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quarta-feira, 15 de março de 2023

Otacílio Rock Festival: 15ª edição reúne mais de mil pessoas na Fazenda Cambará

Otacílio Costa é uma cidade com aproximadamente 20 mil habitantes, economicamente estável, principalmente com a madeira sendo uma das principais fontes de renda do município. No entanto, há aproximadamente 15 edições, três amigos, Denilson Luis Padilha, Elienai Souza e Nani Poluceno desenvolveram a ideia de unir seus gostos mútuos pelo Rock/Metal e montar um evento em que pudessem, além de ouvir os respectivos estilos, dar vazão às bandas da Serra Catarinense. Assim se passaram 15 longínquas edições, trazendo bandas como Master (EUA), Whiplash (EUA), Ratos de Porão, Korzus, Violator, Attomica, Dr. Sin e fizeram a “Twin Peaks Catarinense” ser a capital do Metal no estado. Para esta edição, pensando no bem-estar de cada pessoa presente no OTA, trouxeram 19 bandas, muitas delas inéditas no estado, outras com um grande tempo de estrada e algumas que estão a todo o vapor movimentando o cenário underground catarinense. 

Saímos cedo de Tubarão em direção à BR 101. Juntamente com a excursão idealizada por Danniel Bala (Agosto Negro e Laguna Metal Fest), fomos juntamente com outras 25 pessoas ao som de músicas da bandas presentes no evento e de clássicos farofas - bem farofas mesmo - na minha playlist. Um sol para cada um, adentramos na belíssima Fazenda Cambará por volta das 15h30. 


Tuatha de Danann no OTA 2023

Estima-se que mais de mil pessoas passaram pelo fest. E o público renovado foi uma das primeiras características que presenciei nesta volta do OTA depois de 3 anos sem edições - tudo devido ao período de pandemia -, no entanto outro fato me surpreendeu, a quantidade de novos fotógrafos e imprensa no evento, que foram tratados com muito respeito e suporte - como de praxe - pelos organizadores, bandas, seguranças e públicos em geral. Lá era possível ver Sidney Oss Emer, Thiago Habeck e Aline Silva (O Subsolo), Carina Langa e Luiz Harley Caires (Underground Extremo), Heidi Luiza (Cultura em Peso), Priscila Ramos e Junior Dellabeneta (Agenda Metal), ao meu amigo fotógrafo Robson Siqueira e a nós, Guigo e Leandra da Urussanga Rock Music. 


Além da imprensa, organizadores de festivais e bandas que não tocaram nesta edição se faziam presentes no Fest. Além do Bala representando os festivais do Sul de SC, Laura Castegnaro e Liziane Castegnaro (Maniacs Metal Meeting), Marcos Valério e Lu Oliveira (Iceberg Rock Festival), Thomas Antunes e Cyro Wolff (Santana’s Sunday), Thiago Correa (Winter Knights), Leandro Brugnago (Deathkult Warfest) e Sandoval Batista (Maquinaria Rock Fest) estavam nesta edição. Integrantes de bandas como: Alocer, Agony Voices, Atlantis, Balboa’s Punch, Barba Rala, Captain Cornelius, Imago Mortis, Overblack, Posthumous, Rhestus, Saturno Alice, Spiritus Diaboli, Tandra, The Torment e muitas outras, também prestigiaram o OTA como público. 


Chegamos a Otacílio Costa com uns paranaenses fazendo o terror no palco do OTA. A banda Royal Rage de Curitiba exibiu um som rápido, com a ferocidade dos riffs, mas também evidenciou uma pluralidade de ritmos ao remeter ao Baião Nordestino na canção “Lampião”. Além disso, os músicos bradaram em seus discursos contra qualquer tipo de conspiracionismo e acerca do terraplanismo. 


Banda que tradicionalmente é figura carimbada nos festivais de Santa Catarina, a Goaten mostrou solidez, com um show sensacional e que me impressionou do início ao fim. Inclusive com “Bells”, a qual levou headbangers (eu me incluo nisso) a cantarem juntos e realizarem moshes. Em poucas palavras, um power trio violento que tem como autenticidade sua estética e as suas composições. 


