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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Black Days: Em sua nova tour, banda retorna ao Sul para quatro shows

Com cinco anos de estrada e com um nome fincado no cenário do underground brasileiro, a Black Days carrega consigo a solidez e a experiência através dos seus respectivos trabalhos.

Foto Divulgação
O grupo nos concedeu uma entrevista e explanou sobre sua nova tour no Sul do Brasil, que com o apoio da Brasa Produtora, Trececompany e Monster Energy passará por quatro cidades.

A banda iniciou no final de 2014 e reuniu integrantes de grandes nomes do cenário underground atual, como o Gloria, o Savant Inc. e o Every Man is an Island. Quais os principais aditivos que cada um trouxe desses outros grupos para o projeto?
Black Days: O que mais conta na nossa nova pegada de som, é que cada um carrega consigo não só um gênero musical, mas sim muitos, todos na banda são muito versáteis e isso nos possibilita uma perspectiva maior sobre o assunto música.

O disco “Entidade” personificou o amadurecimento do trabalho de vocês, mais peso, mais coesão e bem diferente do Ep. Como foi o desenvolvimento da produção do material?
Black Days: Esse momento de criação e produção é maravilhoso e nos uniu muito, a maioria dos sons tipo (todos) fomos nós que produzimos, mas a visão final foi dada pelo Joao Milliet que deu a vida para cada faixa.

Em 2018, vocês juntamente do Bullet Bane deram início ao Coletivo Rajada que depois obteve a ingressão do Bayside Kings, do Manual e da Ponto Nulo No Céu. Quais são os principais resultados obtidos dessa parceria?
Black Days: Tocar para o público de outras bandas é muito bom para nós, porque aprendemos como cada rolê funciona, o Coletivo veio de uma conversa inicial das bandas e prosperou até o evento que aconteceu, no final de dezembro 2018/2019.

Durante a última passagem por Santa Catarina, vocês dividiram palco com o Ponto Nulo No Céu. E depois de um ano retorna para o Sul do Brasil, novamente com a parceria do Brasa Prods. Qual a expectativa para a nova mini tour?
Black Days: Nós fazemos esse trajeto para o Sul desde 2016 e a cada ida, nós sentimos cada vez mais o envolvimento da galera conosco e isso é incrível! De verdade.

Cartaz
Nessa tour o ânimo está ó...lááá em cima! Estamos sendo respaldados com a produção do BrasaProds e Trececompany + Monster, que dão todo apoio e suporte para que essa tour aconteça da melhor forma possível, criando uma experiência massa para quem vai nos shows.

Sabemos que São Paulo é um forte eixo da música nacional e as novas turnês tem se estendido para muito além do estado. Quais as principais diferenças entre o cenário underground pelas regiões que têm passado?
Black Days: É muito louco como cada rolê acontece de forma diferente. Em cada cidade que vamos, tipo interior de SP, na verdade no interior em geral, tudo é mais tranquilo (só não o bate cabeça rs) já em SP a gente precisa divulgar muito! Porque é certeza de outro evento no dia hahaha

Diferentemente, Floripa sempre teve a galera mais paz possível dentro da casa de show, a gente acaba se envolvendo com eles antes mesmo do show acontecer, criando assim um laço forte que cria o clima perfeito para quando entramos no palco.

Uma das peculiaridades do Black Days, é o fato do grupo investir em produção audiovisual. Vocês possuem vários videoclipes e trabalhos no YouTube, tais como a recente “Saturado”. Como vocês avaliam a difusão dos respectivos materiais audiovisuais? Qual a importância disso para o portfólio da banda?
Black Days: Imaginem só vocês que tocam, terem uma banda com quem faz foto, vídeo, mídias sociais, produção musical e produção para audiovisual? Perfeito né? Nós temos a felicidade de trabalharmos em paralelo à banda, com o digamos “audiovisual e produção” nós sentimos a necessidade de sempre vincularmos nossas músicas com os vídeos e outros materiais, tipo nosso merch.

Isso vem natural da gente e o melhor, temos muitos amigos que acreditam no nosso trampo e dão a maior força! Acreditamos também que todas as bandas devem mostrar suas músicas, através de bons vídeos (mesmo que de baixo custo).

Para os novos projetos, há algo concreto em desenvolvimento?
Black Days: Sim! Gravamos um single em dezembro de 2019, no estúdio do Dudu Borges, que grava vários artistas mainstream da atualidade em um projeto chamado “Start”. O single é intitulado como “Sorriso Falso”.


Atualmente estamos em produção de mais videoclipes e lives do “Entidade” e bem possível de subirmos um, até o final de março!

Formação Atual.
Bruno Figueiredo (Vocal)
João Bonafé (Baixo e Vocal)
Murilo Amancio (Guitarra)
Vitor Peracetta (Bateria)

Plataformas Virtuais.

Um recado para quem acompanha a Urussanga Rock Music.
Black Days: Muito legal esse espaço que vocês dão para as bandas nacionais, é isso que faz a cena continuar!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

HellCat Empire: O Hardcore libertário se destaca no cenário underground

A banda Hellcat Empire formou-se na cidade de Itapira, interior de SP, terra do primeiro capitão campeão mundial pelo Brasil, o saudoso Beliini. Em meados de 2017, juntando integrantes que já passaram por bandas como Take Me Back, Julgamento, Burlesque Playhouse, Coraziones Venenosos, decidiram formar uma banda com influência de Punk 77, Street Punk e West Cost Hardcore. 

