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sábado, 9 de março de 2019

OxDxD: As raízes do Hardcore resistem

A banda de Hardcore OxDxD de Betim- MG foi formada em 2014 com o intuito de reunir amantes do HC Oldscholl, sobre temáticas de skate, cotidiano, revolta social e antifascismo. O nome ainda permanece um mistério, já que os músicos ainda não revelaram o sentido real da designação.

O grupo betinense já participou de duas splits, no entanto é o último trabalho que atrai as atenções, o Ep homônimo “OxDxD Betim Hardcore”. O material contém sete faixas, sendo elas “SK8666”, “Tipo Nóis”, “Heart Attack”, “Mosh Pit Faixa Preta”, “3x Antifa”, “Hospício Inferno”, além do bônus “Depression (Cover de Black Flag).

Foto 1: Facebook da Banda
Um estrondo inicia “Sk8666”, o peso e a celeridade são nítidos do início ao fim. A letra traz o skate como uma forma de vida e não estética aliada a heresia e ao anticristianismo. HC misturado com Rap, Metal... Isso é só o começo da demo!!!

A segunda faixa é denominada “Tipo Nóis” e mostra o Hardcore raiz e cru, aquele que não nasceu nos condomínios de luxo. A canção traz uma sonoridade ímpar em que predominada a rapidez e a velocidade dos riffs.

“Heart Attack” é uma crítica à sociedade atual e aos malefícios que ela causa nas pessoas. Com 01:43min exibe incessantemente os versos “Heart Attack, attack, attack, attack”, o instrumental caminha na mesma intensidade dando vazão a um Punk.

A canção “MoshPit Faixa Preta” é uma das mais insanas do material, ela é simplesmente caótica. Ela explicita os moshes, os wall of death e as rodas brutais nos shows de Metal/HC, além de opor ao “estilinho bonequinho” presente em alguns shows.

“3x Antifa” condena as discrepâncias sociais, como o racismo, o machismo, a homofobia, o nacionalismo e o militarismo. É um grito atordoador ao preconceito impregnado na sociedade.  Com backing vocais, vocal áspero e com riffs agressivos ingressa-se numa atmosfera mais sombria.

A sexta faixa “Hospício Inferno” tem introdução a partir de algumas risadas, e alavanca através de guturais crus e de uma sonoridade cíclica. “Tá todo mundo louco...”

Para encerrar o Ep, os mineiros fizeram um cover da música “Depression” da lendária banda estadunidense de Punk Rock, Black Flag.

Formação Atual:
Stn (Vocal)
Sidão (Guitarra)
Fred (Baixo)
Woliver (Bateria)
Emmanoel (Guitarra)

Plataformas Virtuais:


segunda-feira, 4 de março de 2019

Dark Phantom: O Metal Iraquiano como forma de resistência

O Iraque é um dos países mais importante do Oriente Médio, o país constantemente enfrenta lutas étnicas e frequentemente sofre com a influência estadunidense em seu território, além dessa intervenção internacional, o país é prejudicado por grupos como o “Estado Islâmico” e pela ditadura que fere a democracia e acaba por afetar a liberdade individual.

O Metal, estilo preconizado por personificar as mazelas sociais e apresenta-los através de sua sonoridade, é uma das válvulas de escape para os jovens iraquianos. Uma das precursoras do mesmo no país, foi a Acrassicauda que passou por dificuldades para difusão de seu som e consequentemente exilou-se em outros países.

Foto 1: Arte do álbum
Em 2007, alguns amigos decidiram por se juntar e mutuamente fazer um projeto com o viés de um Thrash/Death Metal. A banda Dark Phantom foi criada em Kirkuk e seis anos depois divulgara seu primeiro material, “Beta” que contém cinco faixas. Em 2016, pela boa aceitação da demo, divulgaram o mais recente trabalho, “Nation of Dogs”.

O disco disponibilizado pela Nuna Records em parceria com a Antichrist Hooligans Distro traz dez faixas, “Dark Ages”, “New Gospel”, “Nation Of Dogs”, “Judgement Call”, “Unholly Alliance”, “O! Holocaust”, “Atomosphere”, “Confess”, “On The Brink Of Terror” e “State Of War”. O álbum foi mixado e masterizado por Mir Shamal e obteve a criação de sua arte por Ece Bas e Qasim Kx.

A primeira faixa “Dark Ages” introduz o full length. Logo “New Gospel” começa com riffs perturbadores e céleres, o solo no meio traz um êxtase. A canção expõe a hipocrisia religiosa e seus respectivos dogmas através de versos críticos à mesma.

A homônima “Nation Of Dogs” é uma das principais do disco. A faixa se evidencia através de riffs técnicos, de um vocal áspero, dos backing vocais e da sincronia entre os integrantes. A mensagem pesada aos detentores do poder explicita a arte da capa do álbum, a nação dos cães é simbolizada através da religião, do capitalismo e da ambição humana. A canção possui um videoclipe no YouTube com mais de 23 mil exibições.


A quarta faixa “Judgement Call” é uma afronta aos conceitos de Jihad e do Islamismo, ela mostra as mazelas da religião e do respectivo sistema que predomina a desigualdade social e austeridade. Ela começa com um instrumental constante, uma atmosfera mais Heavy Metal e rapidamente passa para os guturais de Mir Shamal que de forma caótica interliga ao refrão.

“Unholy Alliance” é cadenciada até ao extremo, os seus 03:17min a colocam como uma solidez descomunal expressa no solo do instrumental. A letra aborda temas políticos, socioeconômicos e de repressão, como armas, produtos químicos e máscaras.

A canção “O! Holocaust” é uma das melhores do “Nation Of Dogs”. A sonoridade díspar e lenta, além dos backing vocais são ingredientes para a tornarem um hit dos iraquianos. A composição ressalta o poder do homem e suas características autodestrutivas.

“Atomosphere” também obtém um videoclipe no YouTube e angaria mais de duas mil visualizações. A faixa mostra uma metáfora de “átomo” com “atmosfera”, além de questionar a repressão e os resquícios da guerra proposto para controlar a população. Ela é rápida, concisa e agressiva, é uma espécie de petardo aos ouvidos de quem a ouve.


A oitava canção “Confess” retrata a irracionalidade humana atraída por mentiras, por discursos vazios e pela fé cega em dogmas. Com um rico instrumental, a música caminha por novos rumos, mostra riffs encorpados e densos através do enfoque tons harmônicos, e ao mesmo tempo crus.

“On The Brink Of Terror” com 02:53min é uma das mais curtas do material, no entanto desde seu início já ingressa a celeridade no instrumental e a morbidez aos vocais. Já a sua letra, mostra o regresso intelectual que a religião impulsiona através de quem a segue.

Ao encerrar o disco, o sentimento de querer mais músicas, e nada melhor que “State Of War” para finalizar. A música é uma crítica direta à ocupação estadunidense e europeia, além das ironias sobre os resquícios que isso causaram ao país. A sonoridade em alguns momentos é pesada, em outros através de backing vocais fica cadenciada, mas a junção disso resulta uma experiência ímpar sobre a mescla do Heavy Metal ao Death Metal.

Foto 2: Facebook da Banda
Formação Atual:
Mir Shamal (Vocal)
Murad Jaymz (Guitarra)
Rebben Hashim (Guitarra)
Sermet Jalal (Baixo)
Mahmmod Qasim (Bateria)

Plataformas Virtuais:


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