sábado, 8 de dezembro de 2018

Mordeth: O misticismo por trás do disco "The Unknown Knows"

Nove anos se passaram desde o último EP divulgado, o “Robotic Dream”. A eminência do tradicional Death Metal, da antiga escola e dos anos 90 fez com que os músicos apostassem em novos aditivos para a composição, obviamente mantendo a velha chama habitual.

A Mordeth de Rio Claro- SP possui 30 anos de estrada e carrega consigo vários Eps, Demos, Live Álbuns e Full Length, com destaque para o Lux In Tenebris (1993) e o “Animicide” (2002). Em setembro desse ano, disponibilizado pela Heavy Metal Rock, os paulistas divulgaram o disco “The Unknown Knows”.



O álbum foi masterizado e mixado no Estúdio RG Produções e possui uma capa totalmente esotérica já lhe impondo um ar de indagação. “Será que estamos sozinhos no universo?”. A resposta pra isso pode assustar ou nos deixar um pouco desconfortável.

A faixa “The Unknown Knows” é voltada para o instrumental e introduz “Monolith”. Uma cadenciação de riffs e um estupor incessante faz os vocais chocarem-se com a atmosfera da canção que busca respostas. Será que estamos sozinhos? E o monólito que caiu ao norte, dará as respostas necessárias para nós humanos?

“The Gray Man” traduz analiticamente a personificação do “homem cinza”, a pessoa que se camufla frente às outras. No entanto, o grupo através de metáforas fez com que o homem ficasse à beira dos transtornos existenciais e comportamentais.  A sonoridade mantém um ritmo frenético, intenso e rápido, alternando em grandes trechos da música.

A quarta canção é “UVB-76” e possui 04:21 min. A mesma é uma estação de rádio de ondas curtas, o qual ninguém sabe quem opera ou seu real significado. Com códigos morse, nomes desconhecidos e tons agudos, a teoria de que ela possa ser utilizada a favor de forças extraterrestres ou de serviço secreto russo só aumenta. Com trechos dela, a música rapidamente se expande a uma celeridade descomunal que caracteriza um instrumental coeso e técnico.

“Blank Share” denuncia um problema. O ser humano está cada vez mais engessado e robotizado, ou seja, não se sabe mais diferenciar uma máquina de um homem. No entanto, há algumas lacunas a serem explicadas e o mesmo para obter isso trava uma batalha pelo ego.  Com a aparição vívida da guitarra, a faixa caminha a um ponto circunstancial simbolizada pela sintonia com a cada “baquetada” de Roge e pelo solo sólido no meio da canção.

A sexta faixa é “Beyond” que ingressa com uma sonoridade mais lenta e síncrona, onde abruptamente dá lugar a riffs agressivos e constantes. A mesma trata de um assunto um tanto quanto complexo, a mente humana e suas limitações. Durante seus 04:56 min, ela indaga sobre as fronteiras do subconsciente e sua forma de existência.

A última faixa do disco é “Wake-Up Machine”. Ela antecede a demo “Robotic Dreams” e possui cerca de 05: 39 min. Com uma atmosfera mórbida e melancólica, ela impulsiona um instrumental coeso, expressivo e lembrado pela construção de um clima harmônico à faixa. “Wake-up Solitary Thinker...” (Acorde pensador solitário), consequentemente a vida é muito mais misantrópica que o ser humano. As memórias se vão, os momentos serão esquecidos e tudo aquilo que foi construído será jogado às cinzas.

Com uma ideia de explanar as músicas do seu Ep “Robotic Dreams” divulgado em 2009, a banda deu a continuação do disco às canções do material produzido há nove anos atrás. O mesmo ressalta as ideias de robotização, sistematização humana, irracionalidade dos homens em busca do poder e sua autodestruição. Além de possuir um instrumental cru e ríspido mescla perfeitamente o tradicional Death Metal e o progressivo.

Formação Atual:
Vlad (Voz e Guitarra)
Wit (Baixo)
Roge (Bateria)

Plataformas Virtuais:
Facebook: https://www.facebook.com/Mordeth-113648398706716/
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC17PFD_mphc1Pq75yGwVYTw

Heavy Metal Rock: https://www.facebook.com/hmrock83/


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Reytoro: A clássica banda uruguaia que se apresentou no River Rock Festival 2018

A Reytoro hoje é considerada um dos maiores nomes do Metal Uruguaio, os músicos estão há 20 anos no cenário musical do Heavy Metal. Recentemente tocaram na 15° edição do River Rock Festival em Indaial- SC e fizeram um show extraordinário. 