O Orquídea Negra foi simplesmente avassalador, fizeram os metalheads se emocionarem com as clássicas baladinhas, “Surrender”, “Christmass Night” e “Miss You”, além de relembrar canções como “Touch Your Dreams”, “Rainbow in The Dark” e mostrar que santo da casa faz milagre sim. E mais uma grande performance do Boca, o qual tem uma das melhores presenças de palco do Metal Catarinense. 


O Icon Of Sin despertou curiosidade em muitas pessoas, primeiramente por ser o primeiro show do grupo que foi fundado em 2020, início da pandemia, porém também pelo fato de ter Raphael Mendes nos vocais, músico conhecido por fazer releituras de músicas do Iron Maiden. No setlist, seu novo disco, o homônimo lançado em 2021, full length este que traz resquícios de um Heavy Metal oitentista, mas com a identidade e versatilidade de Mendes. 


Um dos mais esperados da noite, o The Mist subiu ao palco com uma certeza, de que os presentes no OTA iriam cantar a plenos pulmões, “God Of Black and White Images”, “Flying Saucers In The Sky” e “Scarecrow”. E realmente foi isso que aconteceu, mas evidenciou ainda mais que Vladimir Korg é uma lenda nos vocais do Metal Nacional. 


The Mist

A Mawashi Geri de Passo Fundo trouxe consigo uma proposta totalmente diferente, inspirada naqueles filmes orientais e esboçadas através de canções em japonês que denotam sobre o folclore do país. Além disso, o grupo mostrou ser uma mescla do Metal Moderno, com o Death Metal. 


Após o show dos gaúchos, o ar sombrio e de carnificina se convergiram em um só, e a Ossos de Caxias do Sul literalmente fez um massacre nos palcos do Otacílio, uma vez que, trouxeram uma infinidade de riffs agressivos e céleres, letras que permeiam a maldade e podridão humana e uma estética sanguinária. Como destaque, friso as canções “Igor”, que transpassa a história de um serial killer macabro que ficava insistentemente assobiando, enquanto suas vítimas entravam em estado de desespero, as mensagens para as “tias da igreja” e a baladinha “Imagens do Horror”, que eu mesmo rouco e com tosse, cantava juntamente com Pezzi, porém do outro lado da grade. 


Mas esse seria só o começo da blasfêmia deste sábado/madrugada de domingo. A Malice Garden oriunda da terrinha, aqui de Criciúma fez um show surreal, isso através dos solos de bateria descomunais de João Victor Accordi ou pelos riffs pesados e densos de Spok. Cada canção trazia o clima soturno aos palcos do OTA, que finalizou de maneira única por meio da participação de Otávio Schonhofen nos vocais de "Revenge Against Jesus Christ” ao lado de Orland. 


E uma palavra define a apresentação da Profane Souls de Curitiba - PR, heresia. Profanação esta que mostrou que uma banda de 27 anos ainda permanece com o instinto primitivo e voraz dos primórdios do Black Metal no Paraná. O excelente disco “Ritual de Blasfêmia” foi apresentado aos presentes, principalmente por canções como, “Almas Profanas” e “Na Terra de Satã”. 


A Pressure Gain de Blumenau - SC, executou alguns covers e também apresentou sua nova música autoral, “Woman”, uma canção que fala sobre o empoderamento feminino e acerca da força da mulher na sociedade. Outro ponto a se destacar é pelo grupo ter duas frontwoman, fortalecendo ainda mais o discurso apresentado na composição. A faixa estará incluída no novo álbum, que está sendo produzido por Tiago Della Vega, o guitarrista mais rápido do mundo, que esteve no festival e inclusive tocou guitarra na referida música. 


