e pude explorar melhor a sonoridade do baixo fretless, o que hoje faz uma diferença significativa no meu trabalho com o Khrophus, mas a banda não deixou nenhum registro a não ser uns vídeos ruins. Por último, a Atomic Fear é a minha “filha”. Primeira banda que formei, ali aprendi a usar o gutural, posteriormente a tocar o baixo, e ultimamente estava tocando “exatamente o que gosto de tocar”. Mas a cena na região e consequentemente a própria banda estavam sem perspectivas e me surgiu a oportunidade de tocar com o Khrophus. Não foi dado um “ponto final” na Atomic Fear, e creio que nem vai ser. É uma banda que merece ter um disco gravado, eu particularmente acho uma sonzeira! Temos um EP na internet, só falar comigo que “tá na mão! ”.

3      03-    Em nossa conversa, em Fraiburgo-SC há alguns meses, eu o indaguei sobre a gradativa ascensão da segregação de estilos no meio do Rock/Metal. O que você acha desse empecilho ainda estagnado no underground?

Acho uma pobreza de espírito. Música é música! Eu nunca fui do tipo “panelinha”, daqueles “eu só ando com os metaleiros”. Sempre fui bicho solto, ouço o que eu quiser, misturo com o que eu quiser, e percebo que é isso que deixa as coisas interessantes. As próprias linguagens musicais “dentro” do universo do metal são fruto disso. A gente tem que “fazer uma limpa” nas condutas, principalmente nas que identificamos como fascistas, fora isso, não vejo por que “segregar” nem “por fora”, quando o assunto são outras expressões musicais, muito menos segregar “por dentro”, quando estamos tratando do Rock/Metal.

4      04-    Onde você teve o primeiro contato com a Khrophus?

Quando o Alex me procurou para fazer um show da Khrophus no Vale fazem uns 8 anos, creio eu. Vieram duas vezes no mesmo ano e até hoje comenta-se deste show por lá!

5      05-    Já como integrante da Khrophus, como foi o processo de entrosamento com os demais integrantes? E como se deu o seu deslocamento para Florianópolis, houve alguma dificuldade relacionada a isso?

Eles já haviam ficado na minha casa, quando ainda morava com meus pais. Souberam entrar e sair, da minha casa e na minha cidade, foram impecáveis e desde cedo demonstraram uma boa amizade. Então as impressões sempre foram das mais positivas e mantivemos algum contato pelas redes desde então. Quando vi o anúncio e me candidatei a ser membro, só tive incentivo e apoio. Logo que acertamos minha entrada na banda, vim morar na casa do Carlos, que mora na Palhoça, e lá fiquei por três meses e agora que estou mais estabilizado estou vivendo na Ilha. As dificuldades estão sendo ir atrás de trabalho, mas o tempo na casa do Carlos me possibilitou fazer uma rede de clientes que tem me mantido com meus trabalhos culinários. Musicalmente, estamos nos saindo bem! Indo para a terceira música nova e conviver com o Adriano tem me feito crescer muito na parte musical.

6      06-    Você está ingressando agora no cenário catarinense, como você enxerga a “cena” e os festivais no estado? E quais são as maiores diferenças de MG e SC nesse âmbito?

A cena de Santa Catarina me parece mais “próxima”, e realmente aqui é a terra dos festivais! A quantidade de bons eventos é mesmo um diferencial. Mas em se tratando de bandas, sem querer fazer demagogia, ambos os dois lugares são bastante expressivos, mas cresci vendo as bandas de Beagá! Gosto muito do Chakal, Pathologic Noise, Divine Death, Mortifer Rage, cara…  Então, sou mais próximo do som das bandas de lá, meu gosto fala mais alto lá, mas tem muita banda foda nessas áreas.

7      07-    Musicalmente falando, se puderes cite algumas bandas que são referências para você, ou até mesmo estilos díspares que você agrega na sonoridade do seu baixo.

Hoje minhas principais referências continua sendo o Black Sabbath, o Cannibal Corpse e o Death, que foram as bandas que me despertaram o interesse em tocar contrabaixo. O Six Feet Under e o Vader me influenciaram muito também. O que tem me entortado a cabeça são o Are You God, o Gutalax, Test, Primus, tem muito mais coisa ae… para além disso, posso citar o Elomar Figueira, o Cordel do Fogo Encantado, Alceu Valença, Zé Ramalho, Cátia de França, Pedro Santos e Raul Seixas. Quanto ao que eu agrego ao som do baixo, não faço nada “intencionalmente” para “soar isso ou aquilo”, acaba saindo naturalmente graças a estas influências. Tem muito de música latina ali, mais do que o tradicional “blues”.

8      08-    Quais os seus novos projetos com a Khrophus?

O de sempre! Viajar, tocar, gravar, criar, produzir. Entrei para somar em tudo que a banda já faz!

9      09-    Eu gostaria de agradecer em nome da Urussanga Rock Music, a disponibilidade para a entrevista. Boa sorte na banda Hugo e conte sempre com nossa força e apoio.

Que isso, meu véio! Não é só apoio, é troca! Ambos partilhamos da mesma responsabilidade. Tamo na área e meus cumprimentos pelo trabalho incessante e incentivo que a Urussanga dá às bandas! Avante, camarada!



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