Primeiramente obrigado pela disponibilidade pela entrevista. Hoje já são 20 anos de banda, quatro álbuns lançados e um enorme reconhecimento na América do Sul. Como vocês avaliam a evolução do som de vocês?

Reytoro: Olá. Gratos somos nós por terem aberto às portas e nos recebidos tão bem. Nós vemos a evolução como um processo natural, porque durante esses 20 anos de trajetória aprendemos ao máximo aproveitar o tempo e as oportunidades para continuar com a música.

Em toda essa trajetória já passaram outros três integrantes pelo grupo, sendo eles Francisco Fratoruso, Walter Revella, Giampaolo Giaimo. Por qual motivo houveram essas modificações?
Reytoro: Com o Walter era o começo e sabíamos que era algo temporário. E logo com o Fernando (Baterista), ele ficou encarregado de trabalhar com as faixas, mas somente naquele período. Giampaolo e Francisco eram membros do grupo bem antes de obter a designação. Com essa formação, estamos juntos há 20 anos.

O som de vocês preconiza um Heavy Metal com fortes influências de Thrash Metal. Em relação à composição e finalização de riffs, como que vocês organizam a criação de novas canções?
Reytoro: A criação própria é baseada em ideias coletivas que rapidamente passam para os ensaios. E a partir dessas reuniões nascem novas canções e é algo tão natural e sempre funcionou.

Em 2009 vocês participaram da compilação “Tributo Al Metal Uruguayo” com a música “Solo Quiero A Salir De Aquí”. Qual a experiência de participar de uma coletânea e de fortalecer o Metal do seu país?
Reytoro: Foi uma experiência gratificante porque foi o primeiro compilado, e tiveram várias bandas. Nisso, o resultado foi excelente porque tocávamos nossas músicas e músicas de outros grupos presentes no material. É uma gradativa forma de evolução e uma grande valorização ao cenário.

Um dos shows que trouxe mais visibilidade para vocês foi a “Chinese Democracy World Tour” que participaram como banda de apoio ao Sebastian Bach. O que isso agregou para vocês como músicos?
Reytoro: Nós tocamos em muitos eventos com presenças de grupos mundiais, nomes como Deep Purple, Megadeth, Kreator, Exodus, Sepultura (Diversas vezes e recentemente no River Rock Festival) e isso sempre fez crescermos em técnica e produção. Porém, o que mais nos motiva é poder tocar no Estádio Centenário, como foi o caso do evento com Guns ‘N’ Roses e Sebastian Bach, ou então no Velódromo Municipal o qual Deep Purple e Sepultura já fizera suas apresentações conosco. Isso é muito significante para o nosso público!

Recentemente vocês estiveram no 15° River Rock Festival em Indaial- SC. Pela primeira vez no Brasil, como foi a receptividade do público e qual o feedback sobre a estrutura do festival.
Reytoro: A sensação foi incrível, todos nos acolheram como se fosse a nossa casa, antes e depois do evento pessoas vinham ao nosso encontro para demonstrar carinho e reconhecimento, o que é muito importante para nós porque permite-nos a continuar em na trajetória e seguir no caminho que estamos trilhando. Adoramos o Brasil!!!

No Uruguai, há festivais como os que acontecem aqui no Brasil com camping, diversas bandas e estilos? Quais as principais diferenças no Metal entre os dois países?
Reytoro: Sim, no Uruguai há pelo menos um, que é feito no Departamento de Durazno. O festival movimenta mais de 40 mil pessoas e por três vezes já conseguimos estar no cast do mesmo e recentemente, no dia 27 de outubro voltamos a participar. Creio que agora depois de conhecer o cenário brasileiro há muitas diferenças, no entanto, a linguagem do Metal é universal.

Para o futuro do grupo, há novos materiais em desenvolvimento?
Reytoro: Neste momento, estamos no processo de composição de um novo trabalho que esperamos terminar em 2019.

Formação Atual.
Reytoro: Fernando Alfaro (Bateria), Norberto Arriola (Guitarra), Fabian Furtado (Vocal) e Enzo Broglia (Baixo e Backing Vocal).

