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quinta-feira, 9 de março de 2023

Palaces Festival: evento protagoniza retorno dos festivais na região Sul do estado

 No dia 25 de fevereiro, a região Sul de Santa Catarina voltou a ser anfitriã de um festival, dessa vez do postulante Palaces Festival, evento organizado pela banda As The Palaces Burn. O local para a realização do fest era bem sugestivo, uma vez que, tem tradição em receber grandes bandas e no que tange a apoiar o underground regional. O Garden Gastropub em Içara - SC, antigo Colher de Chá, mostra que em suas paredes, a música independente e autoral está mais presente do que nunca. 

Fotos: Leandra Sartor/Urussanga Rock Music

O público deu seu espetáculo, já que lotou as dependências do bar e trouxe velhos rostos conhecidos a se inebriarem rememorando as nostalgias, amantes do Rock/Metal de regiões fora da Amrec e jovens sedentos pelo som pesado, sem firulas e totalmente idôneo. Além disso, as barracas de merchan explicitaram que ainda há colecionadores e apoiadores e que um evento como o Palaces, pode de certa forma ser um impulso para o resgate desses festivais pela região. 


No palco de baixo, a banda Milagro trouxe sua experiência e os 18 anos de atividade. Com uma sonoridade que flerta, ora com o New Metal, ora com o Metal Moderno, ora com elementos do Hardcore. Os músicos expuseram para todos ali presentes, vocais rasgados, uma bela sincronia e o peso descomunal, destaque para as canções, “Tripa de Porco” e “St Louis Harmonic”. 


Milagro


Outra originária da cidade de Criciúma, a banda Norium representou e mostrou na prática como mesclar o Heavy Metal ao Metal Melódico. O grupo contagiou o público com suas canções do álbum “A Journey in The Soul” e também com uma releitura da canção “Hearts On Fire” do John Cafferty. 


Norium


A Alkila sempre dispensou apresentações e nesse evento não foi nada diferente. A primeira canção, “Territory” da banda Sepultura fez com que os headbangers e metalheads protagonizassem momentos de moshes. Com um Death/Thrash Metal, a banda exibiu suas canções autorais, além dos covers apresentados. 


Alkila


E lá estávamos em uma sombria noite de sábado, quando nossos tímpanos são acertados com um som conhecido, nostálgico e simplesmente… assustador. A banda Murdock, veio de Tijucas, mas deixou toda a atmosfera “good vibes” no litoral, já que em plena introdução emendaram um monólogo do Zé do Caixão. Em seu show, riffs carregados e pesados auxiliaram no clima soturno. 


Murdock

Quando dizem que o Krisiun é a maior banda nacional, acredite essa afirmação é verídica e pode ser comprovada no Garden. Os três irmãos, em plena difusão de sua turnê do disco “Mortem Solis”, sem adornos quaisquer, proporcionaram uma imersão de riffs rápidos, agressivos e sustentados pela brutalidade já característica. Alex em uma de suas músicas, trouxe mensagens fortes, pesadas e falou que o Metal não é lugar para preconceitos e sim um ambiente comumente tratado, por pessoas que levam suas vidas sem dogmáticas religiosas e suas morais tão retrógradas para os dias atuais. Desde “Combustion Inferno”, “Blood Of Lions”, “Serpent Messiah” e até um cover de “Ace Of Spades” do Motorhead, os gaúchos concluíram sua apresentação de maneira caótica. 


Krisiun


Já que a atmosfera estava pesada, densa e propícia para um som ainda mais carregado, a Malice Garden no palco debaixo, trouxe o Black Metal em sua face mais crua, alternando dessa forma com inserções do Death Metal. As músicas do seu EP “Denying Creation” foram os destaques dos criciumenses que estarão se apresentando no Otacílio Rock Festival 2023. 


Malice Garden


Anfitriã e também prata da casa, a As The Palaces Burn parece com o vinho, cada dia que passa fica ainda melhor. Um som absurdamente técnico, com músicos experientes oriundos de grandes bandas do estado e também com a qualidade das letras presentes no disco, “End’evour”, os músicos prepararam uma apresentação atípica movida pelo Groove Metal, Metal Alternativo e pinceladas de Progressivo. 


As The Palaces Burn


A Losna com seu novo baterista, Mateus Michelon, abriu a caixa de pandora, pois ao começar a performance, as irmãs Fernanda e Débora, fizeram com que a noite sucumbisse aos violentos ataques de riffs. Além disso, uma passada aos clássicos do grupo e uma homenagem merecida a banda do atual baterista, Inheritours, na qual o grupo fez uma releitura. 


Losna


Com 27 anos em atividade e com a inclusão do guitarrista Vicente Telles, o Hibria fez um dos melhores shows da noite e encerrou o festival. Isso se deve pelo fato da sincronia única entre os membros e também pela preciosidade das músicas do seu novo disco, “Me7amorphosis”. Surreal, assim foi definida a apresentação do grupo porto alegrense.