A Finita apresentou uma mescla de reações e sentimentos, tudo aquilo que era evidenciado no palco era transpassado para o público. Cada performance, dança, gutural, lamúria ou grito se convergia em curiosidade dos headbangers ao olhar uma banda técnica, coesa e que aposta esteticamente em uma imagem, ora sombria, ora inesperada. Um dos principais momentos da apresentação foi na inserção da canção “Valsa dos Exumados”, a qual difundiram um lyric vídeo há seis dias. 


Original, autêntica e de uma celeridade sem tamanhos. Essas são as principais características da banda paulistana, The Damnation. O Power Trio feminino de Thrash Metal fez com que o palco do Otacílio Rock Festival virasse uma catástrofe de riffs e berros, peculiaridade marcante em cada composição. 


Cülpadö de Curitiba é mais um projeto do talentosíssimo e experiente multi instrumentista, Jeff Verdani (Jailor, Axecuter, Murdeath, Sad Theory) que teve uma ideia sensacional de fazer uma banda que contasse histórias sangrentas e macabras que ocorreram no país e ainda estão vívidas no imaginário coletivo. Além disso, o peso descomunal e a sincronia do fundador com os integrantes, Kevin (Guitarra) e Alan (Bateria) trouxeram uma atmosfera ainda mais densa à sonoridade. 


A Selvageria fez um dos melhores shows possíveis de uma banda de Speed Metal. Com a reformulação na formação, diferente daquela que se já havia se apresentado no OTA em 2018, os paulistas elevaram o instrumental a algo ainda mais cru e ao mesmo tempo brutal, não dando espaço para firulas e incluindo a potencialidade de cada arranjo como diferencial. As suas canções mais notáveis, “Hino do Mal” e “Trovão de Aço” renderam inúmeros moshes e fizeram o público cantar cada verso. 


Selvageria
“Believe, It’s True” logo de cara foi a primeira canção apresentada pelo Tuatha de Danann que realizou um dos maiores shows que eu já pude presenciar, seja pela questão sonora, na inclusão de flautas, mandolin e pela sincronia única de cada integrante, principalmente pela inserção dos vocais do baixista Giovani aos do vocalista Bruno Maia. Pela primeira vez na Serra Catarinense, o ambiente foi propício para os músicos ingressarem suas mitologias próprias, o folclore celta e a fantasia de cada show do grupo. Há quem diga, por aquelas searas, que viu no público a figura de Leprechaun ou de algum troll inebriado pela atmosfera mística que os mineiros nos proporcionaram. Entre as clássicas tocadas pelo Tuatha, estavam “Tan Pinga Ra Tan”, “We’re Back”, “Turn”, “Land Of Youth” e  “The Last Words” que se encerrou de uma maneira mágica o evento. 


Tuatha de Danann

Como o foco do nosso portal são músicas autorais, priorizamos aqueles que possuem músicas próprias. No entanto, o fest ainda contou com Vintage Valda Vinil, Diabolus Intervention (Cover de Slayer), Filhas do Velho e banda Os Kuatro. 


As fotos do restante das bandas e dos festivais serão postadas aos poucos, assim como os vídeos e o audiovisual sobre a décima quinta edição do evento.


*Não poderíamos deixar de citar um fato ocorrido na noite de sábado, primeiro dia do evento. Pois, uma moça que estava presente no público, Hagata Christie, foi vítima de falas racistas proferidas por um homem que também tentou atacar com um canivete um amigo da vítima. Como ele estava visivelmente transtornado, os seguranças do OTA foram rápidos para tirá-lo do evento e evitar que algo mais grave pudesse acontecer. A Urussanga Rock Music se compadece com a Hagata e se opõe a toda e qualquer manifestação racista, intolerante ou preconceituosa.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

De duendes a folclore japonês: Otacílio Rock Festival retorna com edição insana em comemoração aos 15 anos

Após o período sabático da pandemia, um dos maiores festivais do Brasil, o Otacílio Rock Festival, retornará. O evento que reúne milhares de headbangers e metalheads na Fazenda Cambará em Otacílio Costa – SC, tem data e line-up definidos. Dias 11 e 12 de março, a belíssima Serra Catarinense é caminho dos grandes.