Foto 1: Facebook da Banda
Sua formação consta com Mauro (Guitarra e Voz), Alemão Pompeu (Guitarra e Voz), Rude (Bateria) e Cristiano Minhoca (Baixo e Backing Vocal). Resolvemos bater um papo com estes gatos do inferno para o portal Urussanga Rock.

Primeiramente nos fale como está a banda hoje, como foi a repercussão dos dois singles virtuais lançados por vocês nesse tempo e o que há de novo para o futuro dos gatos?
Hellcat Empire: Estamos ensaiando periodicamente e também compondo novas músicas. A repercussão dos dois singles foi muito positiva, temos a expectativa de lançar mais alguns singles, ou talvez um álbum neste ano.

A banda sonoramente tem uma pegada muito boa, transitando entre o Street Punk, Punk 77 e no que chamamos de West Coast Hardcore e até notamos uma inspiração da Pat Smith, visto na frase da música “Together In The Streets”. Nos fale, quais bandas influenciam vocês dentro do Hardcore Punk e também fora dele. Vocês acreditam que também ter e mostrar influencias fora do Hardcore Punk se torna algo mais produtivo e positivo para vocês?
Hellcat Empire: É complicado apontar uma banda ou outra que possa ter uma influência significativa naquilo que compomos. Neste sentido, até mesmo em nosso release optamos por não sermos objetivos - de forma geral, o que influencia a nossa sonoridade é o Punk Rock!  Nada mais fora deste contexto.


Foto 2: Facebook da Banda
 Há uma significativa crítica social e política em suas letras, principalmente dentro do contexto em que nosso país vem passando desde 2016, onde se intensificou mais uma cultura de ódio, neofascismo, e um trabalho intenso para desqualificar os direitos sociais, e também trouxe à tona a sombra do totalitarismo que o pais viveu em 1964.  Enfim, um presidente que representa esse ideal foi eleito e está no poder, junto com seus políticos, os porta vozes de tudo isso que vem acontecendo.  Na música “The Raven” vocês cantam sobre esse problema, sobre o vírus fascista estar emergindo com força, mas parece que as pessoas não compreenderam essa situação. Qual a visão de vocês hoje em 2019 sobre isso?
HellCat Empire: A cadela do fascismo está sempre no cio, não esqueçamos disso. Não é uma situação que vem do agora... subestimamos o então candidato a presidente pela sua imbecilidade e olha onde estamos hoje. Nossa proposta é o combate no dia-a-dia e também através das nossas músicas, que não tem razão de existir se não for para bater de frente com tudo isso.

Por falar em conservadorismo e fascismo, Itapira é uma cidade onde 80 % dos votos foram para o atual presidente. Nos fale como é ter uma banda de Rock e consequentemente de Hardcore Punk nessa cidade? Como é viver dentro de uma sociedade que já tem um histórico racista, conservador que ultrapassa séculos, e como se comportam os “rockers” em Itapira, se põem-se como contestadores dessa realidade?
Hellcat Empire: Não necessariamente em nossa cidade, ter uma banda Punk, que traz consigo o viés contestador, de certa forma incomoda algumas pessoas. Para gente é se sentir vivo, estar um pouco mais ativo por tudo aquilo em que acreditamos. Viver no Brasil é uma luta diária contra tudo que você citou e tantas outras coisas podres e doentias que estão aí. As pessoas que de certa forma estão inseridas em uma cena, no caso a nossa, e não compreendem tudo que está por trás da música, lamentamos. Entristece e também causa revolta, é o que sentimos. Mas não cabe a nós e nem a ninguém fazer juízo de valor - e isso não significa passar pano para quem quer que seja.


Foto 3: Facebook da Banda
Voltando a falar da banda, ouvindo a música de vocês assim como nos shows há uma energia incrível, e uma química fantástica de entrosamento, as alternâncias dos vocais ficaram perfeitas, assim como os singalongs e os instrumentais. Como se dá o processo de composição e de onde vem tanta energia contagiante que vocês colocam em suas músicas?
HellCat Empire: Nos conhecemos há bastante tempo, temos uma ligação muito forte que vai além da música e do ambiente em que ela está inserida. Devido a isso as composições surgem naturalmente no decorrer dos ensaios, onde cada um traz a sua experiência e as músicas vão acontecendo

Muito tem mudado em relação ao underground vivido por exemplo na década de 90 e na atual. Sei que vocês passaram por algumas dessas décadas, vivenciaram essa modificação tecnológica e virtual que acaba atingindo o cenário. Plataformas virtuais, blogs, vídeos, vocês acham que isso de alguma forma tem atrapalhado ou ajudado às bandas? E assim, ainda é possível manter formatos de divulgação mais analógica como vinil e CD ou produzir fanzines impressos? Também gostaria da opinião de vocês sobre os eventos nos dias atuais, visto que há uma certa escassez de público, o que vocês acham que influencia esse fenômeno?
 HellCat Empire: Todo mundo hoje em dia tem acesso às diversas bandas e músicas da cena, acreditamos que este fato tem ajudado bastante. Temos que nos adaptar a tecnologia né, rs. Podemos dizer que somos até saudosistas em relação aos formatos mais analógicos, como o vinil e os impressos. Muito disso se deve a qualidade que se obtém nos discos, é incomparável. É possível manter estes formatos de divulgação, mas não apenas eles, infelizmente. Sobre escassez de público, é que hoje em dia a galera escuta outras coisas, principalmente os mais jovens, é um outro momento e precisamos entender isso. Mas a cena está aí, ela continua acontecendo e precisamos cada vez mais apoiar, frequentar os shows e produzir.

