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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Parceiros do Underground #8: Nathalia Neiva (Coletivo Brasa)

Dessa vez o Parceiros do Underground em sua oitava edição explicita um pouco da trajetória da Nathalia Neiva que é idealizadora do Coletivo Brasa, produtora independente responsável por movimentar o cenário do HC catarinense.

A designer nos contou acerca da sua trajetória no underground e sobre os novos projetos relacionados a música. 



Como foi o seu primeiro contato com o Rock/Metal?

Nathalia: Acho que foi assim como o de muita gente: família.
Lembro que eu tinha uns 7 anos quando comecei a escutar os meus primeiros “rocks”. Conheci bandas como Linkin Park e Cpm 22 (que estavam bem em alta na época) por meio de um primo mais velho. Depois do primeiro contato, nunca mais parei (risos).

Quando surgiu a ideia da criação do Coletivo Brasa?
Nathalia: Surgiu após uma proposta para armar um show do Bullet Bane (SP) há um ano. Três amigos que já haviam tido uma ou duas experiências com produção de shows, mas nunca se comprometido de fato como algo maior. Foi então que eu propus a ideia do Coletivo para meus sócios (na época), ambos toparam e seguimos com o planejamento para aquele show e para os demais que vieram a seguir.



Qual o intuito do surgimento da mídia e o procedimento de designação?
Nathalia: O Coletivo Brasa nunca foi visto como uma produtora de fato, tanto que trabalhamos sem fins lucrativos. O intuito do surgimento e o principal motivo de existência é a possibilidade de nos integrar e nos conectar com a cena independente e autoral brasileira, de maneira que pudessemos formar uma teia de relações com amigos, bandas, estúdios, casas de show e artistas em geral. Como nossa visão sempre foi muito fraternal, tudo foi fluindo de forma natural.

Quais as principais matérias que destacaria como as melhores?
Nathalia: Todas as experiências que eu tive por meio do Coletivo Brasa foram fantásticas, mas é claro que conforme o tempo foi passando as coisas iam melhorando de forma gradual. Acho que o grande marco foi o começo deste ano, onde realizamos, ao lado do amigo Felipe Conrad (Porão do Som), o “Hardcore Is Back 5”. A partir deste evento nossa visibilidade e nossa maneira de pensar/agir foi se tornando cada vez mais profissional. Começamos a acreditar de verdade que o tempo investido em nossos sonhos nos levaria a algum lugar.
Mas acredito que tudo começou a vingar de fato no segundo semestre de 2018, quando fechamos parceria com o O’brien’s Irish Pub de Balneário Camboriú. Lá já realizamos eventos inesquecíveis: Bullet Bane (SP), Menores Atos (RJ), End of Pipe (SC) + Bizibeize (SC) e a incrível 1ª edição do Festival de aniversário do projeto, o “Grrrls To The Front” com a participação do Miami Tiger (SP).

Como se dá o procedimento de elaboração das matérias? Há algum critério utilizado?
Nathalia: Fazemos tudo com muito amor, mas como trabalhamos sem fins lucrativos sempre optamos para eventos que sejam de total interesse nosso, envolvendo nossos gostos pessoais. Mas de qualquer maneira sempre tentamos ajudar quem nos procura. Se não conseguimos encaixar na nossa agenda, estamos sempre prontos para apoiar eventos de bandas amigas de alguma forma. Indicamos casas, realizamos divulgações em nossas mídias digitais e incentivamos a produção artística em nossa região.

O meio Rock/Metal tem certa predominância machista. Você já enfrentou algum preconceito relacionado a isso por ser mulher?
Nathalia: Particularmente não me lembro de ter enfrentado algum tipo de preconceito direto por ser mulher, na verdade comigo sempre teve muito carinho pelos amigos que fiz por meio do Coletivo Brasa. Mas, em contrapartida, sempre há o machismo indireto neste meio. Muita gente considera que se existe membro homem na equipe, supostamente é ele quem toma as frentes do projeto.

Há receptividade das bandas com o seu trabalho? Há alguma experiência negativa?
Nathalia: Desde o começo a receptividade foi enorme. Agradeço de coração por todo apoio e confiança que as bandas depositam no nosso projeto. Zero experiências negativas!

