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quarta-feira, 29 de maio de 2019

HellCat Empire: O Hardcore libertário se destaca no cenário underground

A banda Hellcat Empire formou-se na cidade de Itapira, interior de SP, terra do primeiro capitão campeão mundial pelo Brasil, o saudoso Beliini. Em meados de 2017, juntando integrantes que já passaram por bandas como Take Me Back, Julgamento, Burlesque Playhouse, Coraziones Venenosos, decidiram formar uma banda com influência de Punk 77, Street Punk e West Cost Hardcore. 

Foto 1: Facebook da Banda
Sua formação consta com Mauro (Guitarra e Voz), Alemão Pompeu (Guitarra e Voz), Rude (Bateria) e Cristiano Minhoca (Baixo e Backing Vocal). Resolvemos bater um papo com estes gatos do inferno para o portal Urussanga Rock.

Primeiramente nos fale como está a banda hoje, como foi a repercussão dos dois singles virtuais lançados por vocês nesse tempo e o que há de novo para o futuro dos gatos?
Hellcat Empire: Estamos ensaiando periodicamente e também compondo novas músicas. A repercussão dos dois singles foi muito positiva, temos a expectativa de lançar mais alguns singles, ou talvez um álbum neste ano.

A banda sonoramente tem uma pegada muito boa, transitando entre o Street Punk, Punk 77 e no que chamamos de West Coast Hardcore e até notamos uma inspiração da Pat Smith, visto na frase da música “Together In The Streets”. Nos fale, quais bandas influenciam vocês dentro do Hardcore Punk e também fora dele. Vocês acreditam que também ter e mostrar influencias fora do Hardcore Punk se torna algo mais produtivo e positivo para vocês?
Hellcat Empire: É complicado apontar uma banda ou outra que possa ter uma influência significativa naquilo que compomos. Neste sentido, até mesmo em nosso release optamos por não sermos objetivos - de forma geral, o que influencia a nossa sonoridade é o Punk Rock!  Nada mais fora deste contexto.


Foto 2: Facebook da Banda
 Há uma significativa crítica social e política em suas letras, principalmente dentro do contexto em que nosso país vem passando desde 2016, onde se intensificou mais uma cultura de ódio, neofascismo, e um trabalho intenso para desqualificar os direitos sociais, e também trouxe à tona a sombra do totalitarismo que o pais viveu em 1964.  Enfim, um presidente que representa esse ideal foi eleito e está no poder, junto com seus políticos, os porta vozes de tudo isso que vem acontecendo.  Na música “The Raven” vocês cantam sobre esse problema, sobre o vírus fascista estar emergindo com força, mas parece que as pessoas não compreenderam essa situação. Qual a visão de vocês hoje em 2019 sobre isso?
HellCat Empire: A cadela do fascismo está sempre no cio, não esqueçamos disso. Não é uma situação que vem do agora... subestimamos o então candidato a presidente pela sua imbecilidade e olha onde estamos hoje. Nossa proposta é o combate no dia-a-dia e também através das nossas músicas, que não tem razão de existir se não for para bater de frente com tudo isso.

Por falar em conservadorismo e fascismo, Itapira é uma cidade onde 80 % dos votos foram para o atual presidente. Nos fale como é ter uma banda de Rock e consequentemente de Hardcore Punk nessa cidade? Como é viver dentro de uma sociedade que já tem um histórico racista, conservador que ultrapassa séculos, e como se comportam os “rockers” em Itapira, se põem-se como contestadores dessa realidade?
Hellcat Empire: Não necessariamente em nossa cidade, ter uma banda Punk, que traz consigo o viés contestador, de certa forma incomoda algumas pessoas. Para gente é se sentir vivo, estar um pouco mais ativo por tudo aquilo em que acreditamos. Viver no Brasil é uma luta diária contra tudo que você citou e tantas outras coisas podres e doentias que estão aí. As pessoas que de certa forma estão inseridas em uma cena, no caso a nossa, e não compreendem tudo que está por trás da música, lamentamos. Entristece e também causa revolta, é o que sentimos. Mas não cabe a nós e nem a ninguém fazer juízo de valor - e isso não significa passar pano para quem quer que seja.


Foto 3: Facebook da Banda
Voltando a falar da banda, ouvindo a música de vocês assim como nos shows há uma energia incrível, e uma química fantástica de entrosamento, as alternâncias dos vocais ficaram perfeitas, assim como os singalongs e os instrumentais. Como se dá o processo de composição e de onde vem tanta energia contagiante que vocês colocam em suas músicas?
HellCat Empire: Nos conhecemos há bastante tempo, temos uma ligação muito forte que vai além da música e do ambiente em que ela está inserida. Devido a isso as composições surgem naturalmente no decorrer dos ensaios, onde cada um traz a sua experiência e as músicas vão acontecendo

