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domingo, 9 de dezembro de 2018

Mordeth: O misticismo por trás do disco "The Unknown Knows"

Nove anos se passaram desde o último EP divulgado, o “Robotic Dream”. A eminência do tradicional Death Metal, da antiga escola e dos anos 90 fez com que os músicos apostassem em novos aditivos para a composição, obviamente mantendo a velha chama habitual.

A Mordeth de Rio Claro- SP possui 30 anos de estrada e carrega consigo vários Eps, Demos, Live Álbuns e Full Length, com destaque para o Lux In Tenebris (1993) e o “Animicide” (2002). Em setembro desse ano, disponibilizado pela Heavy Metal Rock, os paulistas divulgaram o disco “The Unknown Knows”.



O álbum foi masterizado e mixado no Estúdio RG Produções e possui uma capa totalmente esotérica já lhe impondo um ar de indagação. “Será que estamos sozinhos no universo?”. A resposta pra isso pode assustar ou nos deixar um pouco desconfortável.

A faixa “The Unknown Knows” é voltada para o instrumental e introduz “Monolith”. Uma cadenciação de riffs e um estupor incessante faz os vocais chocarem-se com a atmosfera da canção que busca respostas. Será que estamos sozinhos? E o monólito que caiu ao norte, dará as respostas necessárias para nós humanos?

“The Gray Man” traduz analiticamente a personificação do “homem cinza”, a pessoa que se camufla frente às outras. No entanto, o grupo através de metáforas fez com que o homem ficasse à beira dos transtornos existenciais e comportamentais.  A sonoridade mantém um ritmo frenético, intenso e rápido, alternando em grandes trechos da música.

A quarta canção é “UVB-76” e possui 04:21 min. A mesma é uma estação de rádio de ondas curtas, o qual ninguém sabe quem opera ou seu real significado. Com códigos morse, nomes desconhecidos e tons agudos, a teoria de que ela possa ser utilizada a favor de forças extraterrestres ou de serviço secreto russo só aumenta. Com trechos dela, a música rapidamente se expande a uma celeridade descomunal que caracteriza um instrumental coeso e técnico.

“Blank Share” denuncia um problema. O ser humano está cada vez mais engessado e robotizado, ou seja, não se sabe mais diferenciar uma máquina de um homem. No entanto, há algumas lacunas a serem explicadas e o mesmo para obter isso trava uma batalha pelo ego.  Com a aparição vívida da guitarra, a faixa caminha a um ponto circunstancial simbolizada pela sintonia com a cada “baquetada” de Roge e pelo solo sólido no meio da canção.

A sexta faixa é “Beyond” que ingressa com uma sonoridade mais lenta e síncrona, onde abruptamente dá lugar a riffs agressivos e constantes. A mesma trata de um assunto um tanto quanto complexo, a mente humana e suas limitações. Durante seus 04:56 min, ela indaga sobre as fronteiras do subconsciente e sua forma de existência.

A última faixa do disco é “Wake-Up Machine”. Ela antecede a demo “Robotic Dreams” e possui cerca de 05: 39 min. Com uma atmosfera mórbida e melancólica, ela impulsiona um instrumental coeso, expressivo e lembrado pela construção de um clima harmônico à faixa. “Wake-up Solitary Thinker...” (Acorde pensador solitário), consequentemente a vida é muito mais misantrópica que o ser humano. As memórias se vão, os momentos serão esquecidos e tudo aquilo que foi construído será jogado às cinzas.

Com uma ideia de explanar as músicas do seu Ep “Robotic Dreams” divulgado em 2009, a banda deu a continuação do disco às canções do material produzido há nove anos atrás. O mesmo ressalta as ideias de robotização, sistematização humana, irracionalidade dos homens em busca do poder e sua autodestruição. Além de possuir um instrumental cru e ríspido mescla perfeitamente o tradicional Death Metal e o progressivo.

Formação Atual:
Vlad (Voz e Guitarra)
Wit (Baixo)
Roge (Bateria)

Plataformas Virtuais:
Facebook: https://www.facebook.com/Mordeth-113648398706716/
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC17PFD_mphc1Pq75yGwVYTw

Heavy Metal Rock: https://www.facebook.com/hmrock83/


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Motherwood: "Motherwood" (2017)

A Heavy Metal Rock nos disponibilizou mais um material para a elaboração da resenha e trata-se da obra prima “Motherwood” da banda de Atmospheric Black Metal homônima Motherwood de Americana –SP. O grupo é composto por apenas dois integrantes, Guilherme e Yuri, isso mesmo um duo que influenciados pela chama tradicional do Black Metal (nomes como Gorgoroth, Emperor, Corporate Death, Burzum, Katatonia, Desdominus, entre outros), transformaram os seus gostos musicais em um projeto peculiar.



O disco foi produzido de maneira independente pelos integrantes, Guilherme Malosso e Yuri Camargo além é claro de ser masterizado e mixado no Estúdio RG. A arte da capa foi elaborada por Pablo Ardito e o álbum possui sete músicas, dentre elas, “Sadness”, “Despair”, “Solitude”, “Coldness”, “Trauma”, “Faithlessness” e “Fear”.

A primeira faixa “Sadness” mostra-se como carro chefe dos músicos. Com o início bem cadenciado, ela aos poucos alterna e traz as características de um instrumental técnico e rápido. A sua letra exibe o desprendimento de crenças e o ápice à loucura ao expressar a morbidez da natureza existencial de um louco.

“Despair” já ingressa um caos, a sua sonoridade lembra um pouco Marduk e Dark Funeral devido a constante agressividade nos riffs e a solidez de cada nota. Em sua letra há uma exibição de toda a atmosfera sombria e do desespero, e da agonia. No meio da canção, o piano surge como algo fúnebre de transposição para o tormento.