Mídias virtuais para quem quer conhecer a ReyToro.
Reytoro: Podem nos encontrar no Facebook, Instagram, Twitter por reytoro.uy ou em nosso canal do YouTube, ReyToro TV.

Em nome da Urussanga Rock Music agradeço a entrevista. Se puder, deixe um recado para quem nos acompanha.
Reytoro: Como lhe falei anteriormente, nós ficamos muito gratos pela oportunidade e pela recepção que tivemos em nossa primeira visita a Indaial e Porto Alegre. Esperamos vê-los em dezembro pois estaremos tocando em São Paulo. Obrigado!!!!




quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Raccoon Club: Estreia “Flicker”, Seu Primeiro Videoclipe


A banda Raccoon Club de Lages- SC traz a irreverência e o experimentalismo através de releituras de clássicos e covers. No entanto, o grupo composto por Aline Dutra Amorim (Vocal), Lucas Reichert (Guitarra), Bruno Juarez Machado (Baixo) e Lucas Barroso (Bateria) gradativamente mesclou músicas autorais para poder esboçar a própria identidade.

A cada apresentação uma performance diferente com peculiaridades que vão além da música. Os shows no SESC e no Santana’s a colocaram no cenário independente lageano, que evolui ao passo dos músicos talentosos que compõe a região serrana.


Hoje, precisamente no dia 21 de novembro de 2018, é uma data que fica cravada para os integrantes e fãs da Raccoon Club. O grupo disponibilizou seu primeiro material, o clipe da canção “Flicker” que foi gravado e mixado por Steffan Duarte e contou com a participação de muitos amigos e colegas dos músicos. Essa parceria juntou várias caras, jeitos, auxílios e apoio, cada um com sua importância, seja na parte visual, estética, de atuação ou sonora.

E consequentemente para falar sobre o videoclipe, é necessário um parágrafo único. Com uma intro melancólica de um diálogo, exprimiram os primeiros acordes, de maneira lenta e cadenciada mas permanecendo numa linearidade síncrona. No vídeo, a sinestesia galgava por caminhos díspares até se unir a atmosfera íntima com traços de epifania.

A composição explicita o existencialismo, a questão comportamental e o que se revela através de taças de bebidas. Revela uma metáfora com Jim Morrison? Ou então com a intensidade do amor? Claro, a interpretação é uma dádiva, pois mistura elementos de uma insanidade sentimental.

Plataformas Virtuais:


terça-feira, 20 de novembro de 2018

The Mönic: O Prodígio do Cenário Independente Nacional


Rock n Roll, Hard Rock, Grunge ou Alternativo? A decisão é sua para tentar encaixar as pluralidades musicais existentes na sonoridade da banda paulistana The Mönic. Obviamente que essas referências são explícitas através das suas canções, que compreende a complexidade dos vocais sólidos e rasgados, da presença de palco e da coesão musical.


O grupo iniciou suas atividades em março desse ano. No entanto, o projeto se deu após o término da banda BBGG que continha em sua formação, Ale Labelle, Dani Buarque e Joan Bedin, consequentemente já sincronizadas procuraram alguém para assumir as baquetas depois da saída do baterista. Enfim, foi feito uma audição e Daniely Simões foi a congratulada a ingressar nas bateras da banda.

Evidentemente que aos poucos a ideia foi tomando corpo sendo que o intuito inicial era apenas reunir algumas amigas, mesclar gostos mútuos e aplica-los através de riffs céleres e rápidos. Porém, se viu a necessidade da criação de composições e rapidamente o entrosamento foi se destacando até que com o lançamento do primeiro show foi difundido a canção “High”. O videoclipe obteve a direção de Mariana Pugliesi e Carol Eugênio e fora gravado no Estúdio Aurora.



A designação do grupo se deu a um grande e criativo brainstorm. O nome “The Monias” surgia e ganhava o gosto das integrantes, no entanto o namorado de Dani Buarque sugeriu The Mönic que soava melhor e logo todos caíram no gosto.

As influências musicais existentes vão desde Hole, The Distillers, L7, Queens Of The Stone Age, entre muitos outros artistas.