O ano de 2020 ficou marcado principalmente pela disseminação em massa da pandemia do Covid-19, mas no início daquele fatídico ano, o OTA (carinhosamente denominado pelos fãs) recebia roqueiros de várias regiões do país para assistir Armored Dawn, Korzus e os paraguaios do Suburban Bastards. Porém, os organizadores Denilson Luiz Padilha, Nani Poluceno e Elienai de Souza mal sabiam que outra edição demoraria três anos. No entanto, a sede pelo bom e velho metal, a saudade do camping e a nostalgia dos amigos falaram mais alto e hoje o Otacílio ressurge em grande estilo.

Foto/Divulgação

Para firmar essa parceria, a icônica banda de Folk Metal de Varginha - MG, Tuatha de Danann retornará a Santa Catarina. Com letras inspiradas em histórias da mitologia celta, o grupo fará espetáculo recheado de fantasias, espíritos ancestrais, misticismo e danças folclóricas. A banda carrega em sua discografia, cinco discos de estúdio, “Tingaralatingadun”, “The Delirium Has Just Began...”, o precioso “Trova di Danú”, “Dawn of a New Sun” e o mais recente “In Nomine Éireann”.

Representando o Thrash Metal, o The Mist, é considerado por muitos, uma das maiores bandas nacionais. São 34 anos de trajetória e uma história recheada de riffs sólidos e céleres que nos renderam as obras-primas: “Phantasmagoria” e “The Hangman Tree”. Com a reformulação do grupo, os mineiros estão ávidos ao divulgar seu mais novo EP, “The Circle of the Crow”.

Se o assunto é agressividade, nada melhor que uma banda de Speed Metal. Com o espírito inescrupuloso do Metal e vestimentas que remetem ao Glam Metal, a Selvageria retorna a Otacílio Costa, lugar onde instauraram o caos em 2018. Os paulistanos possuem dois discos de estúdio, o homônimo lançado em 2009 e o “Ataque Selvagem”, sua última produção.

Lembrado pelos vídeos de imitações de Bruce Dickinson, Raphael Mendes, traz um novo projeto à tona. Intitulado “Icon Of Sin”, o grupo possui como referência o Heavy Metal. Em 2021, o quinteto curitibano lançou o disco “Icon of Sin”, no qual evidenciou inspirações distintas, de Accept a Helloween em versos que trazem o saudosismo dos anos 80.

Formada apenas por mulheres, a The Damnation aposta no Thrash/Death Metal em seu primeiro disco, “Way Of Perdition”. Com dez canções, o full length foi considerado um dos melhores lançamentos nacionais de 2022.

Originária de Santa Maria – RS, a Finita possui resquícios do carregado e grave, Gothic Metal. Com letras inspiradas na misantropia em detrimento ao existencialismo, o grupo que já possui treze anos de estrada, traz o novo disco “Above Chaos”. 

Provenientes também do estado vizinho, a banda Mawashi Geri traz uma nova proposta, inserir o folclore japonês nos meandros do Progressive Death Metal e fazem isso com maestria, podendo ser evidenciado pelo disco “Yomi Yokai” de 2018.

Os amantes do Black Metal também não ficarão órfãos nessa edição, uma vez que, diretamente de Curitiba, a Profane Souls traz o que de mais herege e blasfemo contém no estilo. A chama corrosiva se faz presente no disco “Ritual de Blasfêmia”, difundido em 2021.

Já a Cülpado é um projeto recente do multi-instrumentista, Jeff Verdani. Ele juntou todas as referências e criou uma maneira ímpar de criar suas músicas, sendo em português e contendo histórias de seriais killers.

Formada em 2018, a Goaten do Vale dos Sinos – RS, já possui diversos trabalhos em sua discografia, seja pelos singles “Soul Decay”, “Mistress Of Illusion”, “Bells”, “Sacrifice” ou através dos EPS, “The Following” e “Crimsom Moonlight”. Peso, coesão e arranjos técnicos são presentes em ambos materiais, o que proporciona aos músicos, a solidificação no cenário do Metal Gaúcho.