Como você enxerga o papel das mídias no cenário atual independente?
Nathalia: Eu acho de extrema importância! Nós nos criamos por meio de mídias digitais e continuamos vivos por elas. Resistimos juntos justamente pela conexão que mantemos uns com os outros virtualmente, já que não contamos mais com o apoio das grandes mídias de comunicação, como era no começo dos anos 2000. Infelizmente não existem mais espaços para as pessoas conhecerem o cenário independente de forma “mastigada” como acontecia na falecida MTV, por exemplo. Hoje as pessoas tem que procurar por isso.

Quais os novos projetos para o Coletivo Brasa?
Nathalia: Para este ano já temos confirmado:
19/10 - Hardcore Contra O Fascismo - Edição Baln. Camboriú: Bayside Kings (SP) + Fatal Blow (SC) + Ataq Coletivo (SC)

17/11 - Blackjaw (SP) + Wiseman (SP)
23/11 - Bullet Bane (SP) + Manual (SP) + Quazimorto (SC)

O cenário HC catarinense é unido?
Nathalia: Sim! Talvez um pouco espalhado, mas considero unido sim. Ao longo dessa curta jornada já conhecemos amigos que significam muito para a gente e para o projeto. Gente que agrega de uma maneira extraordinária para nossa vida profissional e só conhecemos por causa do meio. Na minha visão, é muito duro batalhar na cena sozinho. Quanto mais amizades e mais pessoas trabalhando nos mesmos ideais, melhor a caminhada. Sejamos cada vez mais Coletivo!

Cinco bandas com integrantes mulheres.
Nathalia: Vai oito!
Naome Rita (PR), Saint Pradier (SC), Ataq Coletivo (SC), Profasia (SC), Menage (SC), Miami Tiger (SP), Far From Alaska (RN), Deb and The Mentals (SP).

Cinco bandas catarinenses.
Nathalia: Bizibeize, End of Pipe, O Mundo Analógico, Quazimorto, Próspera.

Cinco festivais.
Nathalia: Hardcore is Back (SC), Oxigênio Fest (SP), Curitiba HC Fest (PR), SWU – Starts With You (SP), Rock City Festival (SC).

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade pela entrevista. Se puder, deixe um recado para nossos leitores.
Nathalia: O que há de mais precioso nos dias em que vivemos – e, principalmente na situação política em que nos encontramos – é mostrar e sentir que ainda existem pessoas que pensam diferente. Poder construir laços com pessoas só pelo fato de compartilhar dos mesmos sentimentos é incrível. Melhor ainda é poder confiar e depositar as energias positivas em quem você chama de amigo.
A gente vive em um sistema em que o dinheiro se torna necessário sim, mas jamais podemos deixar que um pedaço de papel controle nossas vidas. A partir deste posicionamento começamos a nos questionar: Será que basta ter dinheiro?
Na minha visão, existem moedas muito mais valiosas que o dinheiro. São moedas abstratas que preenchem espaços que o dinheiro não pode comprar. E posso afirmar: não há dinheiro no mundo que pague o sentimento de fazer a diferença!

Obrigada Urussanga Rock Music pela oportunidade e pela visibilidade.
“Tamo junto!”


terça-feira, 4 de setembro de 2018

O Subsolo: Mídia Independente Comemora Seus Três Anos

No dia 01/09 em plena independência do Uzbequistão, só que 17 anos depois no litoral sul de SC surge O Subsolo.



A mídia até então idealizada por Maykon Kjellin começou de forma gradativa a fincar seus pés no underground. Tudo isso fora somado a um profissionalismo, competência, trabalho árduo e dedicação nas postagens.

Não obstante, deixa-se claro aqui toda a equipe, os colaboradores que compartilham seu tempo em desenvolver ideias, vídeos, entrevistas, releases e demasiadas matérias. Trabalhadores estes como Vinicius Saints, Thabata Solazzo, André Bortolai, Marcel Caldeira, Thabata Vieira, Sidney Oss, Luiz Harley Caires, Caio Botrel, Rony, Alison Netto e Wendell Pivetta.

