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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Serra Catarinense: 10 Videoclipes Que Marcaram a Cena (Parte II)

Depois da ótima aceitação pela primeira matéria sobre os audiovisuais que movimentaram a região de Lages, a Urussanga Rock Music decidiu fazer a segunda parte, com mais nomes do cenário musical serrano.


Essa matéria traz desde o Pop Rock, Reggae, Death Metal, Blues, Hardcore e muitas referências à região e a sua rica e vívida cultura.

01. Brazil Hi-Fi - Deixe Pra Trás (2014)


Com uma harmonia pairando em cada riff, a Brazil Hi-FI não podia faltar nessa lista. Um reggae com pitadas de Pop personifica cada canção do grupo lageano, que carrega em sua trajetória um DVD e um disco independente. O clipe de “Deixe Pra Trás” foi gravado em 2014 e contou com a participação de Gazu (Ex vocalista do Dazaranha). Hoje, o mesmo angaria quase 10 mil visualizações no YouTube.

02. Warhell - Dawn Of The Dead (2014)


Curitibanos - SC também tem seu lugar na lista, visto que sempre foi um berço de bandas independentes. Formada em 2007, a Warhell é um grande exemplo, no quesito organização, trabalho e rotina de shows, uma vez que já se apresentou algumas vezes no Otacílio Rock Festival e possui quatro materiais, sendo duas demos, um single e o álbum “Uppergut”. No final de 2014, os músicos divulgaram “Dawn Of The Dead” que exibe takes de uma performance do grupo em um local rústico.

03. Oliver - Tudo o Que Nos Resta (2015)


Mais lenta e cadenciada, com vocais rasgados de Tiago, a Oliver de São Joaquim - SC vê o Rock como uma oportunidade de expressar anseios existenciais. “Tudo o que nos resta” é a baladinha que traz características de hit para o grupo, bem executada e com uma letra que remete a desilusões emocionais.

04. Affix HC - "Lugar Algum" (2016)


Proveniente da nova safra do Hardcore lageano, a Affix HC se destaca na questão melódica. É muito fácil identificar influências claras de CPM 22, sejam nas composições ou nos riffs síncronos. O videoclipe “Lugar Algum” gravado no Dublin Irish Pub, foi o primeiro trabalho do grupo, que segue ativamente no cenário regional.

05. João Vedana - Saudade (2016)


O compositor e instrumentista João Vedana é uma das revelações da música serrana. O músico que atualmente reside nos Países Baixos, deixa seu legado através do Pop, das brasilidades, das pitadas de Soul e de Funk. Em 2016, João lançou “Saudade”, que exibe de forma cômica uma obra ímpar e conceitual.

06. Mandíbula Reggae - Alguém Que Nos Faça Bem (2018)


Otacílio Costa – SC também é Reggae e a Mandíbula é a personificação disso, pois de uma maneira técnica e coesa consegue prender o ouvinte com suas canções. Seguindo os mesmos passos de Ronchi (quando tocava Metalcore no Novella e foi para o SKA, com o Mundo Analógico), Léo Coelho conseguiu deixar os guturais de lado, da época em que tocava no Legado Frontal e passou a cantar de forma cadenciada. O resultado disso, foi vários videoclipes divulgados, com destaque para “Alguém Que te Faça Bem”, que foi gravado nas pistas de Skate da cidade e também, com algumas cenas em Lages - SC.

07. Spiritual - Welcome To The War (2019)


Com a recém mudança de Spiritual Devastation para Spiritual, o grupo de Thrash Metal evidencia a experiência dos músicos e a potencialidade de um Metal cru, sem firulas, nos bons moldes do Thrash oitentista. O vídeo de “Welcome To The War” foi feito no Otacílio Rock Festival pela DonMaker Filmes de Lages - SC e traz registros e fotos da apresentação dos músicos no evento. A canção ressalta críticas ao cristianismo e seus dogmas através de questionamentos como em “Welcome To The War, Inquisition Will Return?”, além de fomentar a guerra e destruição que isso causa.