Com trinta e cinco anos de atividade, o Orquídea Negra é considerado uma das maiores bandas do Heavy Metal brasileiro. “Who’s Dead”, “Orquídea Negra” e “Blood Of Gods” são três obras-primas do estilo e seus clássicos, como “Surrender”, “True Soldier”, “Miss You” e “The Darkness” não podem faltar nas playlists dos que comparecerão ao OTA 2023.

Aquele Black Metal mais primitivo, sujo, também dá espaço ao experimental, novos solos, novas linhas de baixo e principalmente um som mais arrastado e técnico. Essas são características da nova roupagem da banda criciumense Malice Garden. Os músicos mostram que a atual formação e as novas referências contribuíram e muito para seu recente material, “Denying Creation”.

Quando o Thrash Metal e o Crossover se fundem, rola aquela catástrofe. E disso a Ossos de Caxias do Sul – RS entende. Em seu vigésimo quarto ano em atividade, os músicos exibem a pura celeridade por meio dos discos, “O Caos em Mim” e “Contos do Necrotério”.

Frequentemente nos eventos e fests catarinenses, a Pressure Gain de Blumenau -SC se destaca pelo Rock n Roll, por meio do enérgico Hard Rock e também apostando em pinceladas do Heavy Metal. O grupo conta com a singularidade de ter duas vocalistas como frontwoman e de possuir três videoclipes disponíveis através da plataforma do YouTube, “Crazy Night”, “Lonely Soul” e “There Is No End”. Recentemente os blumenauenses estão no desenvolvimento de um novo material.

A Royal Rage mostra que o Thrash Metal está mais vivo do que nunca. O grupo paranaense possui o disco “Conquer”, no qual contém 10 faixas. 

De volta aos palcos, a banda lageana Filhas do Velho retorna ao OTA. Com uma nova formação contando com Jay no vocal, Mayte no baixo, Dhenifer na bateria, Vivi e Ana Flávia nas guitarras, as meninas pretendem trazer clássicos do Rock n Roll e Heavy Metal. O evento ainda contará com a Diabolous Intervention trará um tributo ao Slayer, com a Os Kuatro e também com a participação do Valda Vintage Culture na discotecagem tocando hits do Rock.

Excursões estão sendo feitas de várias regiões, tais como Caçador, Criciúma, Curitiba, Laguna, Passo Fundo, entre outras cidades. Sabendo que os valores do ingresso para as excursões são do primeiro lote, R$ 120,00 + 1kg de alimento não perecível. O underground precisa cada vez mais de força e o OTA resiste ao tempo e as adversidades, por isso, arrume a barraca, o colchão, a lona, a churrasqueira e se prepare para mais uma edição.


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Iceberg Rock Festival: décima edição marca a volta dos festivais catarinenses

Nos dias 14, 15 e 16 de janeiro, os roqueiros e amantes do Rock/Metal do Sul do país estiveram presentes no Iceberg Rock Festival - evento que comemorava seu décimo ano de atividades-, na cidade de Lontras, Alto Vale Catarinense. Juntamente com o canal Metal Valhalla, nos deslocamos ainda na sexta-feira em direção ao “Ice”, carinhosamente chamado pelos headbangers. 

Mais de 280 km, serras e condições climáticas diferentes marcaram seis horas de viagem. Chegamos ao tradicional Camping Paraíso, com o término da banda riosulense Captain Cornelius, que ávidos por uma diversão, contagiaram o público presente. Mesmo não estando presente nos shows das bandas anteriores, a atmosfera no festival, era só uma, a felicidade de acompanhar um evento depois de quase dois anos de pandemia. 

Com o amanhecer do dia, foi mais visível notar as modificações, seja no camping, com alterações precisas relacionadas ao palco, ao icônico morro, à piscina disponível e uma variedade de comidas e também de bebidas, podendo suprir a necessidade dos vegetarianos, abstêmios, bebuns profissionais, e de qualquer um que procurasse por um bom lanche. 

