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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

15° River Rock Festival: A originalidade e miscelânea cultural fincaram raízes nessa edição


O Festival

Nos dias 07, 08 e 09 de setembro aconteceu um dos maiores festivais catarinenses, o River como é carinhosamente chamado configurou-se através da pluralidade de estilos, da ampliação e modificação da estrutura e do line-up repleto de atrações.



A nossa equipe saiu de Lages- SC na sexta-feira à tarde e chegou no período das 19h no Rota 66 em Indaial- SC. Durante o percurso, vale ressaltar a beleza do Vale, as cidades pequenas, porém bem desenvolvidas, a mescla da cultura alemã com a italiana e os trejeitos do interior catarinense.

Ao chegar ao local do evento, é nítido surpreender-se com a quantidade de veículos, pessoas e barracas logo no hall de entrada do mesmo. Lá no palco a banda Steel Warrior encerrava sua apresentação, fortemente caracterizada no Power Metal peculiar do grupo itapemense. Mesmo com alguns imprevistos relacionados a elétrica, os músicos conseguiram finalizar sua exibição muito bem.

Assim instalados e com a correria da sala de imprensa, do credenciamento e direcionamento das mídias, a URM intercalava em realizar entrevistas, fazer cobertura de fotos e vídeos, suprir dúvidas relacionados à imprensa e demais tarefas com o intuito de contribuir com o River Rock 2018. Todavia, perante a essa intensa jornada conseguimos prestigiar algumas apresentações.

A Flesh Grinder deu início ao primeiro show do “big 4 catarinense” formado pelos joinvilenses, pela Brasil Papaya, Khrophus e Rhestus. As quatro apresentações foram marcadas primeiramente por concentrar um grande número de pessoas em frente à grade, pela versatilidade da apresentação e inovação com resquícios de fogo e com pinturas faciais da Rhestus. Também é valido e notório a solidez da Khrophus e a harmonia e sincronia da Brasil Papaya.

Brasil Papaya
A alimentação era algo com múltiplas opções, desde variedades para o nicho vegano e vegetariano e a presença de um food truck com outros tipos de gastronomias.

A Leite de Velha encarou o evento como uma forma de expandir sua sonoridade às pessoas de outros estilos, como o Metal. O rock gaudério conseguiu trazer às atenções a músicas com temáticas cômicas e inusitadas.

As mídias presentes no evento mostraram profissionalismo e dedicação. Em conversa com Sidney do O Subsolo/Cultura Em Peso, o mesmo destacou a necessidade de profissionalizar o trabalho das mídias nos festivais e também ressaltou a importância dos canais para a divulgação. Vale ressaltar que a Vanessa Boettcher também estava lá cobrindo para o CEP.

Com a troca de horário, a Necrotério foi a primeira banda do Paraná a se exibir nessa edição. Um Death Metal Cru com riffs agressivos e céleres. Logo em seguida, a Slammer propagou a chama do anticristianismo, os curitibanos fizeram um altar mórbido e direcionavam mensagens diretas para a dogmática religiosa. O grupo reproduziu até um cover da banda Funeral, uma das primeiras de Black Metal no PR.  A Grimpha bradou “Death Metal Antifascista” e fez com que todos pudessem sentir a monstruosidade do seu respectivo instrumental assim como a potencialidade de suas letras.  

Slammer
Com a finalização da noite, pudemos ainda conhecer Guilherme Lindner do “Cena Livre” que estava executando seus trabalhos de difusão. E no bate-papo, o comunicador enfatizou a grandeza do evento e a simplicidade de cenas casuais que às vezes passa de forma impercebível a nossos olhos. Guilherme ainda concedeu algumas ideias para a continuidade do nosso trabalho e também sobre a elaboração do fest.

O sábado começou cedo, com alguns problemas relacionados à energia que rapidamente foram resolvidos. E o Carlão Fernandes que não tinha nada com isso se preparou e executou o Workshop que consistia em compartilhar suas técnicas, suprir as dúvidas e reproduzir alguns de seus sons da banda Khrophus.

Carlão Fernandes
Ao olhar para o camarim, ficava explícita a ideia de teatralidade dos músicos da Casa de Orates. Os itajaienses contagiaram os headbangers com suas músicas psicodélicas, com suas atividades artísticas de dança e diversidade musical.

Casa de Orates
A Escória de Timbó- SC mostrou o Punk Rock de protesto e de revolta. Com um repertório diferenciado, os músicos até divulgaram uma música para o antigo prefeito da cidade do vale. A sala de entrevistas estava a todo vapor, entrevistas com Casa de Orates, Xei e Sons In Black e Slammer estavam acontecendo, em virtude da execução das mesmas não foi possível acompanhar as demais apresentações.