Em julho, a The Mönic divulgou seu segundo trabalho, o clipe de “Buda”. O vídeo foi desenvolvido de maneira independente e em seu enredo mostra um sonho que as músicas acordam crianças e tem dificuldades para chegar ao local do evento. A canção ainda ressalta em sua letra o egocentrismo e o narcisismo, como em alguns casos de “budistas” que não dão oi nem para o porteiro.



As temáticas das composições são vastas, o grupo trata de assuntos românticos, músicas para crushes, namoradas e maridos. Todavia, na faixa “Just Mad” explicita o cotidiano das mulheres na sociedade machista vigente, em Reckless a depressão é esboçada, e contém outros sons que remetem ao fim do mundo, julgamentos precipitados e temas variados.

Atualmente a banda está no processo de criação de um disco, pois já possuem 15 músicas em uma demo prontas para a difusão.

Os locais e festivais que o grupo já se apresentou foram muitos, Virada Cultural, Festival Imáginário em Nova Friburgo – RJ, no Jokers em Curitiba- PR, no Escritório no Rio de Janiero – RJ, no Dia da Música, no Estúdio Costella, entre outros lugares.

Formação Atual:
Ale Labelle (Guitarrista e Vocalista)
Dani Buarque (Guitarrista e Vocalista)
Joan Bedin (Baixista e Vocalista)
Daniely Simões (Baterista e Backing Vocal)

A banda tem um recado:
#ELENAO

Plataformas Virtuais:


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Sapataria: A Resistência Contra a Lesbofobia

No final de 2016 na cidade de São Paulo- SP, algumas amigas depois de assistir a shows da banda Charlotte Matou Um Cara, resolveram se unir para criar um projeto que frisasse a representatividade lésbica e a vazão a tais assuntos. O grupo passou por algumas reformulações, Clara e Thamires ambas deram lugar à baterista Isabelle que ao lado de Marina (Guitarra), Zu (Vocal) e Dan (Baixo) formam a Sapataria.





As influências musicais são vastas, nomes citados por Marina como Anti-Flag, Pennywise, Teu Pai Já Sabe?  e Dominatrix são algumas lembradas pela guitarrista. No entanto, para a construção da sonoridade da banda, as demais integrantes buscam referências desde o Rap, Hip Hop, até a música alternativa.

A designação do grupo é uma ideia de expressar e de incluir mais lésbicas no cenário musical. A lesbofobia era pautada por poucas bandas, já que a maioria dos grupos com integrantes mulheres traziam o enfoque do assédio e do machismo. Visto pela necessidade e importância por tratar de um assunto que abrange o preconceito sofrido pelas mesmas, a Sapataria surgiu como um ato de resistência a um universo musical predominantemente intolerante. As músicas tiveram outras ideias para a cognominação, nomes como Tesouraria, Dedo de Moça, Velcro e Caminhoneiras foram alguns exemplos até chegarem no nome atual.

Recentemente, a banda divulgou o Ep homônimo “Sapataria” que contém seis músicas, “Intro”, “Carta aos Pais”, “AA Lourdes”, “Texto”, “Muito Tarde” e “M.S.B (Movimento das Sem-Banheiro). O trabalho foi gravado no Estúdio GR em São Paulo- SP e está disponível no Spotify, Deezer, BandCamp e YouTube.




“M.S.B. foi a primeira música da banda e eu escrevi ela logo após ser expulsa do banheiro feminino, na ocasião eu estava bastante angustiada e pensar na música me ajudou ter mais calma”, cita Marina. A cada música composta surgia a necessidade de transpassar as situações vivenciadas pelas músicas no cotidiano. Outras canções como “Carta aos Pais” e “Lourdes” esboçam sobre o preconceito dentro de casa e da não- aceitação da sogra, momento lembrado por uma das integrantes.

Atualmente o grupo se encontra no desenvolvimento de três novas faixas que incluirão no segundo matéria do grupo. Além disso, estão focadas na idealização de Eps físicos e camisetas para reforçar a identidade visual.

Os principais festivais e eventos que a Sapataria esteve presente foram No God, No Master Fest, Apoia Mutua Fest, Desviantes, Resistência Transviada, Pogadoras, Underground Street Fest, Zona Punk Gigs e lançamento do Ep da Charlotte Matou um Cara.

