quarta-feira, 15 de março de 2023

Otacílio Rock Festival: 15ª edição reúne mais de mil pessoas na Fazenda Cambará

Otacílio Costa é uma cidade com aproximadamente 20 mil habitantes, economicamente estável, principalmente com a madeira sendo uma das principais fontes de renda do município. No entanto, há aproximadamente 15 edições, três amigos, Denilson Luis Padilha, Elienai Souza e Nani Poluceno desenvolveram a ideia de unir seus gostos mútuos pelo Rock/Metal e montar um evento em que pudessem, além de ouvir os respectivos estilos, dar vazão às bandas da Serra Catarinense. Assim se passaram 15 longínquas edições, trazendo bandas como Master (EUA), Whiplash (EUA), Ratos de Porão, Korzus, Violator, Attomica, Dr. Sin e fizeram a “Twin Peaks Catarinense” ser a capital do Metal no estado. Para esta edição, pensando no bem-estar de cada pessoa presente no OTA, trouxeram 19 bandas, muitas delas inéditas no estado, outras com um grande tempo de estrada e algumas que estão a todo o vapor movimentando o cenário underground catarinense. 

Saímos cedo de Tubarão em direção à BR 101. Juntamente com a excursão idealizada por Danniel Bala (Agosto Negro e Laguna Metal Fest), fomos juntamente com outras 25 pessoas ao som de músicas da bandas presentes no evento e de clássicos farofas - bem farofas mesmo - na minha playlist. Um sol para cada um, adentramos na belíssima Fazenda Cambará por volta das 15h30. 


Tuatha de Danann no OTA 2023

Estima-se que mais de mil pessoas passaram pelo fest. E o público renovado foi uma das primeiras características que presenciei nesta volta do OTA depois de 3 anos sem edições - tudo devido ao período de pandemia -, no entanto outro fato me surpreendeu, a quantidade de novos fotógrafos e imprensa no evento, que foram tratados com muito respeito e suporte - como de praxe - pelos organizadores, bandas, seguranças e públicos em geral. Lá era possível ver Sidney Oss Emer, Thiago Habeck e Aline Silva (O Subsolo), Carina Langa e Luiz Harley Caires (Underground Extremo), Heidi Luiza (Cultura em Peso), Priscila Ramos e Junior Dellabeneta (Agenda Metal), ao meu amigo fotógrafo Robson Siqueira e a nós, Guigo e Leandra da Urussanga Rock Music. 


Além da imprensa, organizadores de festivais e bandas que não tocaram nesta edição se faziam presentes no Fest. Além do Bala representando os festivais do Sul de SC, Laura Castegnaro e Liziane Castegnaro (Maniacs Metal Meeting), Marcos Valério e Lu Oliveira (Iceberg Rock Festival), Thomas Antunes e Cyro Wolff (Santana’s Sunday), Thiago Correa (Winter Knights), Leandro Brugnago (Deathkult Warfest) e Sandoval Batista (Maquinaria Rock Fest) estavam nesta edição. Integrantes de bandas como: Alocer, Agony Voices, Atlantis, Balboa’s Punch, Barba Rala, Captain Cornelius, Imago Mortis, Overblack, Posthumous, Rhestus, Saturno Alice, Spiritus Diaboli, Tandra, The Torment e muitas outras, também prestigiaram o OTA como público. 


Chegamos a Otacílio Costa com uns paranaenses fazendo o terror no palco do OTA. A banda Royal Rage de Curitiba exibiu um som rápido, com a ferocidade dos riffs, mas também evidenciou uma pluralidade de ritmos ao remeter ao Baião Nordestino na canção “Lampião”. Além disso, os músicos bradaram em seus discursos contra qualquer tipo de conspiracionismo e acerca do terraplanismo. 


Banda que tradicionalmente é figura carimbada nos festivais de Santa Catarina, a Goaten mostrou solidez, com um show sensacional e que me impressionou do início ao fim. Inclusive com “Bells”, a qual levou headbangers (eu me incluo nisso) a cantarem juntos e realizarem moshes. Em poucas palavras, um power trio violento que tem como autenticidade sua estética e as suas composições. 


O Orquídea Negra foi simplesmente avassalador, fizeram os metalheads se emocionarem com as clássicas baladinhas, “Surrender”, “Christmass Night” e “Miss You”, além de relembrar canções como “Touch Your Dreams”, “Rainbow in The Dark” e mostrar que santo da casa faz milagre sim. E mais uma grande performance do Boca, o qual tem uma das melhores presenças de palco do Metal Catarinense. 


O Icon Of Sin despertou curiosidade em muitas pessoas, primeiramente por ser o primeiro show do grupo que foi fundado em 2020, início da pandemia, porém também pelo fato de ter Raphael Mendes nos vocais, músico conhecido por fazer releituras de músicas do Iron Maiden. No setlist, seu novo disco, o homônimo lançado em 2021, full length este que traz resquícios de um Heavy Metal oitentista, mas com a identidade e versatilidade de Mendes. 


Um dos mais esperados da noite, o The Mist subiu ao palco com uma certeza, de que os presentes no OTA iriam cantar a plenos pulmões, “God Of Black and White Images”, “Flying Saucers In The Sky” e “Scarecrow”. E realmente foi isso que aconteceu, mas evidenciou ainda mais que Vladimir Korg é uma lenda nos vocais do Metal Nacional. 


The Mist

A Mawashi Geri de Passo Fundo trouxe consigo uma proposta totalmente diferente, inspirada naqueles filmes orientais e esboçadas através de canções em japonês que denotam sobre o folclore do país. Além disso, o grupo mostrou ser uma mescla do Metal Moderno, com o Death Metal. 