A primeira banda do RJ a subir no palco foi a Cervical, um som pesado, díspar e totalmente expressivo. Era notável a proatividade e a interação do vocalista Pascoal Mello com os presentes que admirados acompanhavam o som dos músicos.

Cervical
A Affront tocava mais uma vez em SC. Acostumados com o clima catarinense, os músicos mantiveram mesmo com algumas falhas técnicas, o profissionalismo ao impulsionar suas canções presentes no álbum “Angry Voices”. E foi assim, com um petardo em cima do outro, solos sólidos e rápidos e a brutalidade do Death Metal. Logo em seguida, no bate-papo o vocalista Marcelo ressaltou e enalteceu o convite que foi feito para tocar no evento, o qual para ele é raro de se encontrar no estado do RJ.

Affront
E lá um Power Trio advindo do Centro Oeste brasileiro, executando suas músicas, uma a uma com a mesma intensidade da Demo “Infernal Domain”. A Armum encantada pelo evento manifestou uma condensação sonora, a presença dos vocais graves e timbrosos de Camila e as viradas de batera de Gesiel Coelho.

Armum
A Cartel Da Cevada fez uma das melhores performances, os gaúchos movidos pela energia da viagem e clima de festival, difundiram suas músicas com uma sincronização ímpar, com a sede de demonstrar seu máximo e é claro que não poderia faltar a aparição do “tinhoso” em “O Diabo é Da Fronteira”.

Cartel da Cevada
Fixos em frente ao palco, o público pode presenciar o show de duas headliners do fest, a Imago Mortis que fez um show surpreendente com seus arranjos peculiares, seu doom expressivo e a magia de suas canções. No entanto, sem muito esperar, os metalheads acompanharem depois da exibição dos cariocas, a apresentação do ReyToro (Uma das maiores bandas do Uruguai) que de forma caótica possibilitou vários moshes.

ReyToro (URU)
A grande atração da noite fez com que o festival inteiro pudesse cravar os olhos para o palco do Rota 66. O Sepultura se apresentou pela segunda vez no River e foi claro a performance de qualidade dos músicos, que traziam a divulgação do “Machine Messiah” em show único no estado. Evidente que relembraram clássicos como “Territory”, “Inner Self”, “Refuse Resist”, “Arise”, tal feito proporcionou rodas brutais, a fase épica de Eloy Casagrande, a mescla de sons com o novo álbum e a simpatia habitual de Derrick Green.

Sepultura
O projeto Cadaveric Hotel composto por apenas um integrante demonstrava gratidão ao Sepultura pelos músicos fazerem a abertura de seu show. Brincadeiras à parte, o músico enfatizou canções cômicas e de duplo sentido que deram um ar mais descontraído ao festival.

Cadaveric Hotel
A última banda a se exibir no sábado foi a Cassandra. O duo de Curitiba- PR enfrentou alguns imprevistos técnicos com o som inicialmente, mas logo tudo fora resolvido e puderam deixar fincada a passagem por Indaial. Com uma mistura de elementos, indo desde djent, stoner, doom e outras referências estabilizaram uma isocronia com suas composições autorais.

Cassandra

Casamento de Adriano e Ana Cláudia

O matrimônio entre o organizador e músico Adriano Ribeiro com Ana Cláudia Freitas personificou a singularidade do festival. Os recém cônjuges protagonizaram um momento de ternura em que os riffs das guitarras cederam à sutileza das palavras proferidas por Cláudio Tiberius. O mesmo coroou o casal e fez com que o público se comovesse com tal ato.

Casamento
Depois do agitado beijo, o noivo pulou para a galera e tudo isso exprimiu o carinho que os presentes mantêm com o guitarrista.

Com Enya sendo reproduzido através de Carla Domingues e Thiago Gonçalves, o recital Metal era composto por versos doces, simbólicos e eloquentes. O baile de debutantes iniciava-se, os headbangers dançavam com seus respectivos pares, inclusive alguns com garrafas de cerveja e assim caracterizou a parte romântica da aliança do River Rock Festival 2018 com você.

Bandas e Festivais Presentes

É de suma importância revelar as bandas que mesmo sem ter tocado no evento puderam otimizar seu tempo para locomover-se até o Vale. Alguns grupos presentes foram a Balboa’s Punch, Captain Cornelius, Homem Lixo, Juggernaut,  Mr Fear, Omnifarious, Plunder, Somberland, Tandra, They Come Crawling, entre outras.