Bom meus amigos, agradeço muito ao tempo cedido para o blog Urussanga Rock, e fica um espaço final para dizerem algo mais as pessoas que acompanham o blog.
HellCat Empire:  “All together, all together, we are one, we are one! AlI together, all together, we will never walk alone!!! (Música Free – e adoro esse som).

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Malice Garden: As raízes do Metal Extremo criciumense estão de volta

A banda Malice Garden de Criciúma- SC, possui mais de vinte anos de trajetória, carrega consigo uma posição de destaque no Metal Catarinense e busca trazer os velhos elementos do Metal Extremo, como a heresia e a blasfêmia através de sua sonoridade sólida.

O guitarrista e vocalista, Spok, nos concedeu uma entrevista e abordou assuntos como o recesso, a volta às atividades, nova formação e os projetos em desenvolvimento.

Foto 1: Facebook da banda

Primeiramente, agradeço a disponibilidade pela entrevista. A Malice Garden nasceu em 1999 com o intuito de transpassar músicas autorais, com referências às bandas Morbid Angel, Slayer, Destruction, Sodom, Deicide, Cannibal Corpse, Krisiun, entre outras. Como foi o procedimento de criação e formação inicial?
Spok: Agradeço também pelo espaço cedido, e pela oportunidade de falar um pouco sobre nossa banda Malice Garden. A Malice Garden iniciou-se com a formação de Rodrigo na bateria, Régis no vocal, Junior na guitarra e eu, Spok, também na guitarra. A princípio, a banda chamava-se Renegades e éramos apenas amigos reunidos fazendo música.

Com o passar de mais ou menos um ano, sai Juarez e entra Cleber, que rebatiza a banda como Malice Garden, momento este onde assumimos uma postura mais profissional.

Logo no ano de 2000, vocês difundiram de forma independente a primeira demo Ravenge Against Jesus Christ. O trabalho conta com quatro faixas: “Rise Above The Things”, “Angel’s Fall”, “Ravenge Against Jesus Christ” e “Renegade Soul”. Sobre o álbum, quais foram as dificuldades para o desenvolvimento?
Spok: Não houveram muitas dificuldades, pois por termos todos o mesmo viés musical, as letras e melodias foram criadas de forma espontânea e com a juventude a favor. O processo foi bastante rápido.

Dois anos depois, o Ep “Eternal Evil Victory” foi divulgado, também com quatro faixas: “Thy Master”, “Violation Domain”, “Black Devastation” e “Malice Garden”. No entanto, é mais ríspido, agressivo, direto, mais maduro e técnico. Quais as principais diferenças desse material para o anterior?
Spok: Nesta época, houveram mais mudanças na banda. No lugar de Régis entrou Ivan, Mauricio no lugar de Cleber e Arthur no lugar de Junior, onde o perfil da banda foi sendo modificado, passando a ter composições mais maduras e técnicas, como você mesmo citou.

Ainda no começo do século, ocorreu um acontecimento inusitado. Uma enchente em Criciúma, de grandes proporções afetou a banda. Alguns equipamentos foram inundados, muro do local do ensaio desabou.... Depois disso foram ensaiar na casa do ex vocalista Ivan Tyrant. Podem nos dizer mais sobre o episódio e se atrapalhou o desenvolvimento do grupo?
Spok: Foi um grande susto. Ensaiávamos na casa do Artur, onde deixávamos as aparelhagens, e infelizmente a parte de baixo onde ficava o estúdio foi inundada. Porém, conseguimos recuperar grande parte do equipamento e seguimos com os ensaios normalmente, sem nos deixar abalar pelo episódio.

O ano de 2003 foi muito produtivo para a Malice Garden, pois vocês abriram para a banda polonesa Vader e se apresentaram no Setembro Negro Festival, ao lado de grupos como Dark Funeral (SUE), Averse Sefira (EUA), Agaures (MG), Valhalla (DF) e Avec Tristesse (RJ). Como definem essas duas apresentações?
Spok: Foram excelentes apresentações. Nós ficamos muito satisfeitos e honrados pela oportunidade de tocar ao lado de grandes ídolos.

No mesmo ano, vocês assinaram contrato com a gravadora Tumba Records e no ano seguinte iriam lançar um debut álbum pela mesma. Porque vocês não deram continuidade no projeto?
Spok: Infelizmente, como acontecem em muitas bandas, tivemos problemas de afinidades entre alguns membros por divergências de opinião, o que resultou na falta de continuidade dos projetos.

Qual motivo para o recesso do grupo?
Spok: Sem afinidades e sem o grupo em total acordo, percebemos que seria necessária uma pausa nas atividades.

Recentemente, vocês se reuniram para ativar novamente a banda. Dessa vez, com nova formação e com materiais sendo divulgados aos poucos no YouTube. Sobre a “nova cara” da banda, o que podemos esperar?
Spok: Hoje, trabalhamos com um Death/Black metal mais maduro, seguro e ‘’sem firulas’’.

Quais são os novos projetos do grupo?
Spok: A princípio, decidimos refazer a primeira demo, pois são músicas muito boas e que mereciam ser regravadas com mais ‘’maturidade musical’’. Também estamos trabalhando na composição de outros trabalhos, com a intenção de divulgar a banda e lançar álbum novo com músicas inéditas, ainda este ano.

Formação Atual.
Spok (Guitarra e Vocal)
Adinan (Bateria)
Henrique (Guitarra)
Geison (Baixo)

Plataformas Virtuais.