Muito tem mudado em relação ao underground vivido por exemplo na década de 90 e na atual. Sei que vocês passaram por algumas dessas décadas, vivenciaram essa modificação tecnológica e virtual que acaba atingindo o cenário. Plataformas virtuais, blogs, vídeos, vocês acham que isso de alguma forma tem atrapalhado ou ajudado às bandas? E assim, ainda é possível manter formatos de divulgação mais analógica como vinil e CD ou produzir fanzines impressos? Também gostaria da opinião de vocês sobre os eventos nos dias atuais, visto que há uma certa escassez de público, o que vocês acham que influencia esse fenômeno?
 HellCat Empire: Todo mundo hoje em dia tem acesso às diversas bandas e músicas da cena, acreditamos que este fato tem ajudado bastante. Temos que nos adaptar a tecnologia né, rs. Podemos dizer que somos até saudosistas em relação aos formatos mais analógicos, como o vinil e os impressos. Muito disso se deve a qualidade que se obtém nos discos, é incomparável. É possível manter estes formatos de divulgação, mas não apenas eles, infelizmente. Sobre escassez de público, é que hoje em dia a galera escuta outras coisas, principalmente os mais jovens, é um outro momento e precisamos entender isso. Mas a cena está aí, ela continua acontecendo e precisamos cada vez mais apoiar, frequentar os shows e produzir.

Bom meus amigos, agradeço muito ao tempo cedido para o blog Urussanga Rock, e fica um espaço final para dizerem algo mais as pessoas que acompanham o blog.
HellCat Empire:  “All together, all together, we are one, we are one! AlI together, all together, we will never walk alone!!! (Música Free – e adoro esse som).

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

1° Resistência Underground Fest: O Extermínio do Fascismo

Que a cadela do fascismo está sempre no cio, não restam dúvidas. E o que poderia acontecer nessa ascensão desse conservadorismo?



No interior de São Paulo, Fabio Luiz Montanari (Nuna Fanzine) resolveu criar algo que pudesse ir contra essa onda neofascista atuante. Como já está presente no M.R.U (Movimento de Resistência Underground) o produtor conhece bem o cenário independente do Metal brasileiro.

E não há lugar melhor para a escolha do local, como o município de Itapira- SP, cidade berço de grandes festivais, renomados eventos e de uma cena unida. Lá já se apresentaram bandas nacionais e internacionais, inclusive com contingente grande de público, sendo um dos mais lembrados, um show com quase 800 pessoas.

A interação camping, natureza, fazenda traz um âmago singular e identitário para o fest visto que o mesmo localiza-se na divisa de Itapira com Mogi-Guaçu- SP.

Outro fator a ser destacado é a pluralidade de estilos e a abrangência de ritmos, fugindo da segregação musical. O espaço geográfico também é bem descentralizado já que agrega bandas de outros estados, como Minas Gerais. A escolha dos grupos se deu baseado no MRU com três bandas do coletivo e metade de fora, todavia com a mesma chama antifascista.

A Cracked Skull realmente racha a “cuca” dos metalheads, os mineiros oriundos de Itaúna- MG fazem um som com muitas referências de Death Metal, com destaque para álbum “Social Disruption” resenhado pela Urussanga Rock Music. Também mineira, a Deadliness é um grande nome do Metal Brasileiro. O grupo possui quase trinta anos de estrada, nove demos e EPs além do full length “Guerreiros do Metal”.

A Vulture também é considerada um ícone do Death Metal nacional já que tem trabalhos muito bem elaborados, técnicos, concisos e que gradativamente se tornam parte do acervo musical dos amantes do estilo. Imagina rodar o disco “Test Of Fire” no possante ou o “Through The Eyes Of Vulture” com a ensurdecedora “Abençoado Seja O Homem Ateu”. Com essa época da ascensão do cristianismo na política, a música expressa a revolta da laicidade do Metal.

O “DIY” (Do It Yourself) estará presente no Grindcore/Punk/Crust da Ratas Rabiosas. A banda surgiu em 2013 com a ideia de algumas amigas que movidas contra o descontentamento e revolta em meio a atividade preconceituosa contra as minorias, resolveram criar um projeto para dar um basta nessas atrocidades. Elas têm como material lançado, o homônimo “Ratas Rabiosas” e a coletânea divulgada pela Utero Punk, “Mulheres em Perigo”.

Com o recente trabalho difundido, o EP “Hellcat Empire” da banda homônima foi muito marcante para os músicos. A banda, uma das pratas da casa, trabalha sua sonoridade através do Street Punk e West Coast Hardcore que é personificado através das suas músicas onde aborda o cotidiano, a intolerância e ódio na sociedade. Também advinda da região, a Wartheria aposta nas músicas cantadas em português, o que torna um diferencial em relação ao seu som. Este caracterizado através de um Thrash/Death Metal.

Os ingressos estão disponibilizados por apenas 15 reais (Com nome no mural do evento) e 20 reais na porta do mesmo. Então, além do preço acessível, da qualidade das bandas, da união antifascista e do camping diferenciado, o festival vai marcar uma nova época para o Metal, de resistência ante as garras do reacionarismo.


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