Hibria



terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Palaces Festival: Sul do estado volta a ter protagonismo no cenário dos festivais

No próximo sábado (25), ocorre a primeira edição do Palaces Festival, evento que finca seus pés no cenário underground e que surge com o intuito de resgatar as raízes dos festivais de Metal do Sul do estado. A ideia é fomentar e criar um círculo de eventos que tem como propósito, a valorização da cultura headbanger e a difusão do estilo para mais pessoas. 

Foto/Divulgação

Após oito anos longe dos palcos sul catarinenses, o fenômeno do Death Metal mundial, Krisiun retorna com o peso descomunal que já lhe é característico, com a sincronia do Power Trio e com clássicos que se tornaram frequentes a cada show dos gaúchos, seja “Combustion Inferno”, “Blood Of Lions”, “The Will To Potency”, “Extinção Em Massa”, “Black Force Domain” ou “Devouring Faith”, o grupo mostra que Metal Extremo e Técnica podem caminhar juntos e ser um elo devastador. Ao todo, o Power Trio possui 12 álbuns de estúdio, em especial o novo disco, “Mortem Solis”, difundido ano passado. 


Oriunda das terras gaúchas, a banda Hibria traz a potencialidade do Speed Metal com traços convergentes do Power Metal. O grupo que recentemente contou com a inserção de Vicente Telles nas guitarras da banda vive uma nova era, principalmente com o lançamento do disco “Me7amorfosis”, full length cuja temática gira em torno de questões de autoconhecimento e superação de si mesmo. 


O Rio Grande do Sul está bem representado no evento, pois além das duas headliners, a banda portoalegrense Losna enfatiza a celeridade do Crossover e a intensidade do Thrash Metal. As irmãs mais headbangers do Sul do país irão exibir sem firulas, músicas que a tornaram referência no estilo nesses 25 anos em atividade. Tudo isso marcado por quatro discos desoladores e que de forma crua, exibem a rispidez do Power Trio. 


Considerada uma das bandas mais promissoras do Metal Alternativo/Groove Metal, a As The Palaces Burn carrega em sua bagagem diversos materiais, tais como, o disco “End'evour”, álbum lembrado por obter uma miscelânea de estilos e por abordar o existencialismo através das composições. Em maio do ano passado, o grupo criciumense difundiu “Offer The Gods”, um EP especial que homenageia Sepultura com a versão de “Mass Hypnosis”, Angra através de “Streets Of Tomorrow” e Dr.Sin por meio de “Fire”. 


Rock Setentista, Hard Rock, Doom e Stoner passam no crivo instrumental e lírico da banda Murdock de Tijucas. O grupo possui sete materiais, dentre eles, o EP “Entre Tigres e Lobos”. O quarteto aposta em músicas que abordam problemas comportamentais e consequentemente, batalhas mentais. 


Depois de um bom tempo em hiato, a banda Alkila de Tubarão retorna às atividades e aos poucos volta a se consolidar nos festivais do estado. Seja pelo Death e Thrash Metal, com influências específicas de Sepultura, Cavalera Conspiracy e Soulfly, os tubaronenses trazem singles autorais, contando com a sua demo homônima lançada em 2004, na qual  contém as músicas 'Hated by the Hate', 'Soldiers (Disturbed Minds)', 'Dying for the Master' e 'Mental Violence'.


A reformulação dos integrantes, o hiato e as referências de cada músico presente na Malice Garden, foi um dos fatores essenciais para a criação de uma nova identidade para a banda. Aquele Black Metal mais primitivo, sujo também dá espaço ao experimental, novos solos, novas linhas de baixo e principalmente um som mais arrastado e técnico. E em 2021, o grupo nos entrega o precioso EP, Denying Creation. Última obra difundida dos criciumenses, que pretendem trazer o peso ao evento. 


Formada em 2018, outra prata da casa é a banda de Power Metal, Norium. O grupo investe em videoclipes e recentemente divulgou seu primeiro disco de estúdio, “A Journey Through The Soul”. A quarta representante da Cidade do Carvão, é a Milagro, banda esta que surgiu em 2005, passou por alguns hiatos e em 2020 voltou a ativa. A sua sonoridade é lembrada pela mescla do New Metal ao Stoner. 


Além das bandas, o evento se preocupou em fornecer gastronomia diversificada e que lembrasse a região, disponibilizou oficinas e contará com exposições. O festival começa às 14h (fique atento no cartaz de apresentações, não é pela ordem da matéria) e acontece no antigo Colher de Chá em Içara, agora com o nome de Garden Gastro Pub. 


terça-feira, 18 de abril de 2017

Krisiun - "Forged In Fury" (Resenha)

No dia 08 de abril, a banda Krisiun, um dos maiores expoentes do Death Metal mundial se apresentou pela primeira vez no Saloon 140, em Vacaria.



A Urussanga Rock Music acompanhou o show que conteve clássicos dos álbuns anteriores e canções do último disco lançado, o “Forged In Fury". Full Length este que fora divulgado no ano de 2015 através do selo Century Media, com a produção de Erik Rutan (ex Morbid Angel e Ripping Corpse) líder e vocalista do grupo de death metal, Hate Eternal.