Nessa repentina caminhada, a mídia figura-se como uma das principais em geração de conteúdo musical em SC. Obviamente isso se personifica na aceitação e receptividade perante o público. Já aconteceram dois festivais, ambos com oito bandas autorais, seis encontros de bandas O Subsolo, três coletâneas físicas e mais de 40 eventos com a logo do site.

Um dos motivos da Urussanga Rock Music voltar à ativa, foi a criação da imprensa. O mentor Maykon Kjellin concedeu um apoio surreal, com feedbacks positivos, construtivos e sempre mantendo o espírito coletivo e explicitando uma ajuda, um auxílio para que nós pudéssemos regressar essa caminhada. E lá se vai anos de parceria, amizade e colaboração.

O site teve outros personagens muito importantes ao longo de sua trajetória que infelizmente vieram a desligar-se do quadro dos escritores. Nomes como Jordana Aguiar e Karine Nunes, além do colunista Hermes Gregório e do “quebra-galho” Michel Spadel. Esse último com uma visão muito ampla e progressista sobre o cenário, e pelo fato de manter um conhecimento sobre esses aspectos traz consigo a bagagem do underground.

Como é o aniversário do O Subsolo, aqui eu listo as cinco melhores matérias na minha humilde opinião, o “Top Five” da URM (é claro que tem mais matérias bacanas, apenas citei algumas):

0    01- 10 dicas para bandas iniciantes (Maykon Kjellin)
0    03- Top Five Mulheres no Underground (Maykon Kjellin)
0    04- Flesh Grinder- Nomina Anatomica (Luiz Harley Caires)
0    05- Feminismo na música: She Hoos Go (Thabata Solazzo)

A Rádio Web Subsolo também foi outro passo importante para a mídia que enquanto esteve no ar mantinha um elo muito grande conosco e com todos os demais integrantes do cenário musical brasileiro. E em uma das transmissões, tivemos a honra de sermos entrevistados e contamos um pouco dos projetos, ideias e planos futuros. #VoltaWebRádioOSubsolo

Sem mais delongas, venho fortalecer o elo e que O Subsolo continue mais ativo do que nunca!


domingo, 26 de agosto de 2018

Parceiros do Underground #7: Marcio Gomes (Skullto)

A sétima edição do “Parceiros do Underground” teve com foco, a difusão dos materiais virtuais e assuntos relacionados ao cenário catarinense musical.
O bate-papo dessa vez foi com o publicitário Marcio Gomes da mídia independente Skullto de Florianópolis - SC que contou-nos um pouco mais sobre sua trajetória na música.




Quando você teve o primeiro acesso à musica, ao Rock/Metal?
Marcio: Contato mesmo aos meus 14 anos, isso em 1992 me apresentaram uns vinis, e no rolo veio:  Motorhead “No Sleep ‘till Hammersmith', Helloween “Live In The U.K.”, Iron Maiden “7 son of the 7 son”,  Venom “Black Metal”, Accept, Ac/Dc, Sepultura, Metallica entre outros. Foram uma semana de pauleira rolando com uns brother da mesma faixa etária.

A Skullto está ativa há quanto tempo na imprensa independente? E qual objetivo inicial do Fanzine?
Marcio: O Skullto foi criado em 13 julho de 2017, completou um ano. O objetivo inicial era disponibilizar o material para download com o consentimento da banda. Porém, muitas se propuseram disponibilizar, outras colocaram restrições. Mas, a maioria dos grupos que está no site aceitaram!

Mas, eu já fazia fanzine, em 1995 criei o Sound Penetration Zine, o qual obtive muitos contatos como: Anthares, Blessed (banda do finado Fabiano Penna), D.F.C, Tormento dos Vizinhos, Dark Avenger (difícil de engolir até hoje a partida do grande Mário Linhares), Post Trevor (Tubarão/SC), In Memorian, Concreteness, Hard Money, White Frogs, Blind, Calibre 12. Em 1996, eu e o Sérgio do Fly Kintal Zine recebíamos muitas bandas 4fun, mas, colocávamos nos fanzines, porém, era algo que víamos com certo receio e resolvemos montar o Todo Juca Zine, para tirar sarro, fazer tirinhas cômicas e direcionado para as bandas 4 fun.