A banda tem um recado:
“Galera, fortalece nossa banda seguindo a gente nas redes sociais, ouvindo nosso som e divulgando, temos camiseta para vender por só 25 reais, adesivo, zine e mais! Valeu por divulgar e pelo espaço! ”

Formação Atual:
Zu (Vocal)
Marina (Guitarra)
Dan (Baixo)
Isa (Bateria)

Plataformas Virtuais:




sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Fatal Encarnad: Em Terra de Festival, o Death Metal é a Lei


Com certeza o River Rock Festival foi berço de grandes bandas e impulsionador de muitas outras. A Fatal Encarnad de Indaial é uma dessa que em quase 10 anos de história explicita a chama do Metal Extremo.


O vocalista Marcelo nos concedeu uma entrevista e contou um pouco sobre a sua trajetória, sobre o futuro do metal catarinense, sobre a ascensão do conservadorismo e os novos projetos do grupo do Vale de SC.

Créditos: Perfil da Banda no Facebook


Primeiramente obrigado pela entrevista. A Fatal Encarnad propõe um Death metal cru e sólido. Através de bandas como o Vader, Sarcófago, Entombed, Sodom, Cannibal Corpse, Deicide como influência. De que forma vocês incorporam isso nas composições?
Marcelo: Um olá para todos! Sou Marcelo, baixista e vocal da Fatal Encarnad.
Temos uma forma própria de som, mas usamos mais como referência essas bandas, para se manter na mesma linha, já que é o tipo de música que gostamos de ouvir e tentamos passar o que gostamos em nossas músicas, mas de uma maneira nossa de tocar e compor.

Atualmente a banda possui dez anos de estrada e no ano passado difundiu o EP “Carnage Of War”. Como foi o procedimento de desenvolvimento do trabalho e se havia alguma canção dos primórdios do grupo presente no Ep?
 Marcelo: As músicas foram compostas no decorrer do tempo, algumas mais atuais outras mais do início. Queríamos ter gravado já há algum tempo mais houveram algumas mudanças na banda e tivemos que esperar o momento certo para gravar. Na gravação tentamos passar o máximo que podemos do Death Metal que sabemos fazer e também deixar com qualidade para que fosse um material bom de se ouvir e curtir.

Recentemente a banda se apresentou no River Rock Festival, evento protagonizado na cidade de Indaial- SC, onde vocês são originários. Pela proximidade com o fest, qual a análise sobre a edição desse ano e consequentemente qual sensação de dividir o palco com bandas como Sepultura e ReyToro?
 Marcelo: O River Rock Festival sempre teve edições muito boas, mas esse ano foi um novo passo para o festival com estrutura própria e um ambiente muito bom para curtir as bandas, na minha opinião um dos melhores que já fizeram e acredito que vai crescer cada vez mais. Os organizadores estão de parabéns!   Foi uma honra participar e dividir o palco não só com esses nomes, mas com todas as bandas que tocaram.

Ainda sobre o cenário independente, como vocês enxergam o Metal Catarinense atual? Quais as principais dificuldades enfrentadas?
 Marcelo: Em Santa Catarina atualmente temos ótimas bandas, sempre segue forte. Mas as maiores dificuldades são poucos shows e eventos.Temos ótimos festivais, mas pouca casa de show reservado para o metal, e quando tem vai pouca gente.

Vocês disponibilizaram um webclipe da música “Genocide Mass” que contêm cenas de guerras e conflitos. Hoje nós vivemos uma situação totalmente indelicada, onde há políticos que pregam valores e morais cristãs e ameaçam a democracia. Essa música é um petardo direto nos ouvidos de quem ouve. Como vocês enfatizam essa crescente ascensão do movimento cristão-conservadorismo?
Marcelo: Bom, fui vítima do conservadorismo, o Webclip foi interessante que logo que postei alguém me denunciou e foi bloqueado no YouTube por algum tempo por excitar a violência sendo que no real apenas mostramos a verdade das guerras e conflitos, a verdadeira face humana. Mas postei na página da banda, até bloquearem está lá e logo vou tentar postar no YouTube novamente, assim que desbloquearem minha conta ou postarei em outra conta.

Sou contra qualquer movimento que repreenda a liberdade de escolha, coisa que qualquer pessoa que conhece um pouco da história humana vai saber que nosso bem mais precioso é a liberdade. Os próprios conservadores serão vítimas do que eles mesmos defendem quando tiverem uma opinião diferente das maiorias.