Já em relação aos eventos, a parceria de festivais inclusos no River Rock Festival era vasta tendo nomes como o Agosto Negro, Fear Fest, Frai’n Hell Rock Festival, Iceberg Rock, Maniacs Metal Meeting, Otacílio Rock Festival, Rock In Hell Do Campo, Santana’s Sunday e Um Dia Livre Rock Festival.

Camping e Arredores

O camping estava bem acessível, com um amplo espaço para a colocação de barracas, gazebos e tendas. Também havia alguns stands de lojas especializadas em Rock/Metal, rádio e bancas de merchans dos grupos que se apresentavam.

Camping
A proximidade do palco foi algo a ser devidamente lembrado, pois normalmente conseguia-se a locomoção entre o espaço interior e exterior. Ao questionar o baterista Fernando Alfaro da Reytoro, o mesmo se mostrou admirado pela estrutura aos arredores do evento. De acordo com ele, são pouquíssimos festivais no Uruguai com essa base.

Organizadores e Produção

Com o convite do Patrick Souza da Sangue Frio Produções, nós ficamos encarregados por assessorar a parte da imprensa. O procedimento ocorreu de forma tranquila e foi uma experiência ímpar e gratificante.

Os idealizadores Adilson Frenzel, Adriano Ribeiro, Ariel Frenzel, Larissa Giovanella, Regiane Santos e Valdecir Valda se mostraram satisfeitos pelo resultado do fest e pela receptividade do público. Adriano ainda ressaltou algumas ideias a serem trabalhadas para a próxima edição e frisou pontos a aperfeiçoar-se, outros a continuarem e planos a serem colocados em prática.


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

River Rock Festival 2018: A Aliança Se Consolida (Parte 1)

O município de Indaial vai estremecer nos dias 7, 8 e 9 de setembro com mais um River Rock Festival. Um cast de peso, formado por 35 atrações, somado a uma ampla estrutura é o que caracteriza essa 15° edição. São esperadas diversas excursões vindas para prestigiar as apresentações de ilustres nomes da música brasileira, como o Sepultura, Imago Mortis, Blues Etílicos, a banda internacional ReyToro e os grandes tesouros catarinenses Khrophus, Resthus, Brasil Papaya e Flesh Grinder. Além, é claro, de outros grandes grupos que marcarão presença no fest.




E as atrações não ficam por isso, o evento irá contar com um Baile de Debutante em comemoração aos 15 anos do River Rock, Workshop de Bateria com Carlos Fernandes, Recital Metal com Carla Rodrigues e Thiago Gonçalves. A cultura terá seu espaço com a poesia de Hugo Deigman e as exibições teatrais das bandas Casa de Orates, Paraverso e Cartel da Cevada. A aliança do festival não ficará apenas no slogan, durante o evento também ocorrerá o casamento de Adriano Ribeiro (guitarrista banda Khrophus) com Ana Cláudia. Vale lembrar que o cardápio será recheado de opções, inclusive de lanches veganos.

Prepare sua barraca e marque presença em um dos maiores festivais de Santa de Catarina!



Diretamente de Timbó, a banda de Death/Doom Metal Volkmort será a primeira a pisar nos palcos do River. Com seus 14 anos de estrada, os músicos possuem em sua discografia a Demo “Supreme Evolution of Fear” (2010), o Promo CD “The Beginning of The End” (2013) e a Tape “Traces of Doom” (2015). Atualmente o grupo trabalha na produção de seu primeiro álbum.

Em seguida os blumenauenses da Viletale irão expor seu trabalho, o qual busca inspiração nas variadas vertentes do Terror, mesclando a atmosfera do gênero ao Metal. A discografia dos músicos conta com os Eps “Initiation” (2016), “From The Dephts Ov Mind” e “The Suicide Of Dei” (2017).

O Hardcore também terá seu espaço, com 26 anos de atividade a banda Eutha é fruto da capital do estado. O grupo já se apresentou com diversos nomes da música, marcando presença em diversas coletâneas, lançaram em 2002 o álbum “Estileira Core Music Tarja Preta” e o Ep “Segundo Disco de Plasticore ou a Temporada no L.I.M.B.O.”, lançado em 2015.