08. Onda Astral - Chuva (2018)


A Onda Astral aos poucos vem conquistando seu espaço no cenário da música local. Com quatro anos de estrada, os músicos já conseguiram se exibir na Festa do Pinhão, o que foi uma grande vitrine para a difusão do som. Com mais de três mil visualizações, o clipe de “Chuva” enfatiza um pequeno romance de uma forma um tanto quanto inusitada, que termina com o show dos músicos no Galeria Bar.

09. Anna Zechini - Urgente (2020)


A musicista Anna Zechini saiu da cidade, mas Lages não saiu dela. A cantora no início desse ano, difundiu seu videoclipe “Urgente”, primeira faixa do seu álbum “Estallo”. A música propicia uma calmaria descomunal que complementa a um vídeo com uma bela fotografia e a nostalgia plena em cada take do audiovisual.

10. Catarse - Amanhã Ainda Estou (2020)


Lançado há apenas dois meses, “Amanhã Ainda Estou” traz o amadurecimento da Catarse. Em plena pandemia, o grupo de maneira sensata traz uma mensagem sobre a situação atual e através do seu videoclipe, gravado na casa de cada um dos integrantes, exprime uma letra de cunho comportamental, com riffs sólidos e com uma nítida evolução.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Otacílio Rock Festival: 12ª Edição do Monstro dos Fests Brasileiros


No último final de semana emergiu o caos na Fazenda Cambará. A 12° edição do OTA personificou o tamanho que o fest tem no cenário brasileiro. O evento inclusive, explicitou toda a força do underground catarinense e suas respectivas crias. O ar estava cheio, o público enfurecido e as excursões a todo vapor surgindo de várias regiões do Brasil.



Aproximadamente 1000 pessoas compareceram ao festival. Dentre elas, três mídias independentes, a Cultura Em Peso, o Underground Extremo e nós da Urussanga Rock Music, além de organizadores influentes de festivais como Lu Oliveira e Marcos Valério (Iceberg Rock), Thiago Correa (Winter Knights), Danniel Bala (Agosto Negro, Laguna Metal Fest e Tubarão Metal Fest), Adriano Ribeiro e Ariel Frenzel (River Rock Festival), Tailana e Falcãozinho (Rock In Hell Do Campo), Dorneles Pereira (Um Dia Livre Rock Festival) e Thomas Michel Antunes (Santana’s Sunday).

Outro ponto a destacar foi a presença de integrantes de várias bandas que não tocaram, porém prestigiaram, como a Somberland, Blood Eyes, Spiritus Diaboli, Dark New Farm, Brokken, Spiritual Devastion, Silent Empire, Lacrimae Tenebris, Infernal War 666, entre outros.

Todo o público presente pode desfrutar de vários moshes, rodas punks e reencontro com velhos amigos. Tudo isso somado a uma ampla estrutura, um vasto camping, gastronomia vegana, lojas de merchs, camisetas, cervejas artesanais e a apresentação de 19 bandas de cinco estados no pavilhão.



Infelizmente por conta de um pequeno atraso com nossa excursão, não foi possível acompanhar a John Liar, primeira banda que subiu ao palco pontualmente e trouxe o hardcore para o Otacílio Rock Festival.

A Legado Frontal, prata da casa, ressurgiu para esse show trazendo o seu característico Metalcore. O setlist do grupo mesclou músicas do EP “A Guerra Não Tem Fim”, além de alguns covers, incluindo dois da banda Glória.

De Curitibanos – SC, a Warhell trouxe um Death/Thrash Metal sem firulas. Diversas rodas brutais no show dos músicos apenas caracterizaram a qualidade técnica dos curitibanenses. Clássicos como “Dawn Of The Dead”, “Die For Thrash” e “The Lawn Mower” marcaram a exibição deles no OTA.

Benedito Novo – SC também tem Metal e a Cerebral Canibal que aos poucos figura-se ainda mais na cena underground fez por merecer. Outro quesito a destacar é o fato dos músicos exporem majoritariamente letras em português e difundir a catástrofe brutal dos riffs. Novamente os bangers bateram cabeça e “devoraram o putrefato” ambiente do evento.