Atualmente, há produção de algum material novo para a difusão?
Marcelo: Estamos compondo, assim que puder iniciaremos as gravações, mas no momento estamos vendo como vai ser, porque o Gabriel que era nosso baterista provavelmente não vai seguir com a banda, está com compromissos e estudando, se aparecer algum show importante ele até faz a batera por enquanto, mas provavelmente teremos que achar um outro batera.

Formação Atual.
Marcelo (Baixo e Vocal)
Marlon (Guitarras)

Plataformas Virtuais.
Marcelo: Temos músicas no YouTube, na minha página Marcelo Leatherface e na da banda. Logo estará à disposição no Spotify ,Deezer, Google Play, Soudcloud entre outros, só estou esperando o prazo de liberação que essas plataformas dão para liberar aí divulgarei nas mídias sociais.

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade da entrevista de vocês. Se puderem, deixem um recado para quem nos acompanha.
Marcelo: Quero agradecer a equipe da Urussanga Rock Music pela atenção com a banda, e a todos que seguem a Urussanga,,. continuem assim, vejam as publicações, comente e divulguem por que são essas mídias que fazem a diferença, são elas que dão ênfase as bandas e ajudando a conhecer um pouco delas, essas mídias que ajudam a divulgar os festivais e fortalecer a cena. Abraço a todos “Death Metal Rules!”


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Parceiros do Underground #8: Nathalia Neiva (Coletivo Brasa)

Dessa vez o Parceiros do Underground em sua oitava edição explicita um pouco da trajetória da Nathalia Neiva que é idealizadora do Coletivo Brasa, produtora independente responsável por movimentar o cenário do HC catarinense.

A designer nos contou acerca da sua trajetória no underground e sobre os novos projetos relacionados a música. 



Como foi o seu primeiro contato com o Rock/Metal?

Nathalia: Acho que foi assim como o de muita gente: família.
Lembro que eu tinha uns 7 anos quando comecei a escutar os meus primeiros “rocks”. Conheci bandas como Linkin Park e Cpm 22 (que estavam bem em alta na época) por meio de um primo mais velho. Depois do primeiro contato, nunca mais parei (risos).

Quando surgiu a ideia da criação do Coletivo Brasa?
Nathalia: Surgiu após uma proposta para armar um show do Bullet Bane (SP) há um ano. Três amigos que já haviam tido uma ou duas experiências com produção de shows, mas nunca se comprometido de fato como algo maior. Foi então que eu propus a ideia do Coletivo para meus sócios (na época), ambos toparam e seguimos com o planejamento para aquele show e para os demais que vieram a seguir.



Qual o intuito do surgimento da mídia e o procedimento de designação?
Nathalia: O Coletivo Brasa nunca foi visto como uma produtora de fato, tanto que trabalhamos sem fins lucrativos. O intuito do surgimento e o principal motivo de existência é a possibilidade de nos integrar e nos conectar com a cena independente e autoral brasileira, de maneira que pudessemos formar uma teia de relações com amigos, bandas, estúdios, casas de show e artistas em geral. Como nossa visão sempre foi muito fraternal, tudo foi fluindo de forma natural.

Quais as principais matérias que destacaria como as melhores?
Nathalia: Todas as experiências que eu tive por meio do Coletivo Brasa foram fantásticas, mas é claro que conforme o tempo foi passando as coisas iam melhorando de forma gradual. Acho que o grande marco foi o começo deste ano, onde realizamos, ao lado do amigo Felipe Conrad (Porão do Som), o “Hardcore Is Back 5”. A partir deste evento nossa visibilidade e nossa maneira de pensar/agir foi se tornando cada vez mais profissional. Começamos a acreditar de verdade que o tempo investido em nossos sonhos nos levaria a algum lugar.
Mas acredito que tudo começou a vingar de fato no segundo semestre de 2018, quando fechamos parceria com o O’brien’s Irish Pub de Balneário Camboriú. Lá já realizamos eventos inesquecíveis: Bullet Bane (SP), Menores Atos (RJ), End of Pipe (SC) + Bizibeize (SC) e a incrível 1ª edição do Festival de aniversário do projeto, o “Grrrls To The Front” com a participação do Miami Tiger (SP).