Um recado para quem nos acompanha.
Spok: A todos os metaleiros: que apoiem a cena underground, consumam materiais, compareçam aos shows e ouçam Malice Garden!



quarta-feira, 27 de março de 2019

Hillbilly Rawhide: O Country Rock enraizado na cultura paranaense

A banda Hillbilly Rawhide foi criada em 2003 na cidade de Curitiba- PR e carrega em sua bagagem diversos álbuns, videoclipes e histórias para contar.  Recentemente, os músicos se apresentaram no 13° Otacílio Rock Festival.

O vocalista e guitarrista Mutant Cox nos concedeu uma entrevista sobre a trajetória, experiência, cenário e novos projetos.

Foto 1: Facebook da Banda
 Primeiramente, agradeço pela disponibilidade pela entrevista. Vocês estão na estrada há 16 anos e carregam consigo a posição de banda precursora do Country Rock no Brasil. Como vocês avaliam o crescimento durante esse período?
Mutant Cox: Nós é que agradecemos pelo espaço! Sim, acho que pode se dizer que fomos os primeiros a fazer essa mistura do Country com Rock n Roll no Brasil, dessa forma como fazemos.

Começamos de uma maneira bem crua, na raça, tocando basicamente versões de Country Music, Psychobilly, Rock n Roll e fomos desenvolvendo aos poucos o estilo da banda e cada um no seu instrumento. E o que mais ajudou realmente foi a estrada, a constância de shows que sempre fizemos muito desde o começo da banda, sempre viajamos muito e tocamos fixo toda semana por uns 15 anos em Curitiba. Então, isso acho que é a melhor forma de firmar uma banda, entrosamento e tudo mais!

Sobre o estilo em questão, quais foram as principais dificuldades que vocês tiveram para expandir o Country Rock no país?
Mutant Cox: Dificuldade maior para nós, talvez seja um pouco de preconceito que algumas pessoas tenham pelo fato de tocarmos de chapéu, ou de sermos muito pesados... aquela história, muito Country para ser Rock, ou muito Rock pra ser Country! (risos)

Mas no fundo mesmo para mim, acho que isso não importa. Geralmente, as pessoas gostam da gente por se sentirem bem com nossa música ou se identificarem, independente de estilo, ou não, no caso tem várias pessoas que apreciam e vivem especialmente o nosso estilo de vida ou algo parecido. E isso também é muito legal! Mas respeitamos a todos, e sempre tivemos em vários tipos de ambientes, cena, etc.

Isso sempre fez parte de nossa história, a diversidade. E quanto ao estilo acho até que conseguimos expandir bastante. Criamos uma certa leva de pessoas, de várias tribos e estilos, que segue a gente sempre que podem, e várias bandas também que começaram a tocar algo próximo ao nosso estilo pelo país todo. E isso é muito bacana. Ainda vamos tocar muito por esse país também!

No Paraná, há uma espécie de Nashville brasileira. Bandas como vocês, Old Them Crap, Fabulous Bandits e Tiregrito são alguns nomes que surgiram com o estilo em comum. Há algum contato entre vocês e parceria?
Mutant Cox: Há sim, claro! Conhecemos todos eles. E tocamos junto várias das vezes que vamos tocar pela região deles e vice-versa. Sempre nos encontramos por essas estradas da vida! O Eduardo Ribeiro inclusive, que é do Them Old Crap, está tocando banjo e violão com a gente há mais de um ano. E já recrutou nosso baixista Osmar Cavera para tocar com eles também!

O primeiro material “High On The Road” divulgado em 2005 marcou o início do grupo com composições autorais difundidas. O que esse trabalho trouxe para a continuidade do projeto?
Mutant Cox: Esse é nosso primeiro lançamento, o famoso EP da latinha. Pois fazíamos as cópias numa forma bem caseira e cada um vinha numa latinha de ferro verde, com alguns brindes dentro dela, além do CD é claro, que sempre vinha adesivado como se fosse um vinil.

E contém nele, a faixa título "High on the Road", nossa primeira música autoral com letra (pois a instrumental "Fugindo com a Pacoteira" foi nossa primeira música própria), uma versão para o clássico de George Jones "White Lightning".

Essa canção foi a nossa primeira gravação, que entrou na época também num tributo que saiu na Alemanha ao Frantic Flintstones, banda inglesa de Psychobilly dos anos 80. Inclusive poucos anos depois, toquei baixo acústico com eles por alguns anos e o último com parte do Hillbilly Rawhide na formação, chegamos até a gravar um álbum com essa formação aqui em Curitiba e lançar em uma turnê na Europa.

E esse primeiro lançamento foi o impulso e também início de trabalhos de gravação e mixagem do nosso primeiro full album!

Em 2007, fora lançado o álbum “Ramblin' Primitive Outlaws”, o qual misturavam canções em português e inglês com tons humorísticos do cotidiano. Qual a experiência de ter em seu primeiro registro a difusão de um selo alemão?
Mutant Cox: Esse disco foi fundamental na nossa história! Pois estávamos já tocando com a banda a uns 3 anos e ainda não tínhamos um álbum. Também não tínhamos tantas músicas próprias, por isso até que ele além de misturar português com inglês, também mistura próprias e versões, como Johnny Cash, George Jones, Tall Boys, ou a clássica Rawhide! E foi lançado antes na Alemanha pelo selo de Psychobilly e Rockabilly: Crazy Love Records.