Quais são as suas principais influências musicais?
Marcio: Curto muito Thrash Metal e Crossover, mas, sou bem eclético, escuto Punk, Hardcore, MPB, saudosamente alguns bregas que lembram meu Avohai (como dizia Zé Ramalho) e isso é marcante para mim.

Como se dá o processo de elaboração de matérias? Você utiliza algum critério em especial?
Marcio: A banda envia o material e é divulgada independente do estilo, lógico existem as exceções, as quais incitem violência ou imposições políticas, deixando desconfortável o próximo. Estes assuntos que devem ser analisados.

Para você, quais foram as principais postagens divulgadas no site desde o seu início?
Marcio: Trato todas com a mesma importância, a energia em fazer a matéria é sempre animada, mas, lógico, quando vemos bandas antigas como: Salário Mínimo disponibilizando o material e matéria, Torture Squad, 40 anos de Punk, marcam bastante!

Qual sua visão sobre o cenário catarinense musical e suas respectivas mídias?
Marcio: Olha, sou de Manaus, morei em Santo André/SP por cinco anos, mas, aqui a Cena é bastante agitada, bem ativa!!! Festivais acontecendo simultaneamente, agora, uma coisa me chamou bastante atenção e comum em todos os estados, o mesmo bla bla bla de que a cena está fraca, que o público não coopera, músicos não ajudam a divulgar o próprio show, isso sempre existiu e sempre existirá.
Fui em um show onde 2 pessoas (eu era 1) estavam assistindo a banda que nem vou citar para resguardar, os caras vieram de SP e em seguida foram tocar outro dia num festival. Os caras tocaram com a mesma ênfase como se tivesse um público gigantesco.

As mídias, acho muito foda e que se ajudam!!! Correm atrás de matérias e materiais a divulgarem, sempre buscando inovação, apps, web rádios, vídeos.

O nome Skullto traz à tona várias interpretações como o de “escutar” e de “skull (caveira)”. Como foi o procedimento de escolha?
Marcio: Cara, eu estava chamando dois amigos para fazer o site comigo, e tinha outro nome, tipo “énoise”. Uma bela noite cheguei do trampo, fui tomar banho e estava martelando o projeto na mente, até que eu lembrei de uma pulseira que comprei de um hippie, comprei uma para mim e outra para meu filho.
Gosto muito de brincar com a palavras fazer trocadalhos do carilho kkkkkkk, então, veio em mente isso, a skull da pulseira e ela tem a Rosa dos Ventos, justamente da ideia anterior que era colocar bandas underground de todos as regiões (Norte, Sul, Leste e Oeste).  Isso encaixou perfeitamente na ideia, de repente eu tinha verbalizado eu skullto, tu skulltas, eles skulltam, nós skulltamos, vós skulltais e eles Skulltam.
Porra, foi a sacada, parei, pensei Skull (Caveira) + Escuto e no meio algo dando sentido a cultuar o underground onde se encaixa o som de cult também. Neste mesmo dia fui verificar se tinha domínio registrado nas redes sociais sobre o nome.

Acho muito interessante o jeito com que você aborda as suas respectivas postagens, sempre mantendo o critério imparcial e fomentando a legalidade na elaboração das pautas. Qual a receptividade das bandas acerca das suas matérias?
Marcio: São bem aceitas, inclusive, retornam com qualquer novidade ou atualização, para que seja novamente divulgado. Eu altero, ajusto, atualizo, crio novas postagens, para saber realmente o que acontece.
Eu gosto de respeitar sempre as características de cada banda/projeto, assim, como os direitos autorais, afinal, sabemos as lutas vividas para que um projeto se concretize e tornar público sem consentimento é um ato desonesto, assim, como queremos um país melhor, devemos começar em pequenos atos e um deles é o respeito.
Por isso sempre dou ênfase na legalidade pelo consentimento do trabalho divulgado e respeitar as legislações, evitando quaisquer problemas e inclusive mantendo o site no ar sem estar em blacklist.

Há algum novo projeto em desenvolvimento?
Marcio: No momento, não.

Você acredita que ainda acontece segregação de estilos no nicho independente musical?
Marcio: Sempre há, hoje em dia menos, mas, existem sim uma minoria que querem se impor.