Após o show dos gaúchos, o ar sombrio e de carnificina se convergiram em um só, e a Ossos de Caxias do Sul literalmente fez um massacre nos palcos do Otacílio, uma vez que, trouxeram uma infinidade de riffs agressivos e céleres, letras que permeiam a maldade e podridão humana e uma estética sanguinária. Como destaque, friso as canções “Igor”, que transpassa a história de um serial killer macabro que ficava insistentemente assobiando, enquanto suas vítimas entravam em estado de desespero, as mensagens para as “tias da igreja” e a baladinha “Imagens do Horror”, que eu mesmo rouco e com tosse, cantava juntamente com Pezzi, porém do outro lado da grade. 


Mas esse seria só o começo da blasfêmia deste sábado/madrugada de domingo. A Malice Garden oriunda da terrinha, aqui de Criciúma fez um show surreal, isso através dos solos de bateria descomunais de João Victor Accordi ou pelos riffs pesados e densos de Spok. Cada canção trazia o clima soturno aos palcos do OTA, que finalizou de maneira única por meio da participação de Otávio Schonhofen nos vocais de "Revenge Against Jesus Christ” ao lado de Orland. 


E uma palavra define a apresentação da Profane Souls de Curitiba - PR, heresia. Profanação esta que mostrou que uma banda de 27 anos ainda permanece com o instinto primitivo e voraz dos primórdios do Black Metal no Paraná. O excelente disco “Ritual de Blasfêmia” foi apresentado aos presentes, principalmente por canções como, “Almas Profanas” e “Na Terra de Satã”. 


A Pressure Gain de Blumenau - SC, executou alguns covers e também apresentou sua nova música autoral, “Woman”, uma canção que fala sobre o empoderamento feminino e acerca da força da mulher na sociedade. Outro ponto a se destacar é pelo grupo ter duas frontwoman, fortalecendo ainda mais o discurso apresentado na composição. A faixa estará incluída no novo álbum, que está sendo produzido por Tiago Della Vega, o guitarrista mais rápido do mundo, que esteve no festival e inclusive tocou guitarra na referida música. 


A Finita apresentou uma mescla de reações e sentimentos, tudo aquilo que era evidenciado no palco era transpassado para o público. Cada performance, dança, gutural, lamúria ou grito se convergia em curiosidade dos headbangers ao olhar uma banda técnica, coesa e que aposta esteticamente em uma imagem, ora sombria, ora inesperada. Um dos principais momentos da apresentação foi na inserção da canção “Valsa dos Exumados”, a qual difundiram um lyric vídeo há seis dias. 


Original, autêntica e de uma celeridade sem tamanhos. Essas são as principais características da banda paulistana, The Damnation. O Power Trio feminino de Thrash Metal fez com que o palco do Otacílio Rock Festival virasse uma catástrofe de riffs e berros, peculiaridade marcante em cada composição. 


Cülpadö de Curitiba é mais um projeto do talentosíssimo e experiente multi instrumentista, Jeff Verdani (Jailor, Axecuter, Murdeath, Sad Theory) que teve uma ideia sensacional de fazer uma banda que contasse histórias sangrentas e macabras que ocorreram no país e ainda estão vívidas no imaginário coletivo. Além disso, o peso descomunal e a sincronia do fundador com os integrantes, Kevin (Guitarra) e Alan (Bateria) trouxeram uma atmosfera ainda mais densa à sonoridade. 


A Selvageria fez um dos melhores shows possíveis de uma banda de Speed Metal. Com a reformulação na formação, diferente daquela que se já havia se apresentado no OTA em 2018, os paulistas elevaram o instrumental a algo ainda mais cru e ao mesmo tempo brutal, não dando espaço para firulas e incluindo a potencialidade de cada arranjo como diferencial. As suas canções mais notáveis, “Hino do Mal” e “Trovão de Aço” renderam inúmeros moshes e fizeram o público cantar cada verso. 


Selvageria
“Believe, It’s True” logo de cara foi a primeira canção apresentada pelo Tuatha de Danann que realizou um dos maiores shows que eu já pude presenciar, seja pela questão sonora, na inclusão de flautas, mandolin e pela sincronia única de cada integrante, principalmente pela inserção dos vocais do baixista Giovani aos do vocalista Bruno Maia. Pela primeira vez na Serra Catarinense, o ambiente foi propício para os músicos ingressarem suas mitologias próprias, o folclore celta e a fantasia de cada show do grupo. Há quem diga, por aquelas searas, que viu no público a figura de Leprechaun ou de algum troll inebriado pela atmosfera mística que os mineiros nos proporcionaram. Entre as clássicas tocadas pelo Tuatha, estavam “Tan Pinga Ra Tan”, “We’re Back”, “Turn”, “Land Of Youth” e  “The Last Words” que se encerrou de uma maneira mágica o evento. 


Tuatha de Danann

Como o foco do nosso portal são músicas autorais, priorizamos aqueles que possuem músicas próprias. No entanto, o fest ainda contou com Vintage Valda Vinil, Diabolus Intervention (Cover de Slayer), Filhas do Velho e banda Os Kuatro. 


As fotos do restante das bandas e dos festivais serão postadas aos poucos, assim como os vídeos e o audiovisual sobre a décima quinta edição do evento.


*Não poderíamos deixar de citar um fato ocorrido na noite de sábado, primeiro dia do evento. Pois, uma moça que estava presente no público, Hagata Christie, foi vítima de falas racistas proferidas por um homem que também tentou atacar com um canivete um amigo da vítima. Como ele estava visivelmente transtornado, os seguranças do OTA foram rápidos para tirá-lo do evento e evitar que algo mais grave pudesse acontecer. A Urussanga Rock Music se compadece com a Hagata e se opõe a toda e qualquer manifestação racista, intolerante ou preconceituosa.


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