E pouco tempo depois no Brasil pela Funeral Music, que era na época o selo do Vladimir Urban, meu parceiraço de mais de 20 anos em outras duas bandas minhas, Os Catalépticos e Sick Sick Sinners! Lançamos em um show histórico no Psycho Carnival na época. Festival que acabamos de completar 20 anos todo carnaval em Curitiba! Ele também é organizado pelo Vladimir junto com o batera do Sick Sick Sinners, o Neri (Orleone Recz). Que também lançou nosso segundo lançamento, o EP "F.N.M.", o famoso "fenemê", que contém talvez nosso maior clássico, "O Enxofre e a Cachaça"!

Um dos maiores sucessos do grupo, “O Enxofre e a Cachaça” foi lançado em 2008 no Ep “FNM”. A música rapidamente ganhou notoriedade e levou grupo a ser reconhecido em todo o país. Como foi o procedimento de criação da mesma?
Mutant Cox: Essa música foi composta na verdade por outro parceiraço meu e da banda por toda nossa história também, o Ademir Tortato, vocalista e compositor do grande Ovos Presley, banda lendária do Psychobilly curitibano.


E eu na verdade ajudei ele com uma coisa ou outra só para finalizar a música. E assim que tocamos no primeiro ensaio dela, já saiu do jeito que ela é! E desde então sempre foi uma das músicas mais fortes e mais pedidas nos nossos shows, já era um 'clássico' desde o começo!

Depois disso, fora divulgado o álbum “Lost And Found” que trouxe à tona outro hit dos paranaenses, “Cavaleiros da Morte”, música que enfatiza histórias do estado do Paraná e sua cultura em geral. A inspiração para elaboração dela e de outras canções com a mesma temática partem de qual pressuposto?
Mutant Cox: O "Lost and Found" foi lançado numa época em que estávamos a algum tempo sem lançar algo novo, mas tínhamos algumas músicas e repertório novo para gravar, então fizemos uma gravação ao vivo em parceria com o estúdio Audio Ataque em Curitiba.


E contém também a primeira gravação de outro 'clássico' nosso, "Cavaleiros da Morte". Que é inspirada na história do Cerco da Lapa, uma guerra que aconteceu por aqui na região dos Campos Gerais no final dos anos de 1.800. E foi uma guerra muito sangrenta, que poucos sabem da história no resto do país. Achamos um tema muito forte também e importante de relembrar. Então nosso violinista Mark Cleverson veio com a ideia e a composição dessa música.

De 2012 para cá, três novos discos e algumas músicas inéditas, além da menção honrosa para o videoclipe de “O Enxofre e a Cachaça”. Isso proporcionou uma rápida ascensão ao patamar de ser um dos grupos mais respeitados do PR. Como foi a sensação de tocar pela primeira vez no Otacílio Rock Festival?
Mutant Cox: Exatamente, depois de tudo que lançamos, lugares que tocamos depois disso, a banda só ganhou mais respeito, e acho que merecido, pois a gente batalha demais! Estamos sempre tocando, viajando e lançando nosso material aonde podemos! Acho muito importante o reconhecimento e respeito que estamos tendo! Só nos dá mais força e inspiração pra seguir em frente e fazer muito mais!

E tocar no Otacílio Rock Festival foi como mais uma dessas etapas, desses passos que damos, pois era um festival que já conhecíamos pelo nome, primeiro porque sei que algumas outras bandas de Curitiba já tocaram antes e porque também somos fãs do bom e velho Metal! Então para nós foi além de um prazer, uma grande honra fazer parte de um festival basicamente de Metal! Nos sentimos em casa também!

Quais os novos projetos da banda.
Mutant Cox: A meta no momento é continuar divulgando nosso sétimo álbum "My name is Rattlesnake" por onde pudermos! E temos tocado bastante, muitos lugares pelo país afora, e agora em julho e agosto desse ano estaremos lançando ele numa turnê na Europa, passando por quase 10 países, começando no festival Psychobilly Meeting.

Foto 2: Facebook da banda
Um dos maiores festivais de Psychobilly que acontece todo ano no litoral espanhol, próximo à Barcelona. E nessa edição tocaremos numa noite especial 'brasileira' em homenagem aos 20 anos do Psycho Carnival! Inclusive eu também estarei tocando na mesma noite com minhas outras duas bandas, Sick Sick Sinners e Os Catalépticos, junto também com nossos comparsas do Mullet Monster Mafia, de Piracicaba/SP, que também estarão em turnê pela Europa na mesma época! Também pretendemos expandir mais as turnês!

Formação Atual.
Mutant Cox: Hoje contamos com Juliano Cocktail na bateria, Eduardo Ribeiro no banjo, violão e voz, e o mesmo trio base que originou o Hillbilly Rawhide final de 2002, Osmar Cavera no baixo acústico, Mark Cleverson no violino, e eu Ricardo "Mutant Cox" Huczok na voz, guitarra e violão.

Plataformas Virtuais:
Mutant Cox:                                                                        

Contato para shows pode ser com Orleone Recz no Facebook ou pelo email: sentaaporva@gmail.com. Ou com nossos contatos mesmo.

Um recado para quem nos acompanha.
Mutant Cox: Muito obrigado a todos da Urussanga Rock Music e do Otacílio Rock Festival! Principalmente por manter a cena viva! Longa vida e espero poder voltar tanto com o Hillbilly Rawhide como também com minhas outras bandas! Será sempre uma honra!


domingo, 10 de março de 2019

Os Neurolépticos: O Punk Rock de Nova Veneza- SC continua vivo

Criada em 2014, Os Neurolépticos é um dos maiores nomes do Punk Rock do sul catarinense. Os músicos trazem consigo letras com temáticas regadas a álcool, cotidiano e vivência, além de trazer uma mescla com o Rock n Roll. Confiram a entrevista abaixo:

Foto 1: Facebook da Banda. 