Qual sua visão da ascensão de materiais virtuais?
Marcio: Eu ainda curto mesmo o material físico, valorizo a arte, o artista, as ideias. A ascensão virtual é ótima na ampla divulgação da banda, lembro que antigamente para receber umas dt’s, quando não eram extraviadas, eram quebradas pelo carimbo do correio.
Era bem complicado, você fazia um trabalho manual de troca de carcaças, e aí tinha uma novidade para tocar no deck, se não desse o azar de ter cortado a fita ou ficar machucada, quando chegava em um bom estado, maravilha, e demoravam aí uns 15 dias, para ouvir o som da banda.
Hoje, você subiu, indicou em menos de um minuto você pode estar com um material de outro lado do mundo. Porém, a arte ficou em segundo plano, mesmo assim, é um ótimo canal de divulgação!

Cinco bandas catarinenses.
Marcio: Battalion, Skombrus, Khrophus, Insurgentes e Insalubre

Cinco bandas brasileiras.
Marcio: Krisiun, Korzus, Zumbis do Espaço, Ratos de Porão e Salário Mínimo

Cinco zines independentes.
Marcio: Aqui vou misturar um pouco o tradicional com as mídias online: curto muito o Fly Kintal Zine de Manaus/AM, Unidos Pelo Metal de Mauá/SP, Cultura em Peso, Comando Metal Zine e FanzineMosh.

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade pela entrevista. Se puder, deixe um recado para quem nos acompanha.
Marcio: Conheci o Guigo há pouco tempo, mas admiro o trabalho dele frente a Urussanga Rock Music, correndo atrás de entrevistas, de unir as mídias. As abordagens diretas sem rodeios e com conteúdo bastante rico!!!! Vale muito acompanhar o trabalho do Guigo!!!


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Parceiros do Underground #6: Daniel TJ (A Hora Hard)

O quadro “Parceiros do Underground” gradativamente recebe histórias e depoimentos ímpares sobre o cenário musical catarinense. Dessa vez, o professor, historiador e escritor Daniel TJ explicou um pouco sobre união na cena, novos projetos da AHH e muitos outros assuntos relacionados a música e derivados da mesma.

A Hora Hard é uma das principais influenciadoras para a concretização do projeto da Urussanga Rock Music que surgiu a partir de matérias seja radiofônicas ou audiovisual mantidas pela mídia independente criciumense no início dessa década. Então isso propiciou a ideia para a difusão da cena sul catarinense que é bastante lembrada pelo professor abaixo na entrevista.




Quando e como foi o início da sua trajetória no Rock/Metal?

Daniel TJ: Foi tardiamente em comparação com outras histórias de vida, na escola em que estudei com bolsa, meus colegas quando tinham diskman eu nem tinha cds, quando eu tinha alguns cds (coletâneas gravadas em pc por amigos) já havia chego os mp3/mp4, eu me via sempre um ou dois passos atrás, mas nunca sofri bulliyng por minha condição, isso na verdade me despertou bem cedo para problemas de classes sociais.

Quais eram suas maiores influências da época?

Daniel TJ: Na família era Raul Seixas, Jovem Guarda, Zé Geraldo e RC. Com amigos (escola e futebol) foi CPM22, Gabriel o Pensador, Raimundos, CBJr, Planet Hemp, RATM e depois de alguns anos chegou o hardcore californiano F2F, NOFX, Unwritten Law, Goldfinger, Pennywise, Lagwagon e minha vida mudou com punkrock Tequila Baby, Inocentes, RDP, Cólera e com certeza esqueci de muita coisa...

A Hora Hard foi criada em 2004. O surgimento da mídia se deu através de qual intuito? Houve alguma ajuda na época?

Daniel TJ: Intuito de tocar o que eu ouvia no meu mp3 de 2mb (tenho ate hoje como troféu) e que eu sabia que "os pássaros de mesma plumagem sempre voam no mesmo bando" (me parafraseando, pode né) também ouviam cada excluído das mídias tradicionais, então criei A HORA HARD, mas já tinha criado o M.P.P.Hc (Movimento Pro Punk Hardcore) e a rádio corredor com Grêmio Estudantil que ajudei a reerguer depois de quase 20 anos inativo no colégio estadual no qual fiz ensino médio. Ajuda teve dos amigos (alguns gatos miados) que ouviam e iam na radio, interagiam via telefone e sms no celular até 2007, quando comecei a levar bandas e gravações em áudio para programa.