Um dos maiores nomes do Power Metal nacional também estará presente na sexta-feira. Proveniente do litoral do estado, a banda Steel Warrior angaria em seus 22 anos de estrada diversos trabalhos notórios. Entre eles estão as Demo “Steel Warrior” (1996) e Beyond the Twilight Hills (2001), os álbum “Visions from the Mistland” (1999), “Army of the Time” (2002) e “Legends” (2008), além do Ep “Vodu” (2006) e o Split “Brazilian Steel - The Metal Survivors Volume I” (2018).

Um dos momentos mais esperados do Fest é o encontro de renomados grupos da música do estado que comemoram seus 25 anos de carreira nesta edição do River Rock. O carinhosamente apelidado de “Big Four Catarinense” é composto pelas bandas Flesh Grinder, Brasil Papaya, Resthus e Khrophus.

A primeira peça desse quebra-cabeça é a banda de Splatter, Flesh Grinder. Os músicos de Joinville chamam atenção pelas letras com temáticas sangrentas, trazendo à tona o verdadeiro sentido da palavra “gore”. Entre os trabalhos do grupo estão os álbuns “Anatomy & Surgery” (1997), “S.P.L.A.T.T.E.R.” (1999), “Libido Corporis” (2001), “Coroner's Inquest Suit” (2005), “Crumb's Crunchy Delights Organization” (2008), “Nomina Anatomica” (2016). Possuem também as Splits “From Rotten Process... to Splatter / Malignant Cancerous Tumour in the Epithelial Tissue of the Intestine” (1999), “Unsatisfactory Doctors Report / Carn Morta” (2008), “First Time at Maggot Sessions” (2009), “Two Repulsive Eyes” (2010) e “Expurgo / Flesh Grinder” (2017). Além do Ep “Necrofiles” (2013) e a Demo “Rotten Process” (1994).

Outra grande atração que subirá aos palcos, é a banda florianopolitana Brasil Papaya. O grupo é caracterizado pela combinação de diferentes estilos que formam um som instrumental singular. A discografia da banda é composta pelos álbuns “Brasil Papaya Instrumental” (1997), “Esperanza” (2005), e “Clássicos com Energia” (2012) lançado em parceria com a orquestra Camerata Florianópolis. Além de contar com a Demo “Brasil Papaya” (1993), e o DVD “Emancipation” (2011).


Simplesmente descomunal será a apresentação da Rhestus que finca um pilar duradouro relacionado ao metal catarinense. Os músicos em seus respectivos shows garantem uma potencialidade de riffs que de forma caótica personificam o portfólio da banda. Trabalhos estes como “Bullet In Point”, “Games Of Joy... Games Of War”, “Insane War”, entre outros sons.

Encerrando o ciclo de exibições do “Big Four SC”, a Khrophus ressurge mais viva e intensa. O grupo de São José - SC explicita o death metal cru, ríspido e nada convencional que a tornam uma das destaques do River Rock Festival 2018. A banda carrega em sua jornada clássicos raros como “Tribulations”, “God From Dead Images” e “Symbols From Death” além dos aclamados “Presages” e “Eyes Of Madness”.

A Leite de Velha traz o experimentalismo, já que em seu estilo possuem a definição de Gaudrock de Bolicho. Um tanto quanto diferente, mas totalmente identitário, os músicos de Rancho Queimado pretendem trazer ao evento a psicodelia, o progressivo e suas músicas peculiares.

Com quase 20 anos de estrada, a Slammer mescla a experiência, a heresia e a sede pelo Black/Death Metal dos anos 80, época auge para o estilo que traz muitos resquícios para a elaboração dos sons dos curitibanos. E esse som é nítido em “Ignis Corpora” que recentemente com a volta do grupo ganhou um vídeo no Studio Tenda em Curitiba-PR.

Também proveniente das terras paranaenses, a Necrotério mostra os 25 anos através do Splatter, do Gore e do DeathGrind. São diversas demos divulgadas, splits, vídeos e três full lengths, sendo eles “Lament Of Flesh” de 1999, “A Rotten Pile Of Dead Humans” e o último lançado “Gory Visions And Hallucinations”. Esses materiais têm em seu âmago toda a temática cadavérica, odiosa e mutiladora que consequentemente será exibida no palco.

Realmente Curitiba está em peso e a encarregada a encerrar as atividades de sexta-feira é a Grimpha. O grupo de Death Metal teve sua formação no ano de 2016, onde reuniu músicos conhecidos ávidos a desenvolver um trabalho que pudesse expor ideias como conspirações mundiais, caos, violência e catástrofe, tudo isso é claro somado a riffs violentos. Para suas músicas autorais, destaca-se o EP “Induced Hate”.


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