Como se dá o procedimento de elaboração das matérias? Há algum critério utilizado?
Nathalia: Fazemos tudo com muito amor, mas como trabalhamos sem fins lucrativos sempre optamos para eventos que sejam de total interesse nosso, envolvendo nossos gostos pessoais. Mas de qualquer maneira sempre tentamos ajudar quem nos procura. Se não conseguimos encaixar na nossa agenda, estamos sempre prontos para apoiar eventos de bandas amigas de alguma forma. Indicamos casas, realizamos divulgações em nossas mídias digitais e incentivamos a produção artística em nossa região.

O meio Rock/Metal tem certa predominância machista. Você já enfrentou algum preconceito relacionado a isso por ser mulher?
Nathalia: Particularmente não me lembro de ter enfrentado algum tipo de preconceito direto por ser mulher, na verdade comigo sempre teve muito carinho pelos amigos que fiz por meio do Coletivo Brasa. Mas, em contrapartida, sempre há o machismo indireto neste meio. Muita gente considera que se existe membro homem na equipe, supostamente é ele quem toma as frentes do projeto.

Há receptividade das bandas com o seu trabalho? Há alguma experiência negativa?
Nathalia: Desde o começo a receptividade foi enorme. Agradeço de coração por todo apoio e confiança que as bandas depositam no nosso projeto. Zero experiências negativas!

Como você enxerga o papel das mídias no cenário atual independente?
Nathalia: Eu acho de extrema importância! Nós nos criamos por meio de mídias digitais e continuamos vivos por elas. Resistimos juntos justamente pela conexão que mantemos uns com os outros virtualmente, já que não contamos mais com o apoio das grandes mídias de comunicação, como era no começo dos anos 2000. Infelizmente não existem mais espaços para as pessoas conhecerem o cenário independente de forma “mastigada” como acontecia na falecida MTV, por exemplo. Hoje as pessoas tem que procurar por isso.

Quais os novos projetos para o Coletivo Brasa?
Nathalia: Para este ano já temos confirmado:
19/10 - Hardcore Contra O Fascismo - Edição Baln. Camboriú: Bayside Kings (SP) + Fatal Blow (SC) + Ataq Coletivo (SC)

17/11 - Blackjaw (SP) + Wiseman (SP)
23/11 - Bullet Bane (SP) + Manual (SP) + Quazimorto (SC)

O cenário HC catarinense é unido?
Nathalia: Sim! Talvez um pouco espalhado, mas considero unido sim. Ao longo dessa curta jornada já conhecemos amigos que significam muito para a gente e para o projeto. Gente que agrega de uma maneira extraordinária para nossa vida profissional e só conhecemos por causa do meio. Na minha visão, é muito duro batalhar na cena sozinho. Quanto mais amizades e mais pessoas trabalhando nos mesmos ideais, melhor a caminhada. Sejamos cada vez mais Coletivo!

Cinco bandas com integrantes mulheres.
Nathalia: Vai oito!
Naome Rita (PR), Saint Pradier (SC), Ataq Coletivo (SC), Profasia (SC), Menage (SC), Miami Tiger (SP), Far From Alaska (RN), Deb and The Mentals (SP).

Cinco bandas catarinenses.
Nathalia: Bizibeize, End of Pipe, O Mundo Analógico, Quazimorto, Próspera.

Cinco festivais.
Nathalia: Hardcore is Back (SC), Oxigênio Fest (SP), Curitiba HC Fest (PR), SWU – Starts With You (SP), Rock City Festival (SC).

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade pela entrevista. Se puder, deixe um recado para nossos leitores.
Nathalia: O que há de mais precioso nos dias em que vivemos – e, principalmente na situação política em que nos encontramos – é mostrar e sentir que ainda existem pessoas que pensam diferente. Poder construir laços com pessoas só pelo fato de compartilhar dos mesmos sentimentos é incrível. Melhor ainda é poder confiar e depositar as energias positivas em quem você chama de amigo.
A gente vive em um sistema em que o dinheiro se torna necessário sim, mas jamais podemos deixar que um pedaço de papel controle nossas vidas. A partir deste posicionamento começamos a nos questionar: Será que basta ter dinheiro?
Na minha visão, existem moedas muito mais valiosas que o dinheiro. São moedas abstratas que preenchem espaços que o dinheiro não pode comprar. E posso afirmar: não há dinheiro no mundo que pague o sentimento de fazer a diferença!

Obrigada Urussanga Rock Music pela oportunidade e pela visibilidade.
“Tamo junto!”


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