Como você analisa o projeto nestes 14 anos?

Daniel TJ: Evolução nas eras que classifico (olha a graduação) de 2004 a 2007 com inicio, 2007 a 2011 com inicio de coberturas e entrevistas, e 2011 até a data presente chegando a todo estado e fincando SC como cena nacional. Acho que falta um pouco da nova geração ouvir as referencias dos sons que estão em foco hoje, eu nunca paro de ir para fonte (não sei se pela graduação que escolhi).

Para você, quais são os maiores obstáculos do autoral e underground?

Daniel TJ: Autoral pode ser a visão de que para festas é melhor contratar cover que agrada o público, tributos de bandas que não existem mais ou que são muito inatingíveis para fãs é uma boa, uma ótima! O underground vejo a ‘prostituição’ da arte, com falta de credibilidade para ‘se ele não vai vou eu...’ como o empregador e o empregado, você é merecedor, se entrega conteúdo de qualidade, mas aí todos perdemos de organizar e ganhar com a profissionalização do underground (termo que deve ser revisto para não utilizar de maneira indevida).

A AHH tinha seus programas na rádio DCE Unesc e lá levou diversas bandas, grande parte do cenário musical criciumense passou pelos banquinhos do programa. Há o interesse de retornar com essa parte radiofônica?

Daniel TJ: Sempre! Mas sempre profissional, dentro das limitações (outrora de material e concepção de imaterial do que é musica para tantas pessoas).

Hoje a mídia é uma das maiores no cenário independente brasileiro. Qual sua expectativa acerca das novas mídias que gradativamente surgem?

Daniel TJ:  Beeeeeeeeeem longe de ser expoente para país, mas vejo alguns grandes programas passando por alguns passos que A HORA HARD já passou, e nós nos inspirando em alguns!

Há alguma entrevista em evidência que tenha marcado esses 14 anos de AHH?

Daniel TJ: No YouTube estatisticamente temos em entrevista de 2012 com Rodrigo e Alyand (DEAD FISH), Chitão (Loja Pumpx) e Rafael Toldo (Stan Prod.)*, e em 2014 que é o A Hora Hard - 10 anos hoje 25.05.2014 as 18 horas** o primeiro vídeo que o fundador em primeira pessoa, também a entrevista dentro da radio com DF, Aditive, Seks Collin, Killi, Hey Day (do brother cotão) ou áudio entrevistas gravadas no mp3 player de 2mb a pilha nos shows. Mas poder entrevistar cada artista (ídolos que me inspiram com suas letras) que eu ouvia desde a adolescência sonhando ter banda e cantar em um festival com eles, dividir quadro a quadro, pergunta e respostas, já imensurável ver o que consegui.

Qual sua visão sobre o cenário catarinense autoral? E o sobre o cenário criciumense?

Daniel TJ: Estamos sim dentro do ‘eixo’ que antes era SP-RJ-MG-PR-RS-BA, ano após anos, mídia após mídia, bandas e seus sons representando MUITO nossa cena catarinense! Criciúma é a maior cidade em população do Sul, historicamente com a descoberta do carvão houve crescimento potencial de acumulação de bens por algumas famílias e quando há abismo social temas surgem, com isso bandas tem o que falar (ou não, se tomarmos como exemplo Millencolin que não está nem perto de nossos ‘problemas terceiromundista’.

O “Raízes do Underground” é um projeto que visa em forma de documentário registrar as figuras mais antigas do cenário HC criciumense. Como está o desenvolvimento do projeto? Dessa fonte sairá mais alguma ideia?

Daniel TJ: Da cena Criciúma/Tubarão que foi onde residi maior tempo da minha vida até aqui, está em fase de finalização das edições e postagens, já que iniciamos procura em março 2015 e primeira gravação de depoimento em outubro, tudo muito planejado. Com certeza virá após publicação de todos depoimentos (seriam 14 em alusão aos 14 anos do A HORA HARD mas já superamos este número inicial) e em primeira mão anunciamos que lançaremos DVD com a compilação e com uma pergunta ‘e a cena underground hoje? ’ Que não fora divulgada individualmente.