Dessa vez, algo eu remeti essa canção "Solitude" aos clássicos Darkthrone e Nargaroth. Toda a estética da mesma carrega vocais rasgados, instrumental brutal e conciso e uma melodia totalmente herege. A composição ressalta o lado escuro existencial caracterizado pela melancolia, pelo clima soturno e por explanar abstrações adoradas pelas sombras. Realmente os 06:05min passam extremamente rápido e ao término quebra-se uma barreira.

Barreira essa desmontada, porque a parte final lenta da música anterior choca-se com a rispidez e celeridade de “Coldness”, que é outra música muito lembrada pela crítica. A sequência de riffs velozes, da bateria desenfreada e do baixo marcante expõe um verdadeiro colapso. A canção por sua vez em sua essência enfatiza lugares frígidos como a escuridão e as montanhas de gelo e todo o contexto histórico de guerra situado nessas regiões.

A quinta faixa é brutal, “Trauma” agrega traços crus do Black Metal, toda aquela chama áspera característica dos anos 90. O instrumental alterna em vários pontos e nota-se uma sintonia incomum entre os riffs e o vocal, além é claro da inclemente sonoridade reproduzida diante disso. A letra da canção é curta, porém direta, já que ela denota o “Oblitus Diaboli” (O Diabo Esquecido em latim).

A penúltima faixa denominada “Faithlessness”, se inicia com toda agressividade característica da banda, conciliada com uma atmosfera sombria. A música ganha destaque pelos vocais crus que clamam de forma agressiva ausência da fé.

Arrepiante? Assustadora? “Fear” é classificada da maneira mais obscura possível, em suas fagulhas iniciais, a mesma mostra uma sonoridade aterradora complementada a uma queda d’agua e barulhos insanos e repetitivos da natureza.

A banda é:
Guilherme Malosso (Vocal, Guitarra, Baixo e Bateria)
Yuri Camargo (Syntz, drums, ambience and chaos)

Plataformas Virtuais:


Heavy Metal Rock:

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Somberland: "Pest'Ology" (2017)

Após o lançamento do EP “Dark Silence Of Death” em 2016, a banda de Black Metal Somberland divulga seu primeiro álbum, intitulado “Pest’Ology”. Há dois anos na estrada, a banda já marcou presença em festivais como Otacílio Rock Festival e Frai'n Hell Rock Festival. O full-length, produzido, masterizado e mixado por Orland Junior possui nove faixas, as quais foram resenhadas individualmente pela Urussanga Rock Music!



A faixa de abertura do álbum é a que dá nome ao mesmo. Contando com uma introdução densa somada com os guturais de E. Nargoth, a homônima “Pest’Ology”Trata dos malefícios propagados pelos dogmas cristãos que contaminam a raça humana como uma espécie de praga que se alastra na Terra.

Seguindo a temática anticristã, a segunda faixa é intitulada “Here Has No Place For God” (Aqui Não Há Lugar Para Deus). A música traz à tona questionamentos sobre as ilusões vendidas pelas religiões, se opondo às doutrinações divinas. O instrumental conta com riffs cadenciosos que dão um tom característico a canção.

“Fallen Angel”, a terceira faixa, trata simbolicamente do retorno do “anjo caído” para que este possa conquistar o mundo. A sonoridade obscura prevalece na canção, que conta com uma premissa lenta, trazendo um tom fúnebre e sólido para faixa.

A quarta faixa do álbum, intitulada de “Forever Dark Wood”, descreve de forma poética o misticismo presente no cenário belo e sombrio da noite que envolve os bosques. Dessa forma, mescla de forma harmoniosa o conteúdo profundo com a sonoridade pesada e rítmica da faixa, a qual é um dos trabalhos mais reconhecidos da Somberland.

A quinta faixa “Dark Silence Of Death” é catastrófica, nela é possível remeter a muitas bandas europeias do final dos anos 90. O instrumental coeso, sólido e brutal toma corpo durante toda a composição enquanto a letra aborda as questões ligadas a hipocrisia religiosa e exibe o fim de maneira analítica, todo o lado escuro, gélido e negro da morte.

“Wrath Of The Tyrant” traz batalhas ao fronte da Somberland. E.Nargoth em seus vômitos blasfemos nos vocais transpassa berros rígidos roucos complementados aos riffs bem trabalhados e técnicos de DMortest. A canção exibe de uma forma explícita todo ódio e ira do tirano que atormenta os sonhos sangrentos de seus adversários.  

De uma melodia surreal, sonoridade incomum e gritos destrutivos, a “Into The Front”, música que esteve no último Ep e que ganhara um videoclipe, é a sétima faixa do disco. Há nela características em comum com o Marduk, toda a sequência de riffs e a composição que remete ao saldo trágico de uma guerra.

Conhecer a faixa “Sadistic Instincts Arise” e não se surpreender com seu início é impossível. O começo é bem plausível a obter questionamentos ao desenrolar da mesma já que possui uma sonoridade diferente com os vinte segundos de baquetadas de W.A.G. A partir daí o caos reina e os luxuriantes versos dela expõem uma atmosfera sádica que perambula nos sentimentos mais pútridos de cada um.


Baladinha? A última faixa “...When Future No Matter” é apenas mais cadenciada perante as outras. Nela o instrumental se encontra em profundas alternações já que se intensifica com os berros de E.Nargoth onde reproduz uma temática relacionada ao fim e ao significado da jornada depois de momentos subversivos e escuros remetidos a peste.  

Plataformas Virtuais:

Loja Virtual da Heavy Metal Rock: https://hmrock.com.br/

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