O organizador Marcos Valério, feliz e contagiado pelo clima do evento, conta que os resultados superaram as expectativas. “O Iceberg entrou com tudo no cenário dos festivais. O público comprou a ideia e houve venda recorde de ingressos, fato antes nunca ocorrido.”

Os atrativos naturais também foram um destaque desta edição. As trilhas regadas à conexão sinérgica com a natureza, os rios, cachoeiras e quedas d'águas nunca foram tão acionadas pelo público, que em estado de êxtase - e com muito calor- aproveitava as belezas do Camping Paraíso. 

Acostumado em realizar festivais, o organizador do Agosto Negro e do Laguna Metal Fest, Danniel Bala, lembrou da força dos eventos e da união dos mesmos. “Houve uma renovação do público. Um exemplo disso é o ICE, pois há muitos amantes do Death/Black Metal, dos estilos mais pesados que compareceram ao evento e retornarão nas próximas edições”. 

As barracas, gazebos, sacos de dormir e quiosques tinham pessoas que vieram de várias regiões do Sul, seja de Curitiba, Porto Alegre, ou cidades como Tubarão, Blumenau, Joinville e Brusque, que trouxeram muitos adeptos ao estilo. Além disso, bandas como Overblack, Soulthern, The Torment Horde, Juggernaut, Despair Shadow Void, Sodamned, Volkmort, Luciferiano e Apócrifos, mesmo sem se apresentarem, estiveram com alguns de seus integrantes presentes no evento. 

Cotado à primeira apresentação, o vocalista da Vlad V, Jean Carlo, por problemas pessoais não conseguiu comparecer, assim como a Saturno Alice de Lages (no qual um integrante testou positivo para Covid-19), e o músico escocês Jimi Jamieson Band, que também teve a apresentação cancelada. Mas nada abalou ou interferiu no andamento das atividades. 

A Pressure Gain de Blumenau foi o primeiro grupo a subir no palco do sábado. Com uma mescla de covers de Hard Rock e Classic Rock, a banda surpreendeu o público, ao apresentar suas canções autorais, Crazy Night, Lonely Soul e There Is No End com a presença de duas frontwomen. 

Enquanto isso, a garoa se instalava no Camping Paraíso, e a Battalion colocava seus 15 anos de atividades no palco, ao protagonizar uma catástrofe de riffs céleres e com o peso descomunal, que é característico da banda. 

A Carttada de Curitiba - PR fez um show surpreendente. Com suas músicas autorais, protagonizou rodas e moshes, que com a tradicional lama, turbinou ainda mais os metalheads. Como ninguém é de ferro, os integrantes que voltariam a se exibir com o Mortorbastards, deram espaço para uns riosulenses que a cada show estão melhores e mais síncronos, a Balboa’s Punch, que nocauteou os presentes com sua sonoridade agressiva. 

E mais agressivos do que nunca, a Motorbastards trouxe os clássicos do Motorhead. Como último show da banda, Carlos Nunes, evidenciou cada riff dos britânicos da maneira mais intensa possível, rendendo novamente, algumas rodas punks. 

Uma das headliners, a Hillbilly Rawhide ingressou no palco em um momento mágico para o evento, com o acendimento da fogueira e uma a quebra do clima, possibilitando uma atmosfera mais cadenciada, executada pelo Country Rock, Bluegrass e Psychobilly dos paranaenses. No show, os músicos tocaram seus maiores sucessos, “Vida de Bandoleiro”, “Caramuru Calibre 32”, “Cavaleiros da Morte”, “Uma Cachaça, Uma Cerveja e Um Remedinho”, “O Enxofre e a Cachaça” e canções do novo álbum. 