Com o crescimento do neofascismo e intensificação do conservadorismo (até nas bandas). Qual sua expectativa sobre esse assunto e se isso influencia na escolha de alguma banda ou matéria?

Daniel TJ: Diferente do que alguns roqueiros que fazem roque, pregando em suas posições de intolerância políticas, nós do A HORA HARD somos a favor da liberdade de expressão, isso não interfere na divulgação, somos contra qualquer tipo de cerceamento de liberdade e esperamos que estes despertem da besteira do caminho que estão seguindo.

Cinco bandas catarinenses.

Daniel TJ:  Ihhhhh, mas só cinco para 14 anos garimpando o lado underground do estado, poderíamos listar 5 de cada uma das 16 microrregiões...Então será lista in memorian do litoral sul SC:
Doctor Jimmy (Imbituba), Blue Draks (Tubarão), Feel Alive (Araranguá), Turn Off (Criciúma), Vizinhos da Glória (Içara).

Cinco bandas criciumenses.

Daniel TJ:  Puredin, Leopoldo & Valéria, No direction, Delonga, Guella Seca.

Cinco parceiros do underground.

Daniel TJ: Urussanga Rock Music (mudando de nome ou não, seguiremos até mais além), www.osubsolo.com (maior site do Brasil), Cultura Em Peso (onde nos inspiramos a divulgar somente autoral), Comandante Records (selo), todos (as) artistas que valorizam nosso trabalho e Fanzines Amigos Punks (in memorian).

Cinco pubs.

Daniel TJ: Não sei bem se ‘pub’ se encaixa com cena underground em que vivemos, portanto vai lista dos melhores picos: Taliesyn (São José) e Plataforma (Fpolis), Marechal (in memorian) e Porão Kaos 281 (Caxias do Sul), Under beer e Rock n Show (Içara in memorian), Buda (Tubarão) e River Rock Bar (Rio do Sul).

Uma frase.

Daniel TJ: Entrevistando artistas independentes e valorizando o que é daqui desde 2004.

Em nome da Urussanga Rock Music eu agradeço a disponibilidade da entrevista. Se puder, deixe um recado para quem nos acompanha.

Daniel TJ: ‘Eu só queria agradecer...’ (citando DF) e registrar o brilhante trabalho jornalístico do Urussanga Rock Music. E você que fez parte, muito obrigado eu agradeço, você que está fazendo parte prepare-se pois esse é o seu momento, você que vai fazer parte depois de ler esta entrevista, pois gosta de som ou expor seus ideais, e vai entrar de cabeça no bom e velho ‘do it yourself’ e faça, faça por você, por mim, por ninguém, por todos nós! Aproveite, a vida é uma só...


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Parceiros do Underground #5: Guilherme Lindner (Cena Livre)

A quinta edição do Parceiros do Underground deu voz a Guilherme Lindner, um dos mentores e idealizadores do Projeto Cena Livre de Rio do Sul que contou-nos um pouco sobre sua experiência no cenário catarinense cultural.

O comunicólogo tem apreço pelas bandas de SC, é amante do Rock Clássico e atualmente é membro do Coletivo Comova, produtor da feira Se Essa Rua Fosse Minha, Grito Rock (Timbó e Rio do Sul) e Tarde do Blues. 




Como foi seu início no Rock/Metal?

Guilherme: O início foi bastante estranho, na realidade eu sempre fui influenciado pelo meu pai por Rock N' Roll nacional: Capital Inicial, Legião, Garotos da Rua, Celso Blues Boy e um pouco do internacional como Deep Purple, Creedence, Led Zeppelin.

Pode parecer tosco, mas o dividir de águas do meu interesse no rock foi o Filme Escola de Rock, lá em 2004 exatamente. Jack Black me mostrou o que era Rock, tanto que copiei todas os créditos do filme para baixar e ouvir depois.

Quais as primeiras influências que o levaram a acompanhar o estilo?