Primeiramente, agradecemos a disponibilidade pela entrevista. Como foi o processo de criação da banda Os Neurolépticos?

R: A banda surgiu em 2014, sempre com os mesmos músicos, porém com vários vocalistas ao longo do tempo. A partir de meados de 2015 o João Ronconi assumiu os vocais e a formação segue a mesma desde então.

Quais são as maiores influências musicais para o grupo?
R: Ramones, Sex Pistols, Replicantes, Garotos Podres e similares.

Vocês têm muitas músicas autorais, tais como “Dependência”, “Cachaça”, “Encarnação”, “Porcão”, “Pulo do Gato” e “Periferia”. Essas canções estão em algum material? E há outras novas que já reproduzem nos shows?
R: Apesar de já termos quatro músicas gravadas, não existe ainda um álbum organizado. Várias outras músicas autorais dos Neurolépticos fazem parte dos shows, e estas ainda precisam ser gravadas.

A cena de Nova Veneza- SC tem nomes como Trypanossoma Cruzi, Vira Latas, Ventríloquos, entre outras bandas. Como que se desenvolve o cenário na região? Há parceria entre as bandas?
R: Nova Veneza sempre foi uma cidade muito “musical”, por conta principalmente da tradição italiana. Não existe um estudo, mas acredito que seja o município com o maior número de bandas “per capita” da região. Existe parceria, com festivais e apresentações conjuntas em diversos ambientes de Nova Veneza e outras cidades.

Quais os principais festivais e eventos que se apresentaram.
R: Diversos eventos no Bar do Galo, Texugo’s Pub, Maverick Bikers Pub, Poço do Caixão, Festa da Gastronomia de Nova Veneza e outros.

Os novos projetos do grupo.
R: Gravar mais músicas!
  
O porquê do nome Os Neurolépticos?
R: Muitas das músicas autorais têm temática introspectiva, geralmente retratando indivíduos com conflitos mentais, psicológicos e sociais. Os remédios usados no tratamento desse tipo de doença chamam-se psicotrópicos ou –Neurolépticos–. “O remédio para a cabeça” é um nome sugerido para o nosso primeiro álbum.

Plataformas Virtuais.


Formação Atual:
R: Eduardo (Tabaco) [Bateria]
Everaldo (Vera) [Baixo]
André (Paçoca) [Guitarra]
João (Cabelo) [Vocal]

Um recado para quem nos acompanha.
R: Um abraço, e muita cachaça!


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Brutal Morticínio: "O elitismo, o conservadorismo e o machismo são insustentáveis no Metal"

A Urussanga Rock Music trouxe à mesa de entrevistas, a Brutal Morticínio de Novo Hamburgo- RS, para debater assuntos concomitantemente relevantes sobre o cenário musical brasileiro: a ascensão do neofascismo e do Cristianismo no Underground.

Foto 1: Facebook da Banda

 Primeiramente, obrigado por nos conceder essa entrevista. Hoje a Brutal Morticínio consequentemente é tida como uma das maiores bandas Underground do Sul do país. Nesses 12 anos de estrada, qual a visão do grupo em relação a essa trajetória?

Matheus: Primeiramente gostaríamos de agradecer por esta oportunidade. A banda teve início em 2006. Teve como ponto inicial fazer um som ríspido, voltado para a velha escola do metal negro, com músicas que versassem sobre a nossa cultura e os ideais de resistência próprios do povo latino americano. Desde o início tivemos o propósito de elaborar esta vertente do Pagan Black Metal com uma temática indigenista e voltada para a defesa dos povos que nativos da América. Desde o surgimento da banda até agora, podemos perceber a modificação do underground. Ainda que tímida acredito que boa parte das pessoas que está inserida neste meio tornou-se mais consciente de seu papel e do próprio papel da cultura de resistência que é o underground. Apesar de ser ainda apenas uns passos iniciais neste sentido, acredito que pudemos dar a nossa parcela de contribuição, o que nos deixa muito realizadas, uma vez que é um dos objetivos da própria existência da banda.

Christian: Agradecemos o espaço. Não cheguei a fazer parte do início da banda, mas sempre achei muito interessante a proposta. Quando ouvi o primeiro disco pela primeira vez achei muito foda. Pensei: deveriam existira mais bandas como essa. Hoje vejo como a banda teve um reconhecimento positivo nesses anos de trabalho e luta pelo e no Underground e me sinto honrado em fazer parte disso.

Na banda já passaram diversos integrantes e constantes modificações entre os mesmos. O que essas mudanças influenciaram no resultado atual?

Matheus: Acredito que o ideal para uma banda é ter os seus integrantes estabilizados. Nem sempre isso é possível. Acredito que a maioria dos músicos que tocou conosco deu sua parcela de contribuição. Prezamos principalmente pela ideologia e seu comprometimento com a banda e o underground, antes de suas ditas qualidades como “músico”. Creio que cada um dá sua parcela de contribuição e acaba deixando a sua marca na banda. 

Christian: Acho que todos, exceto um, têm sua contribuição de uma forma ou de outra. Manter uma formação as vezes não é uma tarefa muito fácil, uma vez que tem vários fatores que podem dificultar, como trabalho por exemplo. Mas para nós o mais importante é o comprometimento. Outro fator importante é ser compatível com a ideologia da banda. Recentemente cometemos um erro de contar com alguém que conhecíamos pouco sobre, e que depois acabou se mostrando de verdade. Tomamos a providencia na mesma hora.

