quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Parceiros do Underground #3: Maykon Kjellin (O Subsolo)

O terceiro episódio do Parceiros do Underground emerge de Imbituba - SC, cidade onde reside o escritor e designer Maykon Kjellin. Ele é idealizador e fundador da imprensa O Subsolo e também integrante das mídias A Hora Hard e Urussanga Rock Music, além de atuar como baterista no grupo Dark New Farm.


O músico nos contou um pouco sobre experiências no meio independente, as artimanhas para a elaboração das matérias e muito mais o que se envolve em colocar em prática uma mídia. 




Quando foi o primeiro contato que você teve com o Rock/Metal?

Maykon: Foi bem pequeno, não sei que idade deveria ter, mas lembro que fiquei chocado quando o Mamonas Assassinas faleceram, meu pai tinha me dado uma fita dos caras e eu andava com aquilo para cima e para baixo. Era minha "fita da sorte" hahahaha. Meu pai me apresentou muita coisa boa, clássicos como Nirvana, Scorpions, CBJr, Zé Ramalho e o amor só foi aumentando.

O que o levou a montar uma mídia independente?

Maykon: Eu queria cooperar mais fora dos palcos. Minha antiga banda (Doctor Jimmy), fez um show foda uma vez e eu fiquei chateado por não ter nenhum registro, muito menos escrito e eu queria criar algo que fosse como um arquivo da região sul catarinense, no fim, se tornou algo bem mais extenso, hoje O SubSolo atende o Brasil inteiro.

O Subsolo atualmente é uma das principais mídias underground brasileiras e há uma gradativa evolução. Quais são os principais fatores para esse crescimento?

Maykon: Cara, acho exagerado dizer que somos uma das principais mídias, pois somos uma mídia pequena. Mas confesso que estamos em crescimento e isso se deve a união e a boa escolha da equipe, todos tem minha admiração, até os ex-membros da equipe.

Em todo esse tempo como imprensa, quais matérias você destacaria?

Maykon: Eu fiz uma matéria que me orgulho muito, foi com a Aline Iladi, guitarrista do Silent Empire, foi uma que quando terminei de editar saiu lágrima dos meus olhos e me senti um jornalista de verdade, e sem querer ofender ninguém, foi nesse momento que vi que o talento dessa profissão vem do coração e foi isso que fiz com essa matéria, para mim é a mais especial feita por mim. Fica o link (http://www.osubsolo.com/2017/05/especial-superacoes-do-underground-02.html).

Fora isso, não tem como não destacar a entrevista com Andreas Kisser (Sepultura / De La Tierra) realizada por Vinicius Saints. Entrevista do Pedro Poney (Violator) feito pela Thabata Solazzo. Entrevista com Mauricio Nogueira (Matanza) feita pelo Marcel Caldeira e mais uma do menino Vinicius, a resenha do "MachineMessiah", elogiada pelo próprio Sepultura.

Como se sucedeu a ideia da criação do Subsolo Rock Festival?

Maykon: Eu sou um cara teimoso, que adoro me ferrar no underground, pode ser isso hahaha. Acho que faltava um "a mais", acho que toda iniciativa tem que ter um toque especial e o nosso foi o festival, fora as coletâneas físicas que vale lembrar.

Atualmente a mídia conta com quantos integrantes?

Maykon: O SubSolo conta com nove redatores.

Como se dá o procedimento de escolha para a elaboração das matérias?
Há algum pré-requisito?

Maykon: O pré-requisito é simples, não ser chato e ficar cobrando no privado (sério, isso é muito chato caras, não façam) e mandar material completo, uma banda que não tem release nos dias de hoje é inadmissível, por favor né. As bandas hoje faltam com profissionalismo e querem ainda cobrar cachê alto. Tenham de início, logo, release e fotos, e claro, um bom trabalho gravado.

E como você trabalha para organizar o tempo entre banda, organizador e imprensa?

Maykon: Ainda tenho minha assessoria, coopero para o Underground Extremo, Metal Etílico e as vezes até Urussanga Rock, né patrão Guigo? hahaha. Não é fácil, a tarefa é dificil e isso me esgota, principalmente pela falta de reciprocidade. Ultimamente abro a plataforma de criação de matérias e fico pensando se devo realmente perder tempo escrevendo, não tenho mais o mesmo tesão de antes. E a falta de cooperação das bandas de divulgarem os próprios links que são mencionados, vai enchendo o saco.

Quais são as principais dificuldades enfrentadas no desenvolvimento das matérias?

Maykon: como citei lá em cima, falta de profissionalismo das bandas que não tem nem material, sem material não sei nem por onde começar.

Qual sua visão sobre o cenário catarinense atual e o que pode ser melhorado?

Maykon: Comecei a acreditar que o tal "união" é balela mesmo, infelizmente cai na real. Eu batia no peito e brigava para dizer que existia, mas não existe. Banda da nossa região precisou de mim e eu ajudei, no fim, lançaram ou ainda vão lançar, não sei, o clipe por uma mídia lá da puta que pariu, aí desanima né? Falta de consideração. Acho que falta consciência, humildade, é muito músico comendo sardinha e arrotando salmão. Falta tirar o rabo do sofá e participar mais dos eventos, não ficar do lado de fora, não tentar burlar para não pagar a entrada, existe tantos problemas a serem corrigidos...

Há união entre as mídias?

Maykon: Entre as mídias sim e é surpreendente como todas as mídias que conheço se ajudam sem frescura. É um prazer estar entre elas com certeza.

O que motivou o fim da Web Rádio do O Subsolo?

Maykon: Bandas que mandam músicas e não tiram dez minutos do dia para ouvir, programas ao vivo d'O SubSolo aos domingos para 2 ou 3 ouvintes, mesmo com divulgação pegando fogo. O pessoal só quer e não quer ajudar, quer se apoiar mas não quer apoiar, é complicado. Isso é triste, foi bem frustante para mim anunciar o fim da rádio. Estou incomodado até hoje!

Cinco bandas catarinenses.

Maykon: AlkanzA, Eletromotriz, Orquídea Negra, Viletale, Vlad V.

Cinco bandas da região de Tubarão.

Maykon: DeadNation, AlkanzA, Dark New Farm, Distressed, Alucinia.

Cinco mídias independentes.

Maykon: Rifferama, A Hora Hard, Underground Extremo, Urussanga Rock Music e Cultura em Peso.

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade para a entrevista. Se puder, deixe um recado para os leitores que nos acompanham.

Maykon: O que o Guigo e a Leandra fazem, é coisa de outro mundo. Resenha em escrita, vídeo entrevista e ainda batem foto. E tem cuzão que não dá valor e quando a gente cansa, dá as costas e não se dedica mais, começa o mimimi e o arrependimento, isso não é só com mídia, é com bares, festivais, projetos e tudo o que podemos imaginar. Temos que APOIAR SIM, temos que tentar a balela de união SIM, temos que nos ajudar SIM e temos que ser um só, ou se não, o barco afunda. Vamos ser menos babacas e mais família. Obrigado pelo espaço Urussanga Rock!


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