O domingo amanheceu com “um sol para cada um”, e a Pedrada que não tinha nada a ver com isso, acordou os headbangers e trouxe os menos acalorados para frente do palco, com a execução de seu Thrash Metal potencial. Logo em seguida, a Raging War deu continuidade na desgraceira, se consolidando como uma das maiores bandas de Santa Catarina. Durante a apresentação dos brusquenses, o vocalista Rudi Vetter dedicou a canção “Strength for Better Days” em homenagem ao headbanger Diego Luz, morto no ano passado, vítima de acidente de trabalho. Diego era um ávido frequentador dos festivais em SC, e nesse Iceberg com certeza estaria participando. 

A Gueppardo estava na divulgação do seu novo trabalho “I Am The Law”. Sempre bem técnicos e postados, os gaúchos trouxeram os metalheads para frente do palco através de seu Heavy Metal/Hard Rock. A última a se apresentar carregava consigo 36 anos de estrada e clássicos como “Surrender”, “Christmas Night”, “Miss You”, “The Darkness” e tantos outros que se situam entre os hits do Heavy Metal brasileiro até os dias de hoje. Oscilando entre os vocais de Boca e Felipe Holmack, o Orquídea Negra finalizou o festival com chave de ouro. 

Em março, nos dias 05 e 06 será a vez de mais um grande dos festivais de Santa Catarina. O Otacílio Rock Festival fará sua 15ª edição, e o line-up está cada vez mais completo e recheado de música de qualidade.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Aline Amorim: A voz encantadora da MPB que está conquistando Santa Catarina

A cidade de Lages – SC, é um berço para a música catarinense, de lá saíram Expresso Rural, Lenzi Brothers, Quarteto Coração de Potro, Orquídea Negra, João Vedana e tantos outros artistas renomados em seus respectivos ritmos ou estilos.

A MPB tanto na Serra Catarinense, quanto no estado de Santa Catarina, gradativamente vem crescendo e trazendo novos nomes, que emergentes trazem conexões com artistas regionais, desenvolvem um estilo ímpar de composição e transcendem o que de mais belo há, na musicalidade brasileira.

Dona de uma voz encantadora, a musicista e compositora Aline Amorim, vem se destacando no que tange à música popular, R&B, Bossa Nova e Soul. A artista começou sua carreira fazendo releituras de clássicos da música. Em seu canal do YouTube, é possível encontrar covers, desde Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Toquinho, Liniker & Os Caramellows, até Eddie Vedder, Queen e David Bowie.

Foto/Divulgação


Além do seu trabalho solo, a musicista possui uma banda chamada Raccoon Club, onde há desde Sinatra até músicas autorais. Através do grupo, a cantora mostrou toda a potência vocal e sua performance surreal nos palcos.

Em uma reportagem feita pelo Diário Catarinense, a artista deu detalhes sobre o seu primeiro Ep “Sons Que Me Tocam”, que foi lançado no final de fevereiro e possui três canções, das quais, cada uma faz parte de uma fase distinta da vida da compositora. Em seu canal, ela explica um pouco de cada faixa, seja relacionada a composição, referências, influências ou o modo que fora feita cada canção.

No início desse ano, Aline difundiu o videoclipe da música “Despertar”. A faixa que está presente no material divulgado, enfatiza a simplicidade dos pequenos detalhes, e as cenas cotidianas, como a chegada dela na casa da pessoa que ela gosta e da calmaria personificada em cada nota do violão. No vídeo, foi usado uma técnica de fotografar quadro a quadro e criar movimentos a partir disso.

Recentemente, a cantora lançou o clipe de “Único Fim”. No audiovisual, Aline aposta nas nuances de sua performance no palco e em alguns takes na trama, ao passo de evidenciar as excelentes atuações dos atores Marcio Rosa Machado e Marcelo Regueira. A letra personifica um momento ruim que a musicista estava passando, através de um sonho que teve onde ela morria.  Então, em virtude disso, a cantora solidificou o recomeço, e colocou como objetivo, transpassar sua arte como legado, uma vez que no sonho, se sentira impotente por não ter dado continuidade com seus materiais. Então, a música abre um elo como uma epifania e de acordo com isso, é possível perceber cada sentimento proposto pela compositora, seja dos mais profundos aos mais sutis.


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