O primeiro full length “Despertar dos Chacais... O Outono dos Povos” explicitou (assim como a demo lançada anteriormente) a pluralidade temática que remete assuntos como a podridão humana, a morte e a hipocrisia religiosa. Como foi o procedimento de desenvolvimento do álbum?

Matheus: A história da construção do álbum está meio na gênese da banda. Uma vez que ela se origina para tocar esses sons e tentar resgatar algo de old school que havia se perdido em parte naquele momento. Além de abordar uma temática diferenciada, uma vez que era muito comum na época bandas brasileiras versando sobre mitologia nórdica e outras abordagens de um distanciamento com um diálogo mais real com nossa história e com nossas vivencias. Desde o início tivemos o propósito de divulgar um som com ideais e sonoridade fora dos padrões impostos pela sociedade, que muitas vezes acabam minando o próprio Underground.

A banda tem também como propósito, construir uma contraofensiva a todo o conservadorismo impregnado no Metal. Isto está apenas no começo e por isso as bandas precursoras sofrem um pouco mais, mas acredito que este pensamento cristão/ capitalista, tem seus dias contados dentro do Metal Extremo. A receptividade de início da mídia chamada de especializada foi bastante fria, pois há uma preferência clara destes órgãos maiores de divulgação por certas hordas que estão mais na “moda” ou pelos velhos medalhões e sem dúvida alguma, para as bandas da Europa. No entanto, a receptividade dos reais guerreiros foi muito boa e interessante. Passamos a estabelecer muitos contatos com guerreiros de todas as regiões do Brasil, trocando ideias e materiais, um saldo para mim muito positivo.

Foto 2: Metal Archives
Christian: Não participei no desenvolvimento desse trabalho, mas gostaria muito de ter feito parte. É um disco espetacular. Acredito que retrata bem a banda quanto a ideologia.

O último trabalho que vocês difundiram se chama “Obsessores Espíritos das Florestas Austrais” e lá inclui um trabalho digno de ser um estudo antropológico. Os povos ameríndios, os nativos e a cristianização são expostos de maneira direta e crua. Hoje quatro anos depois, pensando nesses povos, ainda há grande resquícios dessa “europeização” do latino-americano?

Brutal Morticínio: A proposta da banda sempre foi ter este viés de reconhecimento e de valorização dos povos ameríndios. Do Brasil, mas como um todo. Acho muito importante termos este reconhecimento histórico. A resistência destes povos assim como das populações negras, foi durante um bom tempo relegadas a um segundo plano na cultura do Metal Underground, o que acabou por acarretar um terreno fértil para manifestações elitistas e racistas. Na minha opinião, são a própria antítese do movimento.

Foto 3: Metal Archives
O Brutal Morticínio propõe além de fazer a valorização dos povos nativos e a assim dita história dos esquecidos, mas também tentamos estabelecer um diálogo com a resistência atual principalmente destes povos, mas dialogar com a resistência e a colaboração mútua que existe por exemplo nos movimentos sociais. No meu ponto de vista é desta forma que conseguiremos vencer a europeização e a cristianização, que no final das contas é um amálgama para o sistema capitalista fazer a sua exploração de maneira velada. Deixá-lo mais explícito, deixar que ele mostre sua cara mais cruel também é papel na resistência dos povos nativos e também do próprio Underground.

Há um coletivo denominado MRU (Movimento de Resistência Underground) e lá são debatidas ideias sobre o fascismo, o conservadorismo e a ascensão da extrema direita no underground. Recentemente pegando o gancho, vocês se posicionaram contra um candidato intolerante da escória cristã. Como foi a receptividade perante ao público sobre tal ato?

Matheus: Acredito que a criação e a aglutinação de pessoas com um pensamento mais crítico em grupos como o MRU e o RABM são altamente positivos, e também o resultado de um amadurecimento do próprio metal underground, que passa a não analisar as coisas apenas de maneira dogmática, estabelecendo a música e a atitude com uma relação em pé de igualdade. Cada vez que a atitude é posta em discussão, o conservadorismo, elitismo, machismo e outras coisas babacas que estavam inseridas no Metal Underground, elas ficam cada vez mais insustentáveis.

As eleições deste ano (2018) escancararam uma série de valores que haviam sido domesticados nos anos pós ditadura. Saíram do armário uma série de preconceitos que pareciam não existir mais. Isso se reflete diretamente entre os apreciadores de Metal Extremo.

Christian: Sobre o ato, recebemos uma onda de ataques no início, como fizeram com todos que se pronunciaram contra durante as eleições. Alguns xingamentos até eram engraçados de ler. A página até passou a ter mais seguidores verdadeiros enquanto que os seguidores do tal candidato foram saindo junto com o ataque em massa.

Em entrevista ao Whiplash, vocês puderam exprimir um pouco de seus pensamentos sobre o nazismo. Atualmente no Sul do país, há um número alarmante sobre tendências do tipo. Inclusive recentemente houve um caso no underground gaúcho envolvendo essa prática. Na opinião de vocês, porque esse número é tão alarmante visto que nossa região foi berço de grandes políticos como Brizola e João Goulart?

Matheus: Acredito que por ser uma região de colonização alemã e italiana misturada com uma tremenda falta de acesso à cultura e educação faça-se essa relação bastante tosca. Por algum motivo ilógico, acreditam que a cultura alemã ou italiana é superiora. Sustentam isso no pretenso desenvolvimento do Sul do pais em detrimento do restante, principalmente Norte e Nordeste. Não há a tentativa mínima de compreender os aspectos econômicos, históricos e políticos que levaram a esse diferente desenvolvimento. Apenas de uma maneira ridícula apontam para a questão racial.