Guilherme: A principal influência foi meu pai, mas como dito anteriormente, o filme Escola de Rock foi um divisor de águas na minha vida, assim como o Festival Tchumistock que rolava lá em Rio do Sul na época de pré-adolescência.

A origem do Cena Livre. A ideia partiu através de qual propósito?

Guilherme: A ideia veio de uma necessidade coletiva e nasceu dentro da Oca Cultura, Coletivo de Cultura da época em Rio do Sul, que reunia produtores, músicos, comunicadores e várias outras pessoas do meio. O propósito do Cena Livre era criar materiais profissionais para os músicos terem também uma forma de venda do trabalho, através de vídeo e eternizar as bandas da região.

Quais matérias você destacaria como as melhores do site?

Guilherme: O melhor que fizemos, além das matérias do blog, foram os programas com as bandas e acompanhamento dos festivais. O registro de vídeo faz toda a diferença e está todo aqui registrado >> https://www.youtube.com/channel/UCwNOr9o7RDQxvXsNZi-rhIA

Mas o Ato Político no Morrostock foi sensacional >> http://cenalivre.art.br/morrostock-2017-ato-politico-ou-festival-os-dois/

Há algum critério a ser utilizado na realização das matérias?

Guilherme: É da Cena, a gente tá falando! O critério é ser produção de Santa Catarina, de preferência autoral.

O Cena Livre conta com quantos colaboradores atualmente?

Guilherme: Somos cerca de 10 pessoas hoje entre videomakers, fotógrafos, editores de conteúdo, produtores.

Como você avalia o crescimento durante a trajetória do site?

Guilherme: O crescimento foi interesse, pois mudamos totalmente a abordagem do Cena Livre para um blog do Underground e da cultura, antes a ideia era apenas eternizar os momentos das bandas de Rio do Sul.

Qual sua visão sobre o papel das mídias independentes atuantes na cena catarinense?

Guilherme: As mídias independentes fazem total diferença no meio, pois concentram realmente quem participa da cena, quem está envolvido no processo e não apenas como alguém que escreve e não tira a bunda do sofá para ir nos festivais, eventos, etc.

Há receptividade das bandas acerca das postagens/fotos/vídeos expostos? Já houve algum imprevisto?

Guilherme: Sempre houve muita receptividade das bandas, inclusive quando pediam a divulgação mais ágil dos materiais criados. Existe uma conexão bem forte entre o Cena Livre e toda a parte de produção cultural independente.

Os festivais de camping em SC gradativamente estão crescendo visto o momento atual desfavorável em nosso país. Na sua opinião, qual o principal motivo para essa ascensão de criação de eventos?

Guilherme: A galera quer sair para desligar, esfriar a cabeça, curtir com os amigos, sem se preocupar com a vida que começa na próxima semana. O momento desfavorável do país faz com que cada vez mais produtores criem eventos pra todo mundo conseguir ao menos se desligar por alguns dias.

Quais os novos projetos para o Cena Livre.

Guilherme: O grande projeto do Cena Livre para esse ano é acompanhar os festivais, feiras de ruas e eventos em geral em todo o estado.

Cinco bandas riosulenses.

Guilherme: Para mim, as mais apaixonantes são LISS, Fulgass, Apicultores Clandestinos, Fronte e Tosse Harmônica (rapaziada nova).

Cinco bandas catarinenses.

Guilherme: Vlad V, Burn, Rhestus, Eletromotriz e Orquídea Negra.

Cinco mídias independentes.

Guilherme: Cena Livre (haha, santo de casa), O Subsolo, Whiplash, A Hora Hard e Urussanga Rock Music

Em nome da Urussanga Rock Music, agradeço a disponibilidade pela entrevista. Se puder, deixe um recado para quem nos acompanha.

Guilherme: A cena nunca vai morrer, ela sempre será atual enquanto houve alguém ouvindo algo novo. Só não podemos deixar de lado nosso próprio som regional e nos voltar apenas para o som internacional antigo, ou mesmo nacional. O Rock tá vivo, a união dos festivais tá mostrando isso não só pra Santa Catarina, mas pra todo país. Viva longa ao Rock, vida longa a produção autoral!!


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