A Misanthrope (Death Tribute) mostrou a preciosidade de um tributo a uma das maiores bandas de Death Metal. Muitas músicas do lado b foram executadas e a desgraceira rolou solta.

Pela primeira vez na serra catarinense, os orleanenses da Don Capone trouxeram o rock ‘n’ roll com pitadas de stoner, alternativo e blues aos ouvidos do público. Os músicos tocaram canções conhecidas como “Enquanto Tudo Acontece”, “Que Seja No Bar” e “Bastardo” além das novas canções do novo álbum, “Corpo Fechado” e “Não Vou Me Entregar”. Os ritmos se anestesiaram e os riffs rápidos deram lugar aos solos cadenciados.

O primeiro grupo de fora do estado a se apresentar na noite foi o pessoal do AttracthA de São Paulo que estabeleceu uma grande conexão com os metalheads presentes. O show foi marcado por celeridade no instrumental nos clássicos “Unmasked Files” e “Payback Times” e toda a potencialidade advinda de um dos prodígios do Hard Rock/Heavy Metal nacional.

Uma das mais aguardadas foi o grupo Justabeli que regressa novamente a serra catarinense depois de um show realizado juntamente do NervoChaos no Macaco Astronauta em Lages. Os paulistas mostraram que o Metal Extremo ainda exibe as raízes da heresia e do ocultismo. As canções executadas expuseram a qualidade musical e a destruição sonora. É claro que as músicas “Cause The War Never Ends”, “Soldiers Of Satan” e a polêmica “Satan’s Whore” estiveram no setlist.

“Bangers Veneram o Puro Metal” e assim se sucedeu no show do Selvageria. Realmente a exibição do grupo foi memorável, mas é claro juntando qualidade, técnica, entrosamento e conhecimento de Heavy Metal, o resultado não poderia ser diferente de um verdadeiro estrondo. Os headbangers mostraram toda a fúria contida em sua essência a cada canção tocada pelos músicos. Aos poucos surgiam mais moshes avassaladores e músicas clássicas como “Hino do Mal”, “Selvageria” e “Trovão de Aço” foram algumas apresentadas. 

A canoense Horror Chamber gradativamente se destaca na cena do sul do Brasil e aos poucos seu trabalho torna-se mais conhecido no underground de SC. Com seus 14 anos de trajetória, a banda personifica experiência e evolução. Quando os músicos subiram ao palco, veio a certeza que o show também seria inesquecível, não só pela brutalidade advinda dos riffs rápidos de Felipe Pujol, mas também pelo vocal encorpado de Guilherme Lannig. Várias músicas do full length “Eternal Torment” foram executadas.

Considerada uma das headliners do festival, o fenômeno do metal brasilense Miasthenia provou que um Power Trio com teclado consegue alçar uma sonoridade surreal e singular. Mesmo com alguns problemas técnicos, os músicos mantiveram seu profissionalismo ao exibir canções clássicas do Metal Extremo brasileiro, como “Entronizados Na Morte” e “13 Ahaú Katun”, as faixas do novo álbum, “Antípodas” e “Coniupuyaras” e toda sua energia advinda da herege ancestralidade latino-americana.

A Gestos Grosseiros tocou pela primeira vez no Otacílio Rock Festival e logo já conquistou seu espaço entre os presentes. Novamente um Power Trio um pouco diferente, com um vocalista e baterista com vocais mórbidos e sólidos mantendo uma conexão com as guitarras de Kleber Hora e o baixo de Eduardo Ossuko. Os músicos possuem 20 anos de estradas e vários discos lançados, para a sua apresentação mesclaram algumas músicas dos mesmos e difundiram toda a sordidez de um Metal sem escrúpulos. A cada canção reproduzida, a interação tomava mais conta dos metalheads, tal como “The Antichrist”, “Slaves Of Imagination” entre outros.