Sem dúvida, Brizola tem um importante papel na luta contra os militares na campanha da legalidade ocorrida aqui em Porto Alegre nos anos 60, além disso, o sul do Brasil tem uma larga tradição do movimento operário, desde os grupos anarquistas do início do século XX, passando por Luis Carlos Prestes, a organização do Fórum Social Mundial e o orçamento participativo mais recentemente. Experiências concretas da luta dos trabalhadores. Os próprios imigrantes alemães e italianos, além dos espanhóis carregaram para o Brasil a experiência da luta operária e de sua organização. É uma pena e um grande atraso que a população aqui do Sul ultimamente pense de uma maneira muito mais conservadora do que, por exemplo, no final do século passado.

Mais preocupante ainda, é ver a cena do underground concordando com o pensamento ultraconservador e caindo nas ciladas da grande mídia e se achando “cult” por disseminar os mesmos preconceitos seculares do país. É foda, mas tem momentos em que o pensamento do pastor e do “banger” do NSBM são exatamente a mesma!

Presenciamos neste último momento de eleições gerais que os radicais de direita saíram do armário. O que temos visto aqui no Sul é que de toda essa marra e discursos de violência rumou para a tendência oposta. Por suas posturas eles escolheram ficar escondidos em casa e não participam dos eventos. Na prática foi bom para o underground, pois vimos quem é quem, e pudemos presenciar toda a postura preconceituosa e covarde dos militantes da direita.

Christian: Cara, realmente não sei até onde a colonização tem relação a isso, ou a "Europa" no Brasil, mas acho que tem mais relação com a ignorância cultural e política mesmo. Esses nomes que foram dados como exemplo na questão, muitos não vão saber quem são. Outros vão lembrar do nome, pois já ouviram falar em algum lugar.  Quanto a essa banda, fiquei sabendo e é revoltante ver que no meio tem gente do tipo. Assim como tanta gente apoiando Bolsonaro.

Em setembro, fizemos a cobertura do River Rock Festival e lá se apresentou uma banda chamada Turba Iracunda, os músicos originários da Argentina trouxeram o antifascismo tradicional da América do Sul para o fest. Para vocês, porque há ainda uma barreira muito grande de difusão do Metal latino em nosso país?

Matheus: Acho bastante interessante e também bem complicada esta coisa. Muitos países produzem muito e tem uma cena relativamente grande. Infelizmente pouca coisa de bandas latinas ou de outros lugares que não seja a Europa ou os EUA nos chegam. Os países latinos como o México ou o Equador produzem muito e muita coisa de qualidade, mas pouquíssimo acesso temos. Nós erramos. Nos acostumamos nesse papel passivo de apenas receber da Europa, num comportamento bem bizarro que na prática reproduz o mainstream.

Com o advento das tecnologias de compartilhamento deveríamos ter um papel muito mais ativo e realmente de underground e de grande resistência ao chamado “mercado fonográfico” que mesmo entre nós opera de forma violenta, valorizando os artistas, sobretudo europeus, e necessariamente não acho que ficamos devemos em nada para eles.

Christian: Sinceramente, acredito que muitos não conhecem ou não sabem sequer sobre a própria cena local, imagine de fora. Os países vizinhos estão com muitas bandas boas e uma cena bem interessante, mas só ouvimos falar de bandas dos EUA ou da Europa. E até acho que de certa forma tentam nos fazer "engolir" isso.

Em relação aos novos projetos, o que podemos esperar nos próximos meses?

Matheus: Estamos lançando o nosso terceiro álbum “An Indigenous War Black Metal Front”. Primeiramente o álbum será divulgado apenas pelo YouTube pela Dragon Distro & Productions com o apoio da Balrog Records e dos portais RABM e MRU. Até o início do ano de 2019, o álbum também estará em outras plataformas exclusivamente digitais. Entre março e abril de 2019 o lançamento do álbum em formato tape será realizado pela gravadora Balrogh Records. O álbum “An Indigenous War Black Metal Front” foi mixado e masterizado por Roger Fingle no estúdio Nitro em Caxias do Sul (Rio Grande do Sul). Roger Fingle também produziu o segundo álbum da Brutal Morticínio intitulado “Obsessores Espíritos das Florestas Austrais”.

Ele também será, como os demais, um álbum conceitual cantado predominantemente em português onde são abordadas questões como o massacre e a luta de povos indígenas no processo de colonização e também a sua resistência nos dias atuais.

Foto 4: Metal Archives
Christian: Estamos perto de lançar o novo trabalho. Primeiramente vai ser lançado virtual e no ano que vem vai sair o material físico. Esperamos fazer shows pelo Brasil.

Formação Atual.

Brutal Morticínio: A banda passou por inúmeras mudanças no seu line up, mas atualmente conta com: Tormento (Baixo e Vocal), Chris Podreira (Guitarra) e Inglorion (Bateria).

Plataformas Virtuais.

Um recado para quem nos acompanha.

Brutal Morticínio: Gostaria de agradecer ao espaço concedido ao Brutal Morticínio e gostaria de convidar a todos os leitores para acompanhar o nosso som através de nossas mídias e também convidar a todos os reais guerreiros do underground a firmarmos uma parceria como um fim de uma ajuda mútua para a construção de uma cena mais comprometida com os reais valores do underground.


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