O álbum conta com 10 músicas inéditas, “Scars Of The Hatred”, “Ways Of Barbarism”, “Dogma Of Submission”, “Strength Forged In Fury”, “Souless Impaler”, “The Burning Of The Heretic”, “The Isolated Truth”, “Oracle Of The Ungod”, “Timeless Starvation” e “Milonga De La Muerte”, porém contém mais duas faixas bônus, “Earth’s Cremation” e o cover de Black Sabbath, “Electric Funeral”. Abaixo está a resenha de cada faixa:



Logo de cara um estouro sonoro, a representação piamente dita do preciosíssimo Death Metal cru. “Scars Of The Hatred” personifica a qualidade particular gradativa de cada integrante. A letra da mesma, ressalta o poder que o sistema clérigo possui na sociedade demonizando qualquer tipo de cultura, arte e religião que não seja aceito por eles. Em várias partes da composição, nota-se o claro descontentamento com a religião e seus dogmas fanáticos. Em 2016, os músicos difundiram a canção como videoclipe, onde já obtém a marca de 170.000 visualizações no YouTube.




A segunda faixa é “Ways Of Barbarism”, ela é realmente uma demonstração da aula de história. Esta detalha todas as formas de barbárie enrustida ao longo do tempo, desde a pré-história, no período neolítico até os dias atuais. Durante o decorrer da música, pode-se notar traços exemplificados da misantropia, guerra e forma de disputa dos neandertais, chegando a parte da Inquisição cristã, da austeridade e carnificina presentes no período. A canção é longa, possui 6:31 min e é caracterizada por agressividade e linearidade dos riffs.

Com 04:55 min, a “Dogma Of Submission traz uma sonoridade mais ríspida, a técnica predomina e o solo da guitarra ganha destaque no meio da canção. Sua abordagem é caracterizada pela hipocrisia cristã e por seus preceitos ensinados, suas crenças enrustidas por uma dogmática fútil, manipuladora, alienadora e massificada. Como cita no verso, “Centuries of progress, we are still living in a cave”, na qual mostra metaforicamente o retrocesso ideológico religioso.

“Strength Forged In Fury” dá a designação ao álbum. A faixa carrega um misterioso esoterismo baseado no obscuro, na blasfêmia e da entronização do não sagrado. A brutalidade instrumental é altamente personificada, os vocais crus e ásperos são bem representados por Alex.

A quinta música “Souless Impaler”, cita a obra “Nosferatu” como base para a composição, onde o mesmo é despertado através de um feitiço. Todavia, durante a música é influentemente notável a presença do pecado para conseguir a eternidade, expressa por júbilos sangrentos, carnificinas e empalação da escória humana. A sonoridade começa com um tom esotérico e mítico, ao prolongar da faixa, os riffs vão se tornando mais violentos.

“Burning Of The Heretic”, a sexta faixa do álbum, apresenta um instrumental corpulento que se equilibra entre peso e morosidade. A temática da letra traz à tona a Inquisição, citando o silenciamento religioso que atingiu (e atinge) as parcelas não religiosas. Simultaneamente a isso salienta as injustiças cometidas pela sociedade que procurava impor sua doutrina, utilizando de violência para tal objetivo.

Em seguida inicia-se a sétima faixa, intitulada “The Isolated Truth”, o instrumental conta com riffs de peso harmonizados com a sonoridade ágil da faixa. A letra trata da cegueira propagada pelos ideais religiosos, que se baseiam em escrituras arcaicas para disseminar seus princípios.

 Na sequência, a oitava faixa, denominada “Oracle of the Ungod” surge trazendo uma sonoridade intensa que condiz com o vocal violento. A letra desconstrói o sentido religioso do oráculo, o atribuindo a de uma ferramenta usada por um “não deus” que traz uma visão distópica da sociedade.

A oitava faixa, “Timeless Starvation” trata de questões sociais em uma abordagem de conteúdo. Recheada de críticas ao sistema, a letra traz uma evidenciação da miséria, carência e privação de condições básicas de vida enfrentadas por alguns povos. A temática densa casa com o instrumental forte e intenso, que se mantêm ardente no decorrer da canção, mostrando a potencialidade da faixa.

A canção de encerramento do álbum, intitulada “Milonga De La Muerte”, é instrumental, contando com cerca de 50 segundos trabalha apenas com dedilhados que acabam trazendo uma sonoridade obscura ao álbum.

O disco ainda conta com duas faixas bônus. A autoral “Earth's Cremation” que trata, em tom de protesto, da destruição do planeta, cuja está sendo causada pelo próprio homem. Conjuntamente a isso traz um instrumental munido de brutalidade técnica e potencialidade de riffs.

Além disso, o disco também conta com um cover de Black Sabbath apresentado na última faixa bônus, "Electric Funeral”, a qual fora lançada originalmente em 1970 no álbum “Paranoid”.


“O álbum é uma espécie de inovação no entanto ao mesmo tempo traz o tradicional metal extremo cru. A cada canção ouvida nos surge a oportunidade de uma interpretação diferente. ” (Urussanga Rock Music)

As plataformas virtuais da banda:


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