Obviamente que algumas pessoas já caiam de bêbadas nos cantos do camping, porém alguns bangers tiveram a oportunidade de presenciar a banda de Thrash Metal catarinense Red Razor que desencadeou um colapso no evento. Mesmo com o cansaço e com a manhã quase surgindo, os florianopolitanos mantiveram rodas e cabeças batendo durante toda a sua exibição. “Revolution Beer”, “Wish You Were Beer”, “Napalm Pizza”, a homônima “Red Razor” e a canção “Born South America” (essa presente no novo disco) foram algumas das músicas difundidas pelos mesmos. Em alguns momentos do show, o vocalista Fabrício fez discursos contra a onda separatista presente no Sul do Brasil e também relembrando a execução da ativista Mariele Franco.

Depois de um intenso sábado, o domingo deu suas caras com uma reunião da Up Rock (Organização dos Festivais de Rock/Metal catarinense) onde os organizadores compartilharam várias opiniões, expuseram sugestões e ideias acerca do futuro dos festivais catarinenses e sobre essa nova união que tem o intuito de fortalecer a cena, tornando Santa Catarina o estado do Rock/Metal.

Com alguns minutos de atraso, a Atho iniciou as atividades do segundo dia. O grupo otaciliense de Prog/Heavy Metal executou 100% do repertório autoral e tocou músicas como “Free & Wild”, “Lost In My Voices” e “Lazyness”.

A Captain Cornelius de Rio Do Sul – SC marcou presença em mais um festival. A partir de releituras de clássicos e de músicas celtas e irlandesas, os músicos levaram o público presente a dançar e se divertir regado a muita cerveja.

Um dos melhores shows do evento ficou por conta da banda Bad Bebop de Curitiba – PR. Os músicos advindos de grupos como Necropsya e Semblant se apresentaram pela primeira vez com o novo projeto no OTA. O seu estilo peculiar ao mesclar Stoner, Grunge e Metal Alternativo configurou-os a difundir um som encorpado, coeso e técnico com pitadas de New Metal, cabendo aqui um destaque para a canção “Trouble” bem trabalhada e célere. Em uma parte da apresentação o guitarrista desceu e foi de encontro ao público e deixou-os extasiados com a performance.

Outro grupo proveniente do estado de SP, a Válvera deu rapidez e agressividade aos tons de Heavy Metal ao evento. Com a mudança de canções antes em português para em inglês, os músicos expuseram hits como “Extinção”, “Pra Baixo dos Pneus”, “Cidade em Caos” e a recente “Demons Of War”.

Logo em seguida, os paranaenses da Jailor assumiram os olhares para si e com um repertório mesclado aos dois últimos full lengths exemplificaram todos os seus 20 anos de bagagem, sendo elas “Jesus Crisis”, “Human Unbeing”, “Stats Of Tragedy”, a clássica “Jailor”, “Six Six Sinners” entre outros sons conhecidos. A apresentação contou com vários fatores relevantes, como a presença de palco diferenciada do vocal Flavio, das baquetadas rápidas de Jeff Verdani e da potencialidade das guitarras de Marcos Araújo.

No encerramento do festival, nada mais justo que uma grande headliner, a Taurus advinda do RJ com seus 33 anos de estrada ainda mantém viva a chama do Heavy Metal Tradicional. Com headbangers eufóricos e ansiosos, a banda fez um show extenso e enérgico divulgando suas principais músicas “Massacre”, “Batalha Final”, “Mundo em Alerta” e a nova canção “Desordem e Regresso” presente no novo disco. Com grandes elogios tecidos pelo vocalista Otavio Augusto sobre a organização do fest, o referido encerrou-se de forma brutal e destruidora.

Com um feedback positivo, essa edição do Otacílio Rock Festival cravou ainda mais seu nome na cena do Metal brasileiro. A nós da Urussanga Rock Music, o agradecimento especial ao Denilson Luis Padilha, Eienai Souza e Nani Poluceno por toda a confiança em nosso trabalho, receptividade e hospitalidade. Também um adendo ao Luiz Harley Caires e a Carina Langa do Underground Extremo que dividiram conosco algumas entrevistas e parcerias, além é claro de todo o público, dos amigos, organizadores, nossos leitores, seguidores e a todos que acompanham nosso trabalho. Vocês fazem a cena acontecer, o Metal precisa de nós para a chama nunca se apagar. Valorize o Underground e